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Pode estar surgindo uma bolha na Bolsa de Valores. O que fazer se estourar?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

16/06/2020 04h00

As ações já subiram muito desde o pior momento da Bolsa brasileira. Enquanto isso, na economia real, houve aumento de 30% dos pedidos de falência de empresas, com 600 mil empresas fechando as portas e mais de 9 milhões de funcionários demitidos. Será que está se formando uma bolha na Bolsa e ela vai estourar em algum momento?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia e, agora, vou contar o que realmente está acontecendo e onde investir para aproveitar essa recuperação sem se expor tanto ao risco de tudo voltar cair outra vez caso essa bolha estoure.

Por que as Bolsas vão bem?

Desde o pior momento dessa crise, as principais Bolsas de Valores do mundo já recuperaram quase tudo o que perderam, animadas com a reabertura do comércio nas principais economias e com a esperança de que o problema do coronavírus comece a ser superado.

Então quer dizer que todo mundo que perdeu o emprego já arrumou outro? Ou que todas as pequenas e médias empresas, que não venderam quase nada durante a quarentena e tiveram que demitir os funcionários porque não conseguiram acesso ao crédito, já recuperaram o tempo perdido, fizeram todas as vendas não feitas durante o tempo fechado e voltaram a contratar os ex-funcionários?

Não é bem por aí!

Enquanto vemos toda essa euforia do mercado financeiro, com a Bolsa subindo com rapidez, apesar de altas e baixas normais no meio do caminho, a economia real ainda está sofrendo os efeitos dessa crise. E, por isso, tenho uma pergunta: será que está se formando uma bolha no mercado financeiro?

Em 2019, eu já havia explicado como se preparar para a crise de 2020. Pouca gente deu ouvidos, mas ela veio.

Pelo bem ou pelo mal, eu já tenho uma estratégia de investimentos traçada caso o pior volte a acontecer.

Não vou ficar de fora das ações e nem da renda fixa, mas tenho uma estratégia defensiva que inclui ativos de renda fixa que rendem mais de 10% ao ano, como alguns CDBs de menor liquidez, CCBs com garantias, e outros exemplos que mostrarei após a discussão se há uma bolha prestes a estourar ou não.

Por que as Bolsas estão subindo tanto?

Os motivos para o otimismo basicamente são:

1. Em primeiro lugar, quando começaram as primeiras notícias do coronavírus e as primeiras empresas começaram a fechar, com cidades entrando em quarentena, tudo era muito novo e ninguém sabia direito o que vinha pela frente.

Com a sensação de medo e aversão ao risco, as Bolsas começaram a despencar, com circuit breaker atrás de circuit breaker, e os investidores ao redor do mundo buscaram investimentos mais seguros.

Como o Brasil é considerado uma economia emergente e, portanto, mais arriscada, os dólares dos investidores foram embora daqui em busca de investimentos menos arriscados, como títulos do Governo americano, equivalente ao nosso Tesouro Direto. Mesmo os investidores brasileiros buscaram mais segurança dentro do Brasil e tiraram seu dinheiro da Bolsa, buscando refúgio na renda fixa.

É exatamente isso que fez a Bolsa cair e o dólar disparar recentemente.

Agora, o sentimento de aversão ao risco está diminuindo no mundo, de modo que investidores estrangeiros que fugiram do Brasil em busca que ativos mais seguros, começam a retornar de olho em maiores retornos, ao mesmo tempo que os brasileiros também estão voltando a investir mais na Bolsa.

2. Mas você se lembra que os governos e bancos centrais ao redor do mundo botaram um monte de dinheiro na economia para evitar que a crise fosse mais profunda?

Aqui no Brasil, houve cortes na Selic: a taxa básica de juros caiu para o menor nível da história. E teve também o pagamento de auxílio emergencial para trabalhadores informais, além de crédito subsidiado para os micros e pequenos empresários, redução de compulsórios, entre outras medidas.

Mas nem toda essa liquidez, como é chamado o excesso de dinheiro injetado na economia, encontrou seu destino final, que ficou parado no sistema financeiro. Agora com a volta do otimismo e a queda da aversão ao risco, essa nova tendência de buscar investimentos mais arriscados e mais rentáveis é intensificada pela alta liquidez global recente.

Esse é um dos principais fatores que faz a Bolsa subir com força.

Está tudo mil maravilhas?

Em primeiro lugar, não podemos perder de vista que o coronavírus ainda não foi erradicado do mundo, ainda não há uma vacina e, por mais que alguns países conseguiram controlar a transmissão, em outros lugares, a situação ainda é de total descontrole.

Você conhece algum país assim?

Quando falamos de um vírus altamente contagioso, não adianta a situação estar controlada em um lugar, se seu vizinho ainda está doente. A chance de uma nova onda de infecção não pode ser ignorada, mesmo que possa parecer que não é um grande risco no momento.

Em segundo lugar, e talvez o mais importante, o excesso de liquidez global pode estar deixando os investidores bêbados de otimismo diante da oportunidade de recuperarem todo o dinheiro perdido nessa crise.

Bolsa pode guiar recuperação da economia real?

O novo fator que anima investidores para uma forte recuperação da economia é a expectativa de haver várias rodadas de IPOs (quando empresas abrem capital na Bolsa, lançando ações de uma companhia até então não disponíveis para os investidores) justamente para aproveitar essa imensa liquidez, abundância de dinheiro e investidores buscando rendimentos mais atraentes.

Esse movimento, se ocorrer, ainda vai encontrar a seu favor um cenário de juros baixíssimos, que gera mais incentivo para o investidor não ser muito conservador e migrar da renda fixa (como o Tesouro Direto ou CDBs) para as ações da Bolsa.

Teoricamente, IPOs têm o potencial de fazer o fluxo de dinheiro migrar dos investidores para empresas que ainda não podiam contar com esses recursos. Por sua vez, elas poderiam reestruturar todas suas finanças e continuar gerando emprego, fazendo a economia girar, o que não aconteceria sem acesso a esse "financiamento" via emissão de ações.

Por outro lado, a empresa que emitiu novas ações na Bolsa, também poderia provisionar todo esse dinheiro para enfrentar o período difícil que passamos, sem, necessariamente, contribuir para o reaquecimento da economia real e para a queda do desemprego. É um risco.

É uma bolha?

Mesmo no melhor cenário, será que essas poucas empresas que podem lançar ações na Bolsa vão gerar todo esse efeito positivo para as inúmeras empresas que não estão na Bolsa?

De acordo com o Sebrae, há mais de 19 milhões de empresas no Brasil. Enquanto na B3 há ações de apenas 421 empresas na Bolsa.

Não estou tão confiante de que se mais algumas empresas lançarem ações na Bolsa, o Brasil vai começar a melhorar e todos os problemas vão se resolver no mesmo ritmo que a Bolsa está se recuperando.

Segundo o levantamento do Sebrae, mais de 600 mil empresas fecharam as portas e pelo menos 9 milhões de funcionários foram demitidos.

1/3 dos empresários tiveram que buscar empréstimos para passar por esse período, sendo que 30% ainda não teve resposta do banco e mais da metade teve o pedido negado. Essa pesquisa é de abril de 2020. De lá para cá, a dificuldade aumentou.

Os pedidos de falência aumentaram 30% só em maio, enquanto os pedidos de recuperações judiciais das empresas subiram 68%, de acordo com a BoaVista.

O Governo até anunciou R$ 40 bilhões em crédito subsidiado para ajudar os pequenos e médios empresários. Mas é tanta burocracia e falta de garantias do governo, que desse R$ 40 bilhões, apenas R$ 4 bilhões foram emprestados, segundo a Febraban.

E as empresas continuam quebrando, principalmente as pequenas e médias, que são as que mais geram empregos no Brasil.

Apesar do bom humor nas Bolsas, não podemos esquecer que, na economia real, empresas passam por dificuldades, pessoas perderam seus empregos e o PIB do Brasil deve encolher nesse ano. A recuperação da Bolsa pode alimentar a recuperação da economia real, mas se isso não acontecer e o descompasso ficar muito grande, ficará evidente que toda essa euforia foi só uma bolha e as Bolsas serão corrigidas mais para frente, com nova rodada de quedas.

Então, fica de olho nisso!

Onde investir?

Mesmo assim, eu não vou deixar todo o meu dinheiro no Tesouro Selic, que está rendendo pouco, mas também não vou investir todo o meu dinheiro em ações. O que eu vou fazer, afinal?

Eu também quero aproveitar essa rodada de recuperação da Bolsa. Afinal, meus investimentos também caíram nessa crise. Mas vou escolher muito bem as ações que vou investir.

Aliás, fizemos um vídeo mostrando as ações da Bolsa "imunes" ao coronavírus e outro mostrando quais são as ações defensivas da Bolsa, além de termos uma playlist no YouTube só de dicas de investimentos, passando por fundos imobiliários e várias outras coisas. Já é um bom começo para você decidir em quais ações vai investir. Está tudo no canal Econoweek no YouTube.

Também não vou deixar de investir na renda fixa, principalmente para a minha reserva de segurança, que precisa ter liquidez diária.

É fato que títulos como o Tesouro Selic, apesar de servirem muito bem para a reserva de segurança, deixam a desejar quando se fala em rendimento.

Mas a renda fixa não para por aí! Há vários investimentos de renda fixa privada, com menor liquidez, que só deixa você sacar seu dinheiro mais para frente, com rendimentos acima de 10% ao ano.

Se for um CDB nessas condições, ele é garantido pelo FGC para investimentos de até R$ 250 mil e, se não precisar do dinheiro para tão já, é uma boa maneira de aumentar sua rentabilidade e diminuir a exposição à possibilidade de nova queda nas ações se o que está se formando é uma bolha.

Para encontrar os títulos com os melhores retornos, o Yubb é um aplicativo que te mostra todas as opções de investimentos, disponíveis em todas as corretoras, depois que você informar quanto quer investir e por quanto tempo.

Quer investir R$ 1.000 por 12 meses? O app elenca todas as opções de ações, fundos de investimentos e títulos de renda fixa, desde o Tesouro Direto aos privados, como CDBs e debêntures, informando o tamanho do risco, o retorno esperado e outras informações.

Além disso, há investimentos de renda fixa alternativos, tais como:

  • CCBs da MatchMoney, com selo de segurança da ABFintechs e rendimentos de mais de 400% do CDI. Eles disponibilizam empréstimos às empresas com juros mais baixos, que deixam um imóvel como garantia (o que permitiu que eles tenham inadimplência zero), enquanto é possível investir em renda fixa com essa segurança, aumentando a rentabilidade da carteira, sem estar tão exposto à possibilidade de nova queda da Bolsa;
  • A CapRate e a Glebba, duas plataformas que permitem escolher em qual empreendimento imobiliário investir com a partir de R$ 1.000, que é muito menor que a entrada de qualquer financiamento, e oferecem retornos superiores à renda fixa;
  • A Nexoos faz o papel de intermediadora entre pessoas dispostas a investir e empresas que querem esse investimento. Além da intermediação em uma plataforma digital, também avaliam o risco de cada empresa para que o retorno do investimento esteja alinhado ao risco.

Mudando de assunto

Em um de nossos vídeos no YouTube, a Kellen pediu para eu explicar com mais detalhes como é feita a análise fundamentalista de ações. Kellen, a análise fundamentalista é feita analisando um conjunto de indicadores da empresa que você quer investir comprando ações, com foco em investimentos de longo prazo, já que o objetivo é se tornar sócio dela e receber a distribuição de lucros períodos.

Como é muita coisa para analisar, eu comecei analisando o Preço por valor patrimonial, que é um dos principais indicadores e vou começar a fazer uma série de vídeos no YouTube explicando todos os outros indicadores da análise fundamentalista de ações.

No vídeo que mostrei as habilidades necessárias para as vagas do mercado financeiro, o Charles fez uma pergunta muito recorrente: "qual é o salário de um recém-formado em economia?"

Charles, na cidade de São Paulo, o salário de um economista júnior costuma ser de R$ 3.500 ou R$ 4 mil. Mas esse salário varia de empresa para empresa e, principalmente, de uma região para outro.

Os salários na cidade de São Paulo costumam ser mais altos que no restante do Brasil, para todas as profissões, já que o custo de vida também é mais alto na cidade, dando uma "equilibrada no jogo".

Eu fiz um vídeo no YouTube chamado Guia profissão economista, no qual conto todos os detalhes dessa carreira, além de termos uma playlist de vídeos no canal Econoweek dedicada a explicar tudo da faculdade e mercado de trabalho dos economistas e de outras áreas, como Administração, Contabilidade e cursos irmãos.

Qual outro conteúdo gostaria de ver por aqui? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

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