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Carteira de investimentos diversificada se sai 36 vezes melhor nas crises

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

31/07/2020 04h00

Na crise de saúde pública global que ocorreu em 2020, a Bolsa brasileira chegou a cair quase 50%! E muita gente veio me perguntar o que fazer com os investimentos para não passar por isso de novo. Eu respondo que uma carteira de investimentos bem diversificada que eu conheço recuou apenas 2,9% em média nas últimas crises. Isso significa que o prejuízo do Ibovespa foi 36 vezes maior que a da carteira com investimentos variados.

Honestamente, é impossível saber quando ocorrerá outra crise, seja mais profunda ou mais leve que essa. Mas, olhando para trás, analisei as crises mais recentes e comparei qual foi o desempenho do Ibovespa (o índice das principais ações brasileiras) com a performance de uma carteira de investimentos bem diversificada, e o resultado é que esta segunda opção sofreu muito menos com tudo isso, como você notou.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia e dos investimentos. E, nesse artigo, bem como no vídeo acima, vou traduzir as quatro crises mais recentes, passando pelas eleições americanas, pelo famigerado Joesley Day e pela greve dos caminhoneiros. E ainda irei mostrar como proteger seus investimentos de crises como essa sem sacrificar seus ganhos.

Mais de 1 milhão de novos investidores chegaram ao mundo das ações nos últimos meses e já somos mais de 2 milhões no total. É um grande motivo para comemorar!

Por outro lado, muitos já começaram com um balde de água fria, dando os primeiros passos durante uma crise que fez todas as ações caírem abruptamente.

Então, agora, vamos relembrar as piores crises recentes e o que tem para nos contar quem passou por tudo com muito menos trauma porque fez a lição de casa e diversificou os investimentos como deveria.

Eleições americanas

Nas últimas eleições dos Estados Unidos, tudo indicava que a Hillary Clinton ganharia de Donald Trump, mas não foi o que aconteceu.

Eu lembro que eu estava de férias e, quando fazia uma escala em um aeroporto, vi um alvoroço em uma cafeteria que me chamou a atenção. Vários americanos estavam em choque com a surpresa: Donald Trump tinha sido eleito e era o novo presidente da principal economia do mundo.

Antes das eleições, a economia global já não ia muito bem e o medo dos investidores de que Trump realmente faria tudo o que tinha prometido na campanha, com falas agressivas contra outros países e promessas de políticas protecionistas, em que se dificulta o comércio com outros países para, ao menos em tese, favorecer a indústria americana (o que é bem questionável), fez as Bolsas caírem ao redor do mundo.

Por aqui, o Ibovespa, que representa as principais ações da Bolsa brasileira, caiu 11% nos dias após a eleição. Enquanto quem diversificava melhor nos investimentos sofreu com queda bem menor. Uma das carteiras de investimentos que mostrei no vídeo acima, e é bem diversificada, caiu 0,1% no mesmo período e depois começou a se recuperar. A queda do Ibovespa foi 110 vezes maior.

Joesley Day

E quem não se lembra do Joesley Day? Nem faz muito tempo que tivemos nossa própria crise, sem precisar importar a recessão de nenhum outro país.

Tínhamos acabado de sair do impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff quando um áudio entre o então presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, mostrou o Temer praticamente dando aval aos pagamentos para que o ex-deputado Eduardo Cunha não contasse nada sobre alguns desvios já que ele estava preso por conta de escândalos ligados à Lava Jato.

Todo mundo pensou que seria o fim de Temer, que ele renunciaria em meio a um escândalo ligado a um empresário de uma das maiores empresas da Bolsa brasileira.

Eu era sócio da maior consultoria econômica na época. E me lembro direitinho de todo mundo parar de trabalhar e ficar chocado assistindo às notícias na TV, enquanto nossa Bolsa chegou a derreter quase 9% em um único dia, uma retração 8,8 vezes maior que que o do mesmo portifólio citado anteriormente.

Mas nós sobrevivemos. A mesma carteira diversificada que citei no vídeo caiu só 1% nesse dia, para você ver como diversificar os investimentos é importante nessas horas. E depois, como sempre, as ações voltaram a subir.

Greve dos caminhoneiros

Outra enorme queda da Bolsa aconteceu em 2018, quando houve uma paralisação de quase dez dias em que vários caminhoneiros pararam de fazer as entregas e bloquearam estradas, reivindicando preços mais baixos do combustível, pedágios mais baratos e tabelamento do frete.

Toda a situação causou uma crise de desabastecimento pelo Brasil. Não tinha mais gasolina nos postos e muitos mercados ficaram sem produtos nas prateleiras.

Conclusão para o investidor: a Bolsa caiu quase 16% em pouco mais de 30 dias. Mas quem diversificou pôde ficar muito menos preocupado. Aquela mesma carteira devidamente diversificada caiu apenas 0,8% no mesmo período, antes de começar a subir de novo, uma queda insignificante da retração do Ibovespa, que recuou 19,6 vezes mais.

Crise de saúde global

Já na crise de saúde pública global de 2020, o pior momento da Bolsa brasileira foi entre 23 de janeiro e 23 de março. Exatos 60 dias em que o Ibovespa encolheu nada menos que 47%. Era como se todos seus investimentos passassem a valer só metade do que valiam antes!

O pânico era geral, com dias em que tivemos mais de um circuit breaker, momento em que a Bolsa para as negociações devido à forte queda das ações.

Era impossível evitar a queda no preço para quem investia em ações. Mas a carteira bem diversificada que mostrei no vídeo acima caiu menos de 10% nesses dois meses, uma diferença de 4,8 vezes em relação ao Ibovespa.

Por que diversificar?

Se você também se faz essa pergunta, eu te conto o que nenhum guru pop te fala: ninguém sabe quando as ações vão cair, nem mesmo investidores experientes sabem disso. A diferença é que eles usam uma estratégia de conceito muito simples para lidar com esse sobe e desce: a diversificação de investimentos.

Você com certeza já ouviu a máxima "não coloque todos os ovos na mesma cesta". É disso que estamos falando.

Comparando as crises citadas, em média, o Ibovespa teve prejuízo 36 vezes maior que a carteira de investimentos diversificada que usei no exemplo nas crises que comentamos. É uma diferença e tanto!

Porém, aqui vai um alerta: diversificar não significa sair investindo no maior número possível de ações e outros investimentos, sem nenhum critério. Existem alguns mitos nesta diversificação e, inclusive, já fizemos um vídeo falando deles.

Na verdade, a diversificação é uma técnica bem elaborada, que inclusive o Warren Buffett usa, o investidor mais rico do mundo. O objetivo de hoje não é ensinar essa técnica, mas te mostrar que você pode fazer isso para se proteger.

Hoje em dia, graças à tecnologia e à democratização dos investimentos, a diversificação já pode ser feita mesmo que você não saiba, ou não tenha tempo, para pensar em cada ativo e ação que deveria investir para diminuir o risco. E está disponível para qualquer pessoa, mesmo para quem tem pouco dinheiro para começar.

Como buscar investimentos diversificados?

Dentre várias possibilidades de investimentos diversificados, a carteira que citei, que se saiu melhor que o Ibovespa durante as crises, é da Magnetis, e inclui ações brasileiras e internacionais, fundos de investimento e títulos de renda fixa. Mas também há outras carteiras por lá para quem quer mais risco ou menos, sempre alinhado aos seus objetivos com cada investimento.

Para diversificar por conta própria, o Yubb é uma plataforma que mostra várias opções de investimentos, disponíveis em muitas corretoras, depois que você informar quanto quer investir e por quanto tempo.

Quer investir R$ 1.000 por 12 meses? A fintech elenca todas as opções disponíveis entre ações, fundos de investimentos e títulos de renda fixa, desde o Tesouro Direto aos privados, como CDBs e debêntures, informando o tamanho do risco, o retorno esperado e outras informações.

Outro aplicativo que cumpre papel focado apenas em renda fixa, é o App Renda Fixa, no qual é possível informar o valor que pretende investir e terá um leque de opções como Tesouro Direto, CDBs, CCBs, LCIs, debêntures etc.

Todas essas ferramentas são auxiliares na diversificação dos seus investimentos e na redução de riscos.

Qual é sua opinião sobre isso? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

Errata: o texto foi atualizado
O título e o texto informavam erradamente que o Ibovespa teve desempenho 36 vezes menor do que uma carteira de investimentos diversificada, mas matematicamente o correto é dizer o contrário: o Ibovespa teve um prejuízo 36 vezes maior que a carteira. As correções foram feitas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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