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REPORTAGEM

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Por que algumas empresas contratam comissários sem realizar nenhum voo?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

31/10/2021 04h00

Um piloto tem um amplo leque de oportunidades para trabalhar: companhias aéreas, clientes particulares, prestadoras de serviço, aviação agrícola ou, até mesmo, para pilotar um avião próprio. Comissários de voo, por sua vez, só costumam encontrar ocupação em uma companhia aérea.

Ainda assim, algumas companhias acabam contratando centenas de comissários, mesmo sem realizar nenhum voo. Por que isso ocorre?

Fabricantes têm comissários

Comissária - Divulgação/Pixabay/Surprising_Shots - Divulgação/Pixabay/Surprising_Shots
Comissária de bordo
Imagem: Divulgação/Pixabay/Surprising_Shots

Fabricantes de aviões costumam ter comissários para cumprir diversas missões, mesmo não realizando voos regulares. A Embraer, por exemplo, possui uma equipe ampla com profissionais formados em cursos homologados pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e que atuam de maneira um pouco diferente dos colegas que operam na aviação comercial.

Na fabricante brasileira, eles são responsáveis, além da segurança do voo, por garantir uma experiência agradável para os clientes em potencial das aeronaves. No geral, eles atuam na demonstração dos aviões ou participando de feiras aeronáuticas pelo mundo.

Em outras situações, os comissários das fabricantes são responsáveis por desenvolver o programa do serviço a bordo, desde o atendimento aos clientes até como atuar em situações de emergência.

Também podem oferecer consultoria sobre como tornar os aviões melhores para o serviço que irão prestar. E tudo isso sem a necessidade de voar.

Aluguel de aviões

Comissária - Getty Images - Getty Images
Comissária dá instruções de como colocar a máscara de oxigênio em voo
Imagem: Getty Images

Outro tipo de empresa que não necessariamente realiza voos, mas contrata comissários, são as de leasing, que também é chamado de arrendamento mercantil, uma espécie de aluguel.

Mesmo sem realizar nenhum voo, elas cedem esses profissionais para as companhias que precisam de aviões e tripulação, mas eles mantêm o vínculo com a empresa que faz o arrendamento.

Quando o "aluguel" do avião inclui a tripulação (pilotos e comissários de bordo), é chamado de wet lease, e também pode ser feito por uma empresa aérea, que cederá parte de sua frota e funcionários para outra companhia.

Segundo Salmen Chaquip Bukzem, coordenador do curso de ciências aeronáuticas da PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás), isso favorece a expansão mais rápida da aviação.

"Esse tipo de contrato é muito forte no Oriente Médio e na Ásia, devido à franca expansão do mercado na região. No Brasil, é proibido pela legislação nacional, que veta essa relação com os tripulantes", diz o professor.

A companhia australiana Qantas contratou 18 jatos Embraer E190 nessa modalidade para operar voos nas cidades de Adelaide, Canberra, Melbourne, Sidney, entre outras. Todas contarão com tripulação vinculada à empresa Alliance, que realiza leasing no país.

Essa modalidade auxilia empresas que precisam crescer rapidamente e não possuem tempo para contratar e treinar equipes ou aguardar entregas de aeronaves. Assim, é possível começar a voar mais rapidamente.

Terceirização

Existem também empresas especializadas em terceirização, que contratam comissários (e pilotos), mas não têm autorização para realizar voos. Nessa situação, parte da mão de obra fica ociosa, também sem voar, aguardando as flutuações do mercado para ser alocada em uma companhia aérea.

No Brasil, diz Bukzem, a terceirização das tripulações de bordo é proibida. Entretanto, é comum ver empresas de serviços auxiliares ao transporte aéreo, como as que carregam e descarregam as bagagens dos aviões, serem terceirizadas, o que é permitido por lei.

Apenas uma dessas empresas, a norte-americana Flight Services, conta com centenas de comissários de bordo cadastrados para serem disponibilizados para empresas aéreas contratantes sob demanda.

Esse movimento, porém, encontra forte resistência no meio, com vários sindicatos atuando para proibir essa prática ou diminuir a proporção de profissionais contratados dessa maneira nas empresas.

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