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O que é a Guerra Fria 2.0 entre China e Estados Unidos?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

23/07/2020 18h20

Os Estados Unidos mandaram a China fechar um consulado em Houston, território americano, dizendo que essa é uma forma de "proteger a propriedade intelectual norte-americana e as informações privadas", uma acusação quase direta de ciberataques e roubo de informações de empresas e população americanas.

Em resposta, a China, quando se pronunciou sobre o fechamento de seu consulado em território americano, disse que os EUA estão prestes a romperem as relações, e deve haver retaliações caso Trump não volte atrás.

O noticiário aponta para a possibilidade de o gigante asiático mandar fechar consulados americanos nas cidades de Chengdu e Wuhan e até mandar reduzir o pessoal no consulado estratégico de Hong Kong.

Onde essa guerra vai chegar?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir o que é a Guerra Fria 2.0, quais são os interesses por trás, onde isso vai parar e quais são os impactos para os investimentos.

O que é a Guerra Fria 2.0?

Essa crescente tensão entre as duas superpotências tem sido chamada de Guerra Fria 2.0.

A Guerra Fria "original" ocorreu após a fim da 2ª Guerra Mundial e teve fim com a dissolução da União Soviética. Ela leva o nome por não ter havido conflito armado entre as duas potências da época, que disputavam a hegemonia global e influência sobre outros países: de um lado estava a União Soviética, de outro os Estados Unidos.

Apesar de "fria", a guerra era uma disputa constante de poderio bélico, com exibição de capacidade de destruição, inclusive com armas nucleares.

A disputa atual não tem a característica de iminência de um conflito armado. Afinal, a maioria dos países já percebeu ao longo da história que isso não é benéfico para ninguém.

A Guerra Fria 2.0 envolve uma disputa de poder econômico, com tentativas de dificultar a evolução do oponente também no desenvolvimento de novas tecnologias e inteligência artificial.

Onde isso vai parar?

É difícil afirmar até onde vai essa Guerra Fria 2.0.

O governo chinês sabe que em países democráticos há alternância de poder, com novos presidentes de tempos em tempos. De modo que as relações podem voltar a melhorar com um novo presidente ou até antes disso.

Mesmo assim, parece improvável que a China não dê uma resposta à altura com a crescente tensão entre os países, que já envolveu aumento de impostos sobre produtos importados e outras restrições, mesmo que possa relativizar a situação.

O que alguns especialistas apontam como principal motivação da escalada dessa briga seria a corrida eleitoral para a presidência americana no final desse ano.

Apesar de essa tensão ter se iniciado antes da crise de saúde pública global que vivemos, a atuação de Trump para lidar com isso tem sido muito mal avaliada, fazendo com que perca popularidade.

As pesquisas de intenção de voto mostram que Trump vem perdendo intenções de voto e, possivelmente, se as eleições fossem hoje, ele perderia para o ex-vice presidente de Obama, Joe Biden, que seria o novo presidente a partir de 2021.

Dessa maneira, analistas políticos apontam que a tensão deve permanecer pelo menos até o fim das eleições, fazendo parte da estratégia de Trump de arrumar um culpado para a crise e se eximir da responsabilidade que parece pesar sobre sua popularidade.

Apesar de as Bolsas estarem se recuperando, mesmo que a economia real ainda apresente um certo descompasso em relação a isso, com certeza guerras comerciais como essa desfavorecem os investidores, uma vez que poderia haver mais negócios caso os interesses políticos fossem deixados um pouco de lado.

Qual é sua opinião sobre isso? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

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