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Ibovespa opera com cautela política; dólar ronda R$ 3,95

20/08/2018 13h31

O Ibovespa opera entre leves altas e baixas numa sessão marcada pelo vencimento de opções sobre ações e pela continuidade da cautela dos investidores em relação ao cenário político. Embora não tenham piorado o sentimento do mercado, os resultados da pesquisa CNT/MDA também não trouxeram alívio.

Por volta de 13h25, o Ibovespa subia 0,21%, aos 76.167, após chegar a cair 0,55% na mínima do dia, aos 75.608 pontos ? na máxima, atingiu os 76.267. O giro financeiro do índice, contudo, é fraco: até o momento, foram negociados pouco mais de R$ 2,8 bilhões, projetando para o dia um volume de R$ 6,6 bilhões.

Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor, destaca que o vencimento de opções sobre ações afeta especialmente os ativos da Petrobras nesta segunda-feira ? os papéis preferenciais caem 1,3%, enquanto os ordinários recuam 0,91%. "A tendência para [as ações] da Petrobras tende a ficar mais clara depois do vencimento", diz.

Ele ainda ressalta que apesar da pesquisa CNT/MDA não ter trazido maiores oscilações ao Ibovespa, os papéis de empresas estatais acabam tendo desempenho pior em função da dificuldade mostrada por Geraldo Alckmin (PSDB), candidato mais alinhado com as pautas econômicas defendidas pelo mercado financeiro. Eletrobras ON (-1,61%), Eletrobras PNB (-2,61%) e Banco do Brasil ON (-2,75%) fazem companhia à Petrobras e recuam com maior intensidade.

De acordo com o levantamento, o ex-presidente Lula lidera a corrida eleitoral com 37,3% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro (18,8%), Marina Silva (5,6%), Geraldo Alckmin (4,9%) e Ciro Gomes (4,1%). Lula, Bolsonaro e Alckmin mostraram crescimento desde maio, enquanto Marina e Ciro recuaram.

A pesquisa ainda mostra que Haddad herdaria 17,3% dos votos de Lula caso a candidatura do ex-presidente seja impugnada, enquanto Marina, Ciro e Bolsonaro conseguiriam atrair 11,9%, 9,6% e 6,2% dos votos do petista, respectivamente. 31,3% dos eleitores de Lula indicaram que votarão em branco ou nulo caso a candidatura seja cassada pelo TSE.

"Com o Alckmin ainda fraco, o mercado sente um pouco e o pessoal fica receoso", diz Santos. "Mas tem que ver o que acontece com o Lula e se o Haddad consegue dar continuidade [ao desempenho do ex-presidente]", diz Santos. Ele ainda pondera que a pesquisa Ibope, a ser divulgada nesta noite, possui maior capacidade para influenciar os mercados.

Entre os bancos privados, o desempenho é misto: enquanto Itaú Unibanco PN (+0,66%) e as units do Santander Brasil (+0,35%) conseguem se sustentar em alta, Bradesco PN (-0,38%) e Bradesco ON (-0,32%) operam em queda. Já Vale ON (+1,22%) aparece no campo positivo desde o início do dia, em meio à combinação de dólar em alta e valorização do minério de ferro.

O noticiário corporativo também traz impactos positivos ao setor de siderurgia: Usiminas PNA (+4,41%) lidera os ganhos do Ibovespa após o J.P. Morgan elevar para compra a recomendação dos papéis. Já Gerdau PN (+1,79%) teve seu preço-alvo elevado para R$ 22 pelo mesmo banco. Por fim, CSN ON (+1,66%) sobe após anunciar pagamento de R$ 890 milhões em dividendos extraordinários e concluir negociações para reperfilamento de dívida de curto prazo com o Bradesco.

Dólar

O mercado brasileiro de câmbio voltou a dar sinais de sensibilidade à corrida eleitoral. Logo que a pesquisa foi publicada, o dólar saltou para as máximas do dia, batendo R$ R$ 3,9558, o maior patamar desde 7 de junho de 2018 quando tocou R$ 3,9674. O ritmo de alta, entretanto, não foi mantido.

Profissionais de mercado comentam que a disputa eleitoral ainda está aberta e o cenário só deve ficar mais claro com o início do horário eleitoral gratuito, no fim do mês. No caso da pesquisa divulgada hoje, dizem, faltaram informação mais claras sobre um cenário que exclui a participação do ex-presidente Lula. Esse é o quadro mais relevante já que a expectativa é de que sua candidatura seja impugnada.

Após o pico de alta do dólar, o movimento perdeu intensidade. Por volta das 13h25, o dólar comercial subia 0,87%, a R$ 3,9488. De qualquer maneira, o fato de Geraldo Alckmin não avançar nas pesquisas é um fator de desânimo para os investidores. Mesmo com essa desaceleração, o mercado brasileiro ainda mantém o segundo pior desempenho entre as principais divisas globais nesta segunda-feira, melhor apenas que a lira turca (-2,7%).

Além das incertezas na política, o ambiente externo também tem pesado no mercado brasileiro. Hoje, algumas divisas emergentes voltam a operar em terreno negativo. Peso mexicano, zloty polonês e peso chileno completam o grupo das cinco piores colocações da sessão.

Juros

Os contratos de juros futuros apresentam alta hoje seguindo o movimento do dólar frente moedas emergentes e incertezas relacionadas ao panorama político local. Os contratos têm, em média, avanço de 0,05 ponto percentual, com movimento mais forte na ponta longa da curva.

A primeira fonte de influência dos negócios é o panorama externo. Hoje o dia é mais positivo lá fora, mas o dólar sobre frente moedas emergentes, o que puxa o câmbio local e acaba pesando no mercado de juros. O dólar comercial sobe 0,82%, a R$ 3,9468, enquanto o dólar setembro avança 0,85%, a R$ 3,9525.

No começo da tarde,DI janeiro/2020 é negociado a 8,19%, estável ante o fechamento anterior;DI janeiro/2021 tem taxa de 9,30% (9,25% no fechamento anterior);DI janeiro/2025 tem taxa de 11,70% (11,61% no fechamento anterior).