Bolsas

Câmbio

FMI vê Brasil encolhendo mais em 2016 e estagnado no ano seguinte

Camila Moreira

SÃO PAULO, 12 Abr (Reuters) - O FMI (Fundo Monetário Internacional) voltou a piorar sua projeção de encolhimento da economia do Brasil este ano e alertou que as estimativas estão sujeitas a grandes incertezas, destacando a necessidade de uma política monetária apertada para levar a inflação à meta até 2017.

O FMI calcula que o PIB (Produto Interno Bruto do Brasil) recuará 3,8% em 2016, contra projeção de contração de 3,5% feita em janeiro.

Se confirmado, esse resultado repetiria o desempenho da economia em 2015, que foi o pior desde 1990. Na América Latina, o quadro desenhado pelo Brasil só não é pior do que as quedas de 8% e 4,5% previstas respectivamente para Venezuela e Equador neste ano, ainda segundo os cálculos do FMI. 

No geral, a América do Sul deve encolher 2% neste ano, com a América Latina e Caribe recuando 0,5%.

"A recessão (no Brasil) afeta o emprego e a receita real e as incertezas domésticas continuam pressionando a capacidade do governo de formular e executar políticas", apontou o FMI em seu relatório "Perspectiva Econômica Global" divulgado nesta terça-feira (12).

Projeções para 2017

Para 2017, o organismo considera que muitos dos choques de 2015 e 2016 terão chegado ao fim e a atividade brasileira deve se tornar positiva durante o ano com a ajuda da moeda mais fraca, mas ainda assim o PIB ficará estagnado.

"Essas projeções estão sujeitas a grande incerteza", alertou o FMI, sem dar mais detalhes. O desempenho da economia brasileira ajuda a pressionar as estimativas para o crescimento global, que foram reduzidas respectivamente em 0,2 e 0,1 ponto percentual para 2016 e 2017 em relação a janeiro, para expansão de 3,2% e 3,5%.

A contração esperada pelo FMI para o Brasil em 2016 está em linha com a de economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central, mas o desempenho previsto para 2017 é um pouco mais pessimista, uma vez que a pesquisa aponta crescimento de 0,3% do PIB. 

Para o FMI, o governo brasileiro deveria perseverar com seus esforços de consolidação fiscal para alimentar reviravolta na confiança e nos investimentos.

Medidas tributárias são necessárias no curto prazo já que o escopo para cortar gastos discricionários são seriamente limitados, aponta o FMI, "mas o desafio mais importante é lidar com a rigidez e mandatos insustentáveis do lado dos gastos".

Inflação

No relatório, o FMI ainda projetou inflação ao consumidor no Brasil de 8,7% em 2016 e de 6,1% no ano seguinte, em ambos os casos acima do teto da meta do governo, e afirma que a redução da alta dos preços na direção do centro do objetivo --de 4,5% pelo IPCA-- até 2017 exigirá uma postura de política monetária apertada.

Para o desemprego, a projeção do FMI para este ano é de 9,2%, subindo a 10,2% em 2017. Já o déficit em conta corrente foi estimado em 2% e 1,5% do PIB, respectivamente.

O FMI não mencionou o cenário político do país em seu relatório, em meio ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

(Edição de Patrícia Duarte)

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber as principais notícias do dia de graça pelo Facebook Messenger? Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos