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Saiba quais são os 9 maiores erros do investidor iniciante e como evitá-los

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

07/08/2020 04h00

Muita gente começa a investir e desiste bem rápido! Boa parte das vezes porque perdeu dinheiro e se decepcionou achando que seria fácil ficar rico na Bolsa de Valores.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, agora, vou contar quais são os nove erros que todo investidor iniciante comete, que impedem de ele ganhar dinheiro com os investimentos, e vou traduzir os segredos para você não cometer as mesmas falhas.

Dica: o último erro é o mais importante!

1. Investir sem reserva de segurança

Esse é um dos principais erros do investidor iniciante: começar a investir em ativos arriscados sem ter uma reserva de segurança.

O recomendável é que você tenha uma reserva de segurança entre seis e 12 meses dos seus gastos mensais médios investidos em ativos seguros e de liquidez imediata.

Traduzindo para o português, esses investimentos não têm por objetivo ter rentabilidades muito elevadas, mas devem ser seguros, sem o sobe e desce típico das ações, e tem que estar disponíveis para você poder sacar a qualquer momento.

A reserva de segurança é feita para coisas como uma perda de emprego ou renda, consertar o celular quebrado, ter liberdade de escolha, não precisar tolerar abusos do chefe chato (já que não tem medo de ser demitido) e, o mais importante, ter a tranquilidade de saber que mesmo que as coisas começarem a dar errado, tudo vai dar certo, pois você está preparado para isso.

Também podem ser situações positivas como uma bolsa de estudos em outro país que te exigirá pelo menos o gasto com passagem e mudança.

Eu só citei alguns exemplos, mas poderia citar muito mais. Quais outros motivos você daria para ter uma reserva de segurança? Deixa nos comentários!

Você não tem nenhuma obrigação de montar a sua reserva de segurança inteira antes de começar a investir em ações. Afinal, muitos se sentem estimulados pelo desafio de investir na Bolsa e isso traz um ânimo extra também para montar a reserva de segurança.

Mas alocar 100% dos investimentos em ativos arriscados e de baixa liquidez podem te colocar em uma saia justa de ter que recorrer a empréstimos ou ter que vender ações com prejuízo porque precisa daquele dinheiro em um momento de baixa.

2. Ser impaciente e querer lucro rápido

Investir é um exercício de paciência, mas parece que quase todo mundo quer ter grandes lucros bem rapidamente.

Tenha em mente que seja investindo em ações, onde você se torna sócio de uma empresa, ou com títulos da renda fixa, em que você empresta seu dinheiro para o governo ou para uma companhia privada, os resultados não vêm do dia para a noite.

Com certeza, você conhece alguém que montou uma empresa ou talvez você mesmo tenha uma. Os resultados demoram a aparecer e o tempo trabalha a seu favor.

Quanto mais tempo deixar seu dinheiro investido, mais os juros vão trabalhar fazer seu dinheiro crescer.

3. Diversificar de menos

Não diversificar é um dos maiores erros do investidor iniciante! Você já conhece o ditado "não coloque todos os ovos em uma cesta só". Às vezes, até me confundo se esse ditado não foi criado justamente para falar de investimentos.

Se você investir todo o seu dinheiro nas ações de uma única empresa, caso esse investimento "bombar", talvez você acerte "na mosca" e consiga lucrar muito. Mas e se eles tiverem algum problema? Você também pode perder tudo.

É como se sua única cesta caísse e se quebrassem todos os ovos. Se tivesse dividido os mesmos ovos em mais cestas, você nem ligaria tanto para alguns ovos quebrados. Com investimentos é a mesma coisa!

Mas a diversificação pode ir muito além de ações e renda fixa. Eu sempre dou dicas por aqui de sites e aplicativos para buscar e comparar diversos tipos de investimentos que vão compor sua carteira.

Agora, vou dar algumas dicas bônus para quem busca diversificar os investimentos para aumentar a rentabilidade da sua carteira.

Na Hurst Capital, é possível investir em ativos reais que antes só os grandes bancos e os milionários tinham acesso, como na construção de imóveis, em títulos judiciais, em carros de colecionadores, em vinho, ouro e até em direitos autorais de streaming de música, com rendimentos de até 20% ao ano.

Cada investimento tem sua particularidade, mas, em geral, seu investimento se transforma em antecipação de recebível para a outra parte, e depois você recebe seu dinheiro acrescido de juros em forma de rendimentos.

Para encontrar os títulos de renda fixa com os melhores retornos, o App Renda Fixa é um aplicativo que mostra todas as opções de investimentos, disponíveis em todas as corretoras, depois que você informar quanto quer investir e por quanto tempo.

Quer investir R$ 1.000 por 12 meses? O app elenca todas as opções de títulos de renda fixa, desde o Tesouro Direto aos privados, Tesouro Direto, CDBs, CCBs, LCIs e Debêntures, informando o tamanho do risco, o retorno esperado e outras informações.

Outra opção que busca aumentar a rentabilidade sem expor tanto ao risco é a Magnetis, que monta uma carteira diversificada para o investidor, incluindo ações brasileiras e internacionais, fundos de investimento e títulos de renda fixa.

Além disso, vale a pena começar a estudar investimentos em ações, fundos imobiliários e outros fundos de investimentos que tenham um pouco de risco, para buscar melhores rentabilidades. É importante que esses investimentos estejam alinhados aos prazos que você traçou para usar o seu dinheiro aplicado, além de entender direitinho a que risco estará exposto em cada ativo investido.

4. Diversificar demais

Pode parecer pouco óbvio, mas diversificar demais também é um erro muito comum dos investidores iniciantes que perceberam o problema de diversificar de menos.

Ao começar a exagerar na quantidade de ativos diferentes que coloca dentro da sua carteira de investimentos, você começa a perder o controle de em quê, quando e como investe, sem acompanhar direito a característica de cada ação, as datas de vencimento de cada título de renda fixa e os riscos de cada um.

Falando só de ações, os maiores especialistas costumam recomendar que você invista em ao redor de sete ações diferentes, conseguindo acompanhar direito o que acontece em cada empresa representada por cada uma delas, e podendo tomar uma decisão fundamentada da melhor hora de comprar, vender ou até alugar suas ações.

Se você se assustou, saiba que é possível alugar suas ações para aumentar sua rentabilidade. E a minha sócia, a economista Yolanda Fordelone, já explicou tudo sobre isso.

Mesmo assim, se você achar que deve ter muito mais ações, títulos e outros ativos, recomendo a você começar a olhar para os fundos de investimentos. Neles, há um gestor profissional e uma equipe para lidar com tudo isso para você não perder o controle da situação.

5. Falta de objetivos, metas e propósito

Muitos investidores experientes também cometem o erro de investirem por investir, ou terem como objetivo apenas ganhar mais dinheiro.

Isso é um equívoco porque todo dinheiro tem um propósito e você sabe disso. Só precisa alinhar esses objetivos com seus investimentos.

Não adianta investir boa parte do seu dinheiro em títulos de renda fixa que só vai poder sacar daqui a sete ou dez anos se pretendia usar isso para um intercâmbio daqui a dois anos, em uma festa de casamento daqui a três ou na festa de formatura no final da faculdade.

Da mesma maneira, não faz sentido investir sua reserva de segurança em fundos D+30, que só permitem sacar o dinheiro 30 dias após o pedido. Nenhuma emergência espera tanto tempo.

Sem contar que há um efeito psicológico que faz toda a diferença: quando se investe, dividindo em "caixinhas" de objetivos para cada investimento, o ser humano se sente muito mais estimulado a continuar se esforçando para chegar mais perto de realizar seus sonhos.

Então, ter uma estratégia de investimento para o carro dos sonhos, outra para a casa na praia, mais uma para a aposentadoria e outra separada para uma viagem faz tudo ficar mais concreto, mais real, e os resultados aparecem antes.

6. Estar despreparado para perdas

Falando de efeitos psicológicos, todo investimento envolve algum tipo de risco. Mesmo os mais seguros. E você tem que estar preparado para isso.

Afinal, você só irá de fato perder se não estiver preparado emocionalmente para isso.

A última crise mostrou isso muito claramente. A maioria das ações na Bolsa começou a ver seus preços despencarem. E muita gente se desesperou e vendeu tudo para evitar quedas ainda maiores. E foram só essas pessoas que de fato perderam, porque o preço das ações voltou a subir.

Imagine que você comprou uma casa por R$ 75 mil e alguns anos depois ela passou a valer R$ 100 mil. É uma casa muito linda e você está muito feliz em morar ali com sua família. De repente, por qualquer motivo, começam a bater muitas pessoas à sua porta oferecendo R$ 50 mil por ela.

O que você faz?

  1. Se desespera e vende para evitar que as ofertas fiquem ainda piores?
  2. Ou ignora tudo isso porque sabe da qualidade da casa que tem e do bairro agradável que vive? Afinal, você nem estava pensando em se mudar dali.

É a mesma coisa com as ações e outros investimentos.

7. Seguir a manada atrás da ação da moda

Se você reparar, tem muitos investimentos que estão na moda e todo mundo só fala dele. Pode ser aquela ação queridinha, ou a outra que está muito barata e tem uma lenda de que virá um novo controlador resolver todos os problemas e ela vai voltar a valorizar... Exemplos não faltam.

Tome muito cuidado com isso! Se fosse tão fácil a ponto de todo mundo saber qual é o próximo investimento que vai "bombar", todo esse pessoal já estaria rico.

Seguir a manada atrás do investimento da moda é um erro que muitos cometem. Tem que ter mais critério na hora de investir seu dinheiro.

8. Se basear em preço, não em valor

Outro erro bem comum é olhar para o preço de uma ação que custa R$ 1 e achar que está barata e para outra que custa R$ 100 e achar que está cara.

Você sabia que cada empresa pode emitir a quantidade de ações que quiser e o preço da ação é determinado por quanto o mercado avalia que a empresa vale dividido pelo número de ações?

Dessa maneira, se uma empresa que está avaliada em R$ 100 mil fosse inteira representada por 1.000 ações, cada uma custaria R$ 100. Ao mesmo tempo, se a mesma empresa resolvesse ter 100 mil ações, cada ação custaria R$ 1. E para você ser sócio do mesmo pedaço da companhia, bastaria ter uma ação de R$ 100 no primeiro caso ou 100 ações de R$ 1 no outro exemplo.

Em tese, o que você deveria fazer é buscar ações que estão sendo vendidas a R$ 100, mas que valem R$ 200. E essa é uma arte que a análise fundamentalista de investimentos ensina a fazer. Temos uma série de conteúdos sobre isso e, em um deles, ensino como saber se uma ação está cara ou barata usa o indicador P/VPA.

9. Demorar para começar a investir

Por último, o pior erro do investidor iniciante, na minha opinião, é demorar para começar a investir esperando o momento ideal ou acumular mais conhecimento antes de começar a investir.

Eu sempre digo que a melhor escola para aprender qualquer coisa é a "mão na massa"!

Isso não significa que você não tenha que se preparar e estudar para investir cada vez melhor, mas com certeza você se sentirá muito mais estimulado a aprender sobre investimentos quando já tiver seu dinheiro investido para trabalhar para você. Pode apostar!

Se ainda tem medo de investir, comece aos poucos, com um dinheiro que não vai fazer falta e, aos poucos, vai ganhando confiança e acumulando conhecimento para investir cada vez mais e atingir seus sonhos e objetivos.

Quais dessas dicas você achou mais interessantes? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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