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Robô Curiosity brasileiro é usado para fazer pesquisas em lavouras

André Cabette Fábio

Do UOL, em São Paulo

O Brasil já tem sua versão do robô Curiosity, só que voltada para trabalhos na área rural. Assim como acontece com a máquina criada pela Nasa, a agência espacial americana, um veículo-robô desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem como missão tirar fotos exploratórias e fazer análises do terreno.

A diferença é que, enquanto o Curiosity desvenda Marte, o robô brasileiro faz sondagens em lavouras.

Com 2.700 kg de peso, o "Curiosity brasileiro" é um protótipo que serve para fazer mapeamento e análise das plantações sem que técnicos precisem vistoriar pessoalmente as culturas.

Ele tem o chassi elevado a 1,8 m do solo, o que torna possível se locomover até em plantações altas, como as de milho.

Com motor de 80 cavalos de potência movido a diesel, o robô pode ser controlado a distância por internet ou ter seu trajeto programado previamente pelo computador.

Os trabalhos com a máquina começaram no ano passado, como parte de um programa de R$ 1 milhão custeado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

Hoje, o desenvolvimento do robô está a cargo do Laboratório Nacional de Referência em Agricultura de Precisão, inaugurado pela Embrapa há duas semanas em São Carlos (SP).

Robô usa câmeras e sensor para obter dados das plantações

Câmeras instaladas no robô colhem imagens da plantação. Elas podem mostrar, por exemplo, que a coloração das folhas varia de uma área para outra. Ele também é equipado com sensores como os que são instalados em para-choques de carros, que ajudam a mapear o relevo do terreno.

Com esse tipo de dados nas mãos, os técnicos podem conhecer a área de produção em detalhe, e determinar que cuidados tomar para que ela se desenvolva de maneira uniforme.

De acordo com o coordenador de agricultura de precisão da Embrapa, Ricardo Inamasu, com a utilização do robô, técnicos poderiam fazer esses estudos sem ter que sair de seus escritórios para ir a campo. Isso, segundo ele, pouparia tempo, cortaria custos e ampliaria a prática no país.

"No Brasil, profissionais com instrução elevada que façam esse tipo de análise são muito caros, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos e na Europa. Sem automatização, não conseguiremos obter esses dados por aqui", afirma Inamasu.

O robô foi montado em parceria com a fabricante de máquinas agrícolas Jacto, com sede em Pompeia (SP). As pesquisas com o protótipo são realizadas pelo laboratório da Embrapa em conjunto com a unidade da USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos.

Laboratório de agricultura de precisão custou R$ 7 milhões

O novo laboratório da Embrapa, onde está o robô, foi montado com investimento de R$ 7 milhões do governo federal. Instalado numa fazenda de 5 hectares, com áreas de plantio para os testes, ele ocupa uma construção de 3.000 m², com departamentos de sistemas de informação, eletrônica embarcada e controle mecânico, além de galpão para abrigar grandes máquinas.

O laboratório funciona hoje com 10 pesquisadores, mas a equipe pode ser ampliada ou reduzida de acordo com a necessidade, afirma Inamasu. O espaço poderá ser utilizado por pesquisadores da rede de 21 centros da Embrapa que já trabalham com agricultura de precisão.

Ricardo Inamasu afirma que, na agricultura tradicional, fertilizantes, água, nutrientes e agrotóxicos são aplicados de forma uniforme sobre a terra. Mas um terreno nunca é uniforme.

Para lidar com esse questão é que se começou a pesquisar a agricultura de precisão, que usa o mapeamento das plantações para trabalhar cada pedaço de terra de forma específica.

"Se você trata a plantação de uma forma uniforme, obviamente que em algum ponto coloca insumos [produtos como sementes, adubos, agrotóxicos] demais e em outro, de menos. Com a agricultura de precisão, a produtividade da plantação pode aumentar quatro vezes", diz o coordenador da Embrapa.

Nova unidade da Embrapa também estuda drones

Além da pesquisa com o "Curiosity rural", outra aposta do novo centro da Embrapa é o desenvolvimento de softwares e métodos para se trabalhar com os drones (termo em inglês que significa "zangões") ou vants (veículos aéreos não tripulados).

O laboratório realiza estudos com uma pequena máquina de seis hélices. Pilotado com controle remoto, o vant pode voar a uma altura de 150 metros e fazer vídeos e fotos das plantações.

Os dados podem ser baixados mais tarde de um cartão de memória do aparelho ou transmitidos imediatamente pela internet.

Com as informações, computadores podem formar mapas precisos, usados para analisar as plantações a um custo mais baixo que o tradicional, afirma Inamasu. Hoje, esse tipo de mapeamento é feito em geral por satélite.

Pesquisa vai desenvolver padrão para equipamentos agrícolas

Numa fazenda, um mesmo trator é usado para puxar vários tipos de equipamentos, como plantadores, que jogam as sementes no solo, e pulverizadores, que lançam agrotóxicos e outros produtos na lavoura.

Isso significa que, muitas vezes, na cabine do trator haverá de quatro a cinco monitores ou mostradores diferentes. "Fica parecendo uma cabine de avião", diz Inamasu.

O laboratório de Embrapa em São Carlos, em parceria com fabricantes e outros institutos de pesquisa, está desenvolvendo um conjunto de normas para padronizar os sistemas.

Com isso, será possível ter todo o controle num único mostrador, permitindo que equipamentos e softwares de diferentes empresas conversem uns com os outros.

Segundo Inamasu, as empresas não são obrigadas a seguir normas desse tipo, mas geralmente se adaptam a elas. "Isso inclusive ajudaria as máquinas do Brasil a ganhar mercado internacional", afirma.

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