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Carla Araújo

Bolsonaro ameaça demitir Onyx e estuda usar cargo em disputa na Câmara

Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro em transmissão ao vivo no Facebook - Reprodução/Facebook
Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro em transmissão ao vivo no Facebook Imagem: Reprodução/Facebook
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Antonio Temóteo, do UOL, em Brasília

03/12/2020 15h53Atualizada em 03/12/2020 17h07

Enquanto costura com aliados para que um candidato governista vença a eleição do Congresso em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro avalia cenários para uma provável reforma ministerial e reafirma a proibição de que o governo fale em Renda Brasil ou Renda Cidadã, um programa para substituir o Bolsa Família e tentar contemplar o público que beneficiado pelo auxílio emergencial.

No último dia 29, o presidente evidenciou sua ordem ao repetir que daria "cartão-vermelho" para quem falasse em Renda Brasil. "O que eu falei três meses atrás está valendo. Quem falar em Renda Cidadã, cartão vermelho", disse.

Da primeira vez que ameaçou uma demissão a ordem parecia ser ao ministro Paulo Guedes (Economia), mas na realidade foi ao secretário dele, Waldery Rodrigues, que trabalhava para encontrar uma solução para o fim do auxílio emergencial em dezembro.

Agora, porém, interlocutores do presidente garantem que a ameaça foi direcionada ao ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, que havia prometido publicamente o anúncio do Renda Cidadã para esse mês.

Além do anúncio, a equipe de Onyx vinha trabalhando na modelagem do programa. Conforme mostrou o UOL, a ideia era dar inclusive uma espécie de voucher para creche e prêmios em dinheiro para bons alunos.

Guedes e Bolsonaro, porém, decidiram, pelo menos por enquanto, que o auxílio emergencial acabará em dezembro e que, a partir de janeiro, o Bolsa Família voltará ao modelo anterior.

No Palácio do Planalto, a visão é de que Onyx demorou para entender o recado e por isso o presidente teve que reforçar a ameaça. No ministério da Economia há a certeza de que a nova ameaça foi enviada ao Ministério da Cidadania.

"Esse cartão ai agora não foi para nós", disse o ministro a membros de sua equipe.

Aliado leal

Bolsonaro sempre deixou claro que Onyx conta com sua gratidão e que vê seu ministro como um aliado leal. Onyx, que é do DEM, embarcou na campanha de Bolsonaro ainda quando as chances de o presidente ser eleito eram consideradas remotas.

Apesar disso, o fraco desempenho de Onyx à frente da Casa Civil - tido como um dos ministérios mais importantes - obrigou Bolsonaro a tirar o aliado do Palácio do Planalto.

Foi quando, em fevereiro do ano passado, ele acabou sendo contemplado com o ministério da Cidadania, pasta que cuida de políticas sociais como o Bolsa Família.

Fontes do governo consideram quase imperativo que haja alguma readequação nos quadros ministeriais no início de 2021 e afirmam que é natural que se faça algum tipo de ajuste na equipe no começo de um novo ano.

As mudanças mais apontadas atualmente seriam a transferência de Ricardo Salles do Meio Ambiente para o Turismo e uma substituição de Ernesto Araújo, no Ministério das Relações Exteriores.

Ajustes eleitorais

Se o cargo de Onyx realmente entrar na cesta, a pasta possivelmente será usada para negociações em torno da sucessão da Câmara. O Planalto trabalha para tentar derrubar o candidato de Rodrigo Maia, ou ele mesmo caso ele consiga uma brecha na Constituição para concorrer novamente.

Hoje, nos bastidores, o governo trabalha pela candidatura do deputado Artur Lira (PP-AL). Publicamente, porém, Bolsonaro ainda tem evitado se envolver na sucessão da Câmara.

Isso porque, além da experiência malsucedida do presidente como cabo eleitoral nas eleições municipais, Lira possui o que aliados do presidente apontam como "teto de vidro". Ele é réu acusado de corrupção passiva no processo em que é investigado por receber R$ 106 mil em propina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.