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REPORTAGEM

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Vento forte pode arrastar, tombar e até fazer avião 'decolar' sozinho; veja

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/09/2021 18h07

Vídeos registrados nesta quarta-feira (8) mostram um avião no aeroporto de Maringá (PR) sendo arrastado por fortes ventos. Foram observadas rajadas que chegaram a 150 km/h durante o dia na região.

Um avião de grande porte, que pesa dezenas toneladas, não é facilmente movido pelo vento, mas isso não é impossível de acontecer, como se vê no vídeo. Há registros, inclusive, de aviões de menor porte que são tirados do solo e "levantam voo" diante de ventanias (veja vídeo mais abaixo).

Aeronaves pequenas costumam ser amarradas ao solo quando vão ficar paradas, justamente para evitar esse tipo de ocorrência. Já aviões maiores não costumam ser amarrados, recebendo calços nos pneus, o que dificulta, mas não impede sua movimentação.

Um exemplo é o do Boeing 787 Dreamliner da Qatar Airways que foi empurrado em direção a um Airbus A350 durante uma tempestade. O acidente ocorreu em 30 de abril de 2020, em Doha. Nas cenas é possível ver como o vento pode causar problemas ainda em solo:

Em outubro de 2018, um avião de pequeno porte chegou a virar de dorso no aeroporto de Maringá. Segundo relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o acidente ocorreu devido a um fenômeno meteorológico.

O local foi atingido por fortes rajadas de vento naquele dia, e, apesar dos danos à aeronave, os dois tripulantes saíram ilesos.

Em outras situações, eventos conhecidos como microexplosões climáticas podem gerar correntes de ar intensas, que conseguem fazer aviões menores "decolarem" sozinhos.

Esses fenômenos ocorrem próximos a tempestades, e consistem em fortes rajadas de vento em direção ao solo, que batem no chão e se espalham como se fossem uma bomba.

Pilotos tentam decolar com microexplosões climáticas ameaçando aviões:

Quais os riscos?

De acordo com Jansey Tura, piloto da aviação comercial e executiva, a chance de algum problema maior ocorrer devido aos ventos é baixa. Em solo, os maiores problemas que podem acontecer são a movimentação do avião, que pode virar ou bater em algum obstáculo, como outra aeronave.

Ventos mais fortes também podem danificar as superfícies móveis que controlam o avião, movendo-as de maneira brusca. No mais, é possível que algum objeto seja arremessado pelo vento contra o avião, como um carrinho de bagagens, causando danos materiais severos.

Fora do chão, o risco praticamente não existe na aviação comercial.

"Em voo, as rajadas de vento e turbulência podem causar desconforto aos passageiros e aos tripulantes que estão realizando o serviço. Mas não oferecem risco ao voo em si", diz Tura.

Como alguns aviões possuem radar meteorológico a bordo, podem observar locais com formações onde costumam ocorrer as rajadas de vento e optar por desviar delas, caso sejam mais intensas.

No pouso, se a aproximação não está estabilizada, geralmente, devido a correntes de ar, o piloto também pode optar por arremeter.

Nos EUA, diz Tura, em regiões que vão ser atingidas por furacões, os aviões costumam ser retirados em comboios aéreos para longe do perigo. Dependendo da intensidade das tempestades, até mesmo os hangares não são lugares seguros para as aeronaves.

Tesoura de vento

Na hora do pouso, uma situação com vento, em particular, pode preocupar mais os pilotos. Chamado de tesoura de vento ou cortante de vento (windshear, em inglês), esse fenômeno consiste em uma mudança brusca da direção e da velocidade do vento em um curto espaço.

Pode ocorrer no sentido horizontal e no vertical, e é mais preocupante em baixas altitudes perto do pouso. Em algumas situações, chega a "empurrar" o avião em direção ao solo.

Alguns aviões possuem um alarme específico para essa situação, que avisam os tripulantes com um pouco de antecedência. Quando o piloto se depara com essa cortante, costuma-se decidir por arremeter a aeronave por questões de segurança.

Entre 1999 e 2013, foram registrados milhares de ocorrências envolvendo a cortante de vento e aviões nos principais aeroportos do país. O local com mais reportes deste fenômeno foi o aeroporto de Guarulhos, com 1.955 incidências do fenômeno no período.

Boeing 747, um dos maiores aviões do mundo, se mexe com rajadas de vento:

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