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4 dicas para formar a reserva de emergência

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

10/05/2022 04h00

Muitas pessoas querem juntar dinheiro, mas não conseguem começar. A coluna traz quatro dicas do que você pode fazer para juntar dinheiro mais rápido.

Sempre falamos aqui na coluna que o primeiro passo no mundo dos investimentos é montar a reserva de emergência, o dinheiro que você vai usar quando pintar um imprevisto, seja ele bom (como ser padrinho de um casamento) ou ruim (como bater o carro).

O problema é que muita gente não consegue nem juntar essa primeira reserva. Se é o seu caso, anote as quatro dicas abaixo.

Comece com pouco

Pode parecer estranho, mas comece a investir a grana que você conseguir no momento. Pode ser R$ 100, R$ 50 ou R$ 10. O importante é começar.

Começar com pouco é melhor do que ficar adiando essa decisão. Sabe aquele amigo que fica esperando ganhar melhor, conseguir um novo emprego, comprar alguma coisa para só então juntar dinheiro? Você não vai ser como ele.

Se ficar esperando muito para investir, vai ter de fazer um esforço maior lá na frente.

Vamos supor que você ganhe R$ 5 mil, mas gaste R$ 4 mil todo mês. A primeira regrinha da reserva de emergência fala que o ideal é juntar um valor de aproximadamente seis meses de gastos. Traduzindo, como você gasta R$ 4 mil por mês, a reserva ideal seria de R$ 24 mil. Vale lembrar que essa conta é muito individual.

Ao aplicar R$ 1 mil em 22 meses consegue chegar à quantia, ou seja, em pouco menos de 2 anos. Se está com 30 anos, por exemplo, aos 32 já estaria com a reserva formada. Mostramos o cálculo no vídeo acima.

Vamos entender agora o efeito de ficar adiando muito seu plano. Vamos supor que você não começou a investir agora porque ficou à espera de uma promoção e ela veio depois de um ano. Você passou a ganhar R$ 6 mil.

Só que em um ano seus gastos também aumentaram. Considerando a inflação média de 6% ao ano, agora você não gasta mais R$ 4 mil, mas R$ 4240. Se aumentou o gasto mensal, a reserva também vai precisar ser maior: R$ 25.440 vai ser a sua meta.

Como se passou um ano, agora você já está com 31 anos. A diferença entre seu ganho e seus gastos fica em R$ 1760. Aplicando o valor todo mês, você não conseguiria chegar à reserva até os 32 anos porque ficou um ano sem investir esperando o salário aumentar.

Para correr atrás do prejuízo há duas opções: alongar o prazo para 14 meses, e aí você chegaria à sua meta de reserva, ou aumentar o valor investido por mês pra R$ 2050. Teria de economizar R$ 300 a mais do que tem economizado hoje.

Investimento automático

Além de juntar dinheiro, a segunda dificuldade que muitas pessoas têm é investir o mesmo valor por tanto tempo. Uma solução é ir para investimentos automáticos. Hoje em dia é possível você agendar uma transferência automática do seu banco para uma conta digital ou mesmo programar investimentos no site do Tesouro Direto.

O único cuidado aqui é não ficar preguiçoso. Tem muito investidor que se acomoda e mesmo depois de ter formado a reserva continua investindo na mesma opção de maneira automática. Já nem se lembra qual é o investimento e quanto ele está rendendo.

Automatizar é algo para facilitar esse investimento que já tem um destino certo, mas não tira a sua tarefa de acompanhar a aplicação e depois começar a diversificá-la.

Não foque só na reserva

Já que estamos falando de investir por muito tempo, vale lembrar que o dinheiro da reserva não tem um destino certo. Em outras palavras, não sabemos quando e como iremos usá-lo.

É a combinação perfeita para dar errado: investir por anos sem nem saber o objetivo disso. Por isso, muitas pessoas desanimam. A boa notícia é que você não precisa focar só na reserva.

Em geral, quando falamos de algo mais concreto, como fazer uma viagem, comprar a casa dos sonhos, trocar de carro ou mudar de cidade ou país, ficamos animados.

Você não precisa estar com a sua reserva completa de seis meses de gastos para começar a pensar em objetivos que te empolguem nos investimentos. Se você é programador, por exemplo, sabe que na área de tecnologia há muitas vagas de emprego. Se ficar desempregado, rapidamente consegue se recolocar.

Talvez se sinta confortável de ter uma reserva de só três meses. Para esse objetivo, precisaria investir bem menos tempo. Usando nosso primeiro exemplo de ganhos e gastos, três meses de reserva seriam equivalentes a R$ 12 mil. Em um ano, conseguiria juntar esse valor. Na verdade, até passaria um pouquinho.

Em números, dos R$ 1 mil que sobram no mês, você poderia colocar metade na reserva e metade em um plano concreto que te anime, como uma viagem.

Renda extra

Às vezes, só ter disciplina não adianta porque simplesmente você ganha pouco. As finanças saudáveis se resumem a um tripé: gastar pouco, ganhar muito e investir melhor.

Muitas vezes focamos no investimento e nos gastos, mas nos esquecemos da renda.

Pense em uma maneira de obter uma renda extra, seja um bico de fim de semana ou tendo um segundo emprego regular.

FGTS

Trabalhadores com contas ativas e inativas podem solicitar o resgate emergencial de R$ 1 mil do Fundo Garantidor de Tempo de Serviço (FGTS). Pode ser um bom começo para iniciar sua reserva.

Abaixo, explicamos algumas opções de investimento e o que fazer com o dinheiro.

Assista ao vídeo e não se esqueça da novidade: o Econoweek está concorrendo ao prêmio iBest na categoria Investimentos. Se achar nossos conteúdos bacanas, pode contribuir com seu voto.