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Nota de R$ 200 causa confusão. Economista afirma: ela não causará inflação

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

30/07/2020 18h23

Foi anunciado o lançamento da nova nota de R$ 200, que ocorrerá em agosto, e está havendo um burburinho disseminado até por alguns influenciadores de finanças mais desavisados. Será que a nova nota de R$ 200 vai causar inflação?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir os mitos e verdades da nova nota de R$ 200 e te contar se isso vai ou não causar o aumento de preços das coisas e prejudicar o brasileiro.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento da cédula de R$ 200,00 (duzentos reais), que terá como personagem o lobo-guará. A nova cédula deverá entrar em circulação a partir do final de agosto. A previsão é que sejam impressas 450 milhões de cédulas de R$ 200,00 em 2020, o que equivale a R$ 90 bilhões, em termos financeiros.

Por enquanto, não houve divulgação da imagem da nova nota de R$ 200 por motivos de segurança.

Paralelamente, também serão impressas 170 milhões de cédulas de R$ 100 ao custo final de R$ 113,4 milhões para todas essas impressões.

Qual é o motivo da nota de R$ 200?

Desde o começo dessa crise de saúde pública, o Banco Central do Brasil, bem como bancos centrais de vários países, notaram o chamado "fenômeno de entesouramento", quando as pessoas tendem a sacar e guardar o dinheiro, comportamento típico em tempos de incerteza, já que o dinheiro é uma reserva de valor que causa o efeito de segurança e estabilidade.

Quais são as possíveis causas de maior entesouramento no Brasil, segundo o Banco Central:

  • Saques para formação de reservas;
  • Diminuição do volume de compras no comércio em geral, de modo que o dinheiro não volta para o sistema bancário com a velocidade de tempos normais;
  • Valores pagos em espécie aos beneficiários dos auxílios não retornaram ao sistema bancário com a velocidade esperada.

Assim, houve necessidade de aumento da impressão de mais dinheiro.

Sempre há impressão de mais dinheiro, mesmo em tempos de economia saudável, já que há necessidade de reposição de notas velhas, bem como para acompanhar o crescimento da economia e/ou a maior demanda por ativos circulantes (moeda física e papel-moeda, em oposição aos pagamentos digitais, com o cartão, por exemplo).

Segundo o Banco Central, esse projeto de lançamento da nota de R$ 200 já estava pronto e apenas aguardava o momento oportuno para o lançamento. Sendo assim, a nova cédula de R$ 200 também cumprirá o propósito de redução de custos de impressão e distribuição de notas de dinheiro. Afinal, não há muita diferença entre imprimir uma nota de R$ 20, R$ 100 ou de R$ 200.

Embora o Banco Central falou que não há falta de notas de dinheiro em circulação, há relatos de agências bancárias com dificuldades de pagamentos de auxílios emergenciais de R$ 600 por quantidade insuficiente de papel-moeda nas agências, o que também pode ter sido causado por problemas de logística.

Haverá inflação e desvalorização do Real?

Não. Segundo o Banco Central, o Brasil é um país que segue o regime de metas de inflação, onde há a necessidade de que a alta de preços permaneça ao redor de objetivos pré-estabelecidos. Além disso, a inflação atual é baixa, estável e as projeções dos principais economistas apontam para que continuem assim.

A impressão de novas cédulas de R$ 100 e R$ 200 é apenas o Banco Central agindo preventivamente para o caso de a população continuar demandando mais papel-moeda, como passou a demandar nos últimos meses.

Além disso, a impressão de novas notas não significa doação de dinheiro para a população, que poderia ter capacidade de gerar mais inflação. Antes dessa novidade, aí sim, houve doação de dinheiro em forma de auxílio emergencial de R$ 600 para a população que mais necessitava, que foi uma medida acertada para evitar que a crise fosse ainda pior.

De todo modo, como a economia está fraca no Brasil e no mundo por conta das medidas de distanciamento social e reflexos da crise de saúde pública global, não há expectativa de que essa expansão monetária (anterior à impressão de novas notas) causará inflação, pois não deverá haver aumento de demanda por novas compras em nível superior ao período anterior à crise.

Aliás, ao redor do mundo, a preocupação atual tenderia a estar mais próxima de uma inflação mais baixa do que o habitual, do que mais alta, justamente por conta da crise e do enfraquecimento da demanda.

Vale lembrar que, há alguns anos, já houve lançamento de cédulas de R$ 2,00 e de R$ 20,00 e isso não foi motivo causador de inflação. Também já houve extinção da cédula de R$ 1,00 e isso não foi motivo para que os preços das coisas caíssem, que seria a deflação, ou inflação negativa.

Então, pode ficar despreocupado, pois a nova nota de R$ 200 não causará aumento de preços das coisas que compramos e não prejudicará o brasileiro, como alguns estão equivocadamente propagando, mesmo que se declarem influenciadores de finanças.

Se você conhece alguém que está preocupado com isso, mande esse conteúdo para deixá-lo mais calmo.

Qual é sua opinião sobre isso? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

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