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O lado ruim de investir pouco dinheiro

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

28/04/2020 04h00

É melhor investir um pouquinho sempre? Ou juntar mais dinheiro para investir tudo de uma vez?

Para investir no Tesouro Direto bastam R$ 30! Investir em LCA e LCI não paga Imposto de Renda e com R$ 100 já dá para começar... Há muita aplicação acessível. Mas ninguém te conta quais são as desvantagens de cada uma delas.

Tesouro Direto

Começando pelo Tesouro Direto, o queridinho dos investidores. Adoramos os títulos do Tesouro Direto, mas com a queda da taxa básica de juros, a rentabilidade também está bem pequenininha.

Além disso, o Tesouro Direto apresenta uma desvantagem que pouca gente te conta: a taxa de custódia.

Hoje em dia, muita corretora não cobra a taxa de corretagem do Tesouro, mas não é possível fugir da taxa de custódia cobrada pela Bolsa.

É uma taxa que a B3 cobra para guardar nossos títulos, e custa 0,25% ao ano.

É pouco? Sim, é uma taxa acessível. Mas em tempos de rentabilidade pequena, todo custo faz diferença.

Há fundos DI com liquidez diária, os quais permitem saque em qualquer momento, que não cobram taxa de administração. Se esse fundo tiver rendimento de 100% do CDI, semelhante ao Tesouro Selic, levam uma pequena vantagem em termos de rentabilidade sobre o Tesouro Selic.

Fundos de renda fixa e Fundos DI

Falando de fundos, a dica já é bem conhecida: fuja da taxa de administração.

Esse é o principal custo dos fundos. Mas ainda se encontra fundos conservadores cobrando 3% ou 4% ao ano de taxa de administração.

Uma taxa de administração alta desse jeito não tem cabimento. Ainda mais com a Selic baixa como está.

Em geral, é melhor escolher fundos sem taxa ou com taxa amigável.

Já há alguns fundos passivos, de estratégia conservadora, que deixaram de cobrar taxa de administração.

Ações

Com várias corretoras digitais, e suas plataformas de home broker, comprar ações ficou mais acessível.

Com menos de R$ 100 é possível começar a investir em ações.

O que pouca gente fala para o investidor iniciante é que a taxa de corretagem às vezes pode comer toda sua rentabilidade.

Se você comprou uma ação de R$ 100, e te cobram R$ 15 de corretagem, significa que a ação teria de subir 15% só para cobrir esse custo.

Fique atento a esse custo na hora de escolher uma corretora.

Há algumas corretoras que baixaram as taxas de corretagem ou mesmo deixaram de cobrar por isso. É verdade que há reclamações como lentidão na plataforma dessas corretoras, mas, para o pequeno investidor, que não irá comprar e vender ações a todo minuto, isso fará pouca diferença. Mas a diferença de custos, essa sim tem impacto na sua rentabilidade.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários se tornaram um dos mais recentes queridinhos do brasileiro, que gosta de imóvel.

Os FIIs, como são conhecidos, são acessíveis para investir no mercado imobiliário sem precisar comprar um imóvel.

Porém, há "fundos e fundos".

Uma desvantagem dos fundos imobiliários é a liquidez.

Nem todo fundo é muito negociado assim na Bolsa.

Dependendo do FII, você vai terá que desvalorizar sua cota para conseguir vendê-la.

Ficar ligado na quantidade de negócios diários de cada fundo imobiliário é a dica para escolher o seu FII. É uma informação simples de ser encontrada no site da B3.

LCIs, LCAs e CDBs

Os títulos privados vendidos pelos bancos, LCIs, LCAs e CDBs, ficaram mais acessíveis já que nos últimos anos, o investimento mínimo inicial caiu bastante.

As LCIs e LCAs contam com a vantagem de não ter cobrança de Imposto de Renda sobre a rentabilidade.

A desvantagem, porém, é que se o investimento for pequeno, esses títulos também terão rentabilidade pequena, abaixo do CDI, indicador que segue de perto a taxa básica de juros, a Selic.

No caso de CDBs de bancos médios, cujas rentabilidades costuma ser mais interessantes, o período de carência (tempo mínimo exigido para poder resgatar o investimento) é mais longo.

Quando começar a investir?

Até parece que estamos "pistola" com os investimentos de renda fixa, não é? Não é esse o caso.

Investir pouco dinheiro vale muito a pena!

Se ficar esperando juntar bastante dinheiro, correrá um grande risco de cair em tentação de gastar o dinheiro antes de investir. O dia de investir uma bolada pode nunca chegar!

Além disso, perderá toda a rentabilidade do período não investido, bem como tem o poder de compra corroído pela inflação.

Assim, fique atento às desvantagens de cada investimento para alinhar suas aplicações aos seus objetivos, bem como aos prazos de cada aplicação.

Quanto você investe a cada vez? Conte aqui nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.