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Por que as ações da Oi subiram tanto?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

29/07/2020 18h20

As ações da Oi estiveram cotadas na casa dos R$ 0,50 há poucos meses. Hoje, parece que o jogo está virando e o preço de cada ação já subiu para ao redor de R$ 2,00.

O que justificou essa valorização foi o interesse repentino de outras empresas querendo comprar alguns segmentos de atuação da Oi, o que há poucos dias parecia um sonho para a solução dos problemas da companhia.

Você sabe o que aconteceu para tudo mudar? E será que as coisas mudaram mesmo ou é só "fogo de palha"?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir o que está acontecendo para as ações da Oi subirem tanto e quais são as perspectivas para esse investimento.

Todo mundo que é interessado em investir na Oi sabe que ela passa por sérias dificuldades financeiras que justificaram uma enorme queda do preço de suas ações, que já chegaram a ser negociadas acima dos R$ 100.

Se quiser saber mais sobre a história e os problemas da Oi que causaram essa enorme desvalorização, já falamos sobre isso em um conteúdo informativo que ajudou muita gente a tomar a decisão de investir ou não em suas ações.

Por que as ações subiram tanto?

Atualmente, a Oi está em processo de recuperação judicial para arrumar a casa e tentar evitar a falência, justamente porque perdeu a capacidade de pagar suas dívidas e, nesse processo, tem a oportunidade de reorganizar seus negócios, renegociar dívidas e reorganizar as operações.

A maior esperança de salvação para quem tem essas ações na carteira seria a venda da Oi, mesmo que apenas parte dela, para concorrentes ou empresas interessadas. Aqui, o segmento móvel é seu principal ativo, que está despertando muito interesse.

Depois de a empresa americana Highline ter feito uma oferta pela operação de telefonia móvel da Oi, o grupo formado por Claro, Vivo e TIM, conjuntamente, elevaram sua proposta de R$ 15 bilhões para R$ 16,5 bilhões pelo mesmo segmento. E há expectativa de que a guerra de maiores ofertas, ao melhor estilo "leilão", continue.

Isso animou os investidores e foi a principal justificativa pela alta de preço das ações da Oi nos últimos dias.

O que esperar daqui para frente?

O segmento de telefonia móvel antecede outra disputa que tem potencial para ser ainda maior: o segmento de internet de fibra ótica da Oi, cujos concorrentes podem ser as mesmas empresas da disputa atual.

Se os planos de reestruturação de negócios da Oi der certo, ela deve sair do setor de telefonia móvel e focar em serviços de infraestrutura e internet de fibra ótica para famílias e empresas.

Vale a pena investir na Oi?

Mesmo que tudo der certo para a Oi, isso não deve acontecer tão rápido, mas há potencial para as ações continuarem valorizando.

Por outro lado, a companhia precisa arrumar muita coisa e "fazer a lição de casa" para que a valorização seja justificada.

Na lista de coisas a fazer estão:

  • Resolver o problema de endividamento com fortes reduções de custos;
  • Se livrar de negócios que acumulou ao longo de sua história que dão prejuízos;
  • E, principalmente, passar a contar com uma equipe de gestão eficiente, já que a Oi ainda tem um histórico de governança corporativa ruim, que refletiu em boa parte da queda do preço de suas ações ao longo dos anos.

Na filosofia de investimentos do Econoweek, de longo prazo, priorizando empresas saudáveis, com capacidade de gerar caixa e distribuir dividendos, a Oi ainda é uma aposta arriscada, ainda que a solução tenha começado a ser desenhada.

Essa não é uma recomendação para investir ou deixar de investir. Cada um deve adequar seus investimentos ao seu momento e seu perfil de risco.

Qual é sua opinião sobre isso? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

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