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Empreendedores que amam as flores!

Rose Mary Lopes

Colunista do UOL, em São Paulo

13/09/2013 06h00

Elas marcam sua presença de forma sutil e calada. Podem ser efêmeras, mas, embelezam! Sem suas cores, formas e contrastes e as folhagens e outros elementos decorativos que as acompanham, os eventos, festas, reuniões sociais e a decoração dos diversos ambientes perderiam vida.

É um setor já expressivo na nossa economia pois as vendas movimentaram R$ 4,5 bilhões em 2012. Envolvem flores cortadas ou em vaso, plantas verdes e ornamentais, forrações, paisagismo e gramas.

No ano passado o consumo per capita foi de R$ 23. Parece pequeno, mas estávamos em R$ 14 no ano anterior.

Na última década, o crescimento deste setor cresceu de 10 a 15% ao ano contra o crescimento nacional anual de 2 a 5%.

Há mais acesso do consumidor aos produtos, até por conta da entrada dos supermercados que expõem flores e plantas logo na entrada para incentivar a compra por impulso.

Se aumentou a concorrência com as floriculturas, quiosques e garden centers pelos volumes maiores e preços menores, por outro lado ampliou-se enormemente a base de consumidores.

Muitas pessoas das classes sociais mais baixas tiveram acesso e desenvolveram o gostinho de ter flores e plantas em suas casas, nas comemorações ou como presentes.

Entretanto, a demanda ainda é mais associada a presentes ou datas festivas. O uso como decoração doméstica precisa ser mais incentivado.

Constata-se também maior entrada de novas espécies – hoje se tem mais de 350, e oferta de variedades –mais de 3 mil– com ganho de qualidade. Embalagens mais apropriadas, mais velocidade na logística permitiu maior eficiência.

Contudo, há, ainda, muito a melhorar, tanto no acondicionamento, manipulação, como no transporte – caminhões refrigerados ainda não é prática comum.

Do lado da produção é um setor com produtores gigantes como os situados em Holambra, mas também com muitos pequenos, informais, com poucas técnicas no pós-colheita e há falta de mão de obra especializada.

A cadeia de vendas envolve grandes centrais de venda – no país são umas 60 (como o Ceagesp em São Paulo), e empresas atacadistas – umas 600.

Quanto aos pontos de venda se tem uma surpresa: o número caiu de 28 mil para 22 mil (Grande parte destes dados são da Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura). Pode-se arriscar que, por falta de competitividade, mas também por falta de diferenciação.

Empreendedores do varejo de flores podem agregar mais valor pelo cuidado, pelo tipo de arranjo que oferecem, pela criatividade nas combinações de flores, folhagens, bem como os cachepots, vasos, suportes e outros materiais.

O oferecimento de serviços de decoração de ambientes, além de festas e eventos é outra forma de se destacar.

Ou, o uso de flores tropicais. Exemplo: recentemente um arranjo deste tipo de flores se destacou pela criatividade e por utilizar espécies que nunca tinha visto. Verifiquei que a floricultura se especializou em arranjos e decorações com este toque tropical e que sua matriz se localizava em outro estado.

Outra forma de se diferenciar é pela venda online. Há um grupo de floriculturas com reputação de serem as melhores, principalmente nas capitais brasileiras, com rigorosos padrões de qualidade e de atendimento, e que fazem vendas online garantindo, assim, bons resultados.

Para construir sua diferenciação neste setor varejista o empreendedor deve assegurar a escolha de fornecedores, o conhecimento, rastreamento de novidades e de tendências, capacitação da mão de obra, atenção extrema aos detalhes, manuseio cuidadoso, combinações e materiais diferentes.