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Por que Paulo Guedes deve continuar no governo apesar de tudo?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

31/08/2020 18h20

Na sua opinião, Paulo Guedes sai ou fica no Ministério da Economia?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. Nesse artigo, bem como no vídeo acima, vou traduzir o que está por trás da polêmica acerca da possibilidade de demissão de Paulo Guedes, vou explicar por que eu acho que ele "fica" e quais seriam os impactos para a economia e investimentos caso peça demissão.

Histórico

Desde a campanha na corrida eleitoral de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes já era apontado como o "Posto Ipiranga" do então candidato à presidência, para o qual tudo devia ser perguntado quando o assunto era a economia. Bolsonaro dava a entender que quem mandaria na condução da política econômica era Guedes. O presidente apenas seguiria suas recomendações.

O fato é que boa parte dos votos no Bolsonaro vieram da chancela do mercado financeiro nessa promessa de condução da economia com responsabilidade de gastos públicos e reformas necessárias para reduzir a dívida pública, que agora está sendo testada se está ou não em linha com o prometido há dois anos.

Apesar de, oficialmente, Guedes e Bolsonaro constantemente reafirmem o compromisso da agenda liberal e, principalmente, com o respeito ao teto de gastos, poucas das reformas prometidas saíram do papel e há especialistas políticos afirmando que há algumas sinalizações de que Bolsonaro tomaria rumo ao populismo e ao aumento de gastos.

Seria essa a eventual justificativa de insatisfação de Guedes que poderia justificar sua saída. Seja por iniciativa própria ou do presidente.

Vale lembrar que, do ponto de vista da economia, o controle de gastos públicos é um dos grandes problemas que enfrentamos.

Por que Guedes fica?

Daqui em diante, vale destacar que essas são linhas opinativas.

Semana passada, eu, César, fiz uma publicação no Instagram do Econoweek argumentando por que eu acho que Guedes deve permanecer no cargo de Ministro da Economia mesmo apesar de tantos reveses e "debandadas" de grandes nomes dentro de sua pasta. Como isso gerou bastante polêmica, resolvi trazer a discussão para cá e ter a possibilidade de ouvir a opinião de vocês.

Na minha opinião, Guedes deve permanecer à frente do Ministério por dois principais motivos (que são questionáveis e cabem opiniões contrárias):

O primeiro motivo é que, dentro de sua agenda liberal e visão econômica, não acho que ele cometeria a irresponsabilidade de abandonar o cargo em meio à pandemia e tampouco durante esse momento de tentativa de transição de políticas intervencionistas (quando o Governo se intromete mais na economia, como tabelamento de preço do combustível, intervenção no Banco Central e aumento de empresas estatais) para o enxugamento da máquina pública e diminuição de gastos.

Quero dizer que imagino que Guedes, pressupondo que sua visão de economia é a mais adequada para o Brasil, não cometeria a imprudência de abandonar o posto em um momento tão delicado, correndo o risco de ver o governo brasileiro voltar a praticar políticas tidas como equivocadas por quem compartilha dessa visão.

O segundo motivo, menos nobre, é o conhecido perfil investidor de Paulo Guedes.

Apesar de não ter conhecimento do tamanho de seu patrimônio, Guedes foi sócio do Pactual DTVM, que veio a se tornar o Banco Pactual, bem como da JGP Investimentos e outras iniciativas bem-sucedidas.

Mesmo com relatos de fracassos de Guedes em tentativas de "day trades", algo é de se supor: o Ministro da Economia está no time dos grandes investidores (que é diferente de afirmar se ele é um bom ou mau investidor) e sabe o que sua saída poderia significar para a economia, bem como para seus próprio patrimônio.

E se Guedes sair?

Acredito que se Guedes sair, por iniciativa própria, isso ocorreria apenas após o fim da pandemia e, possivelmente, com a articulação de um nome alinhado a suas visões para o substituir.

Mesmo assim, essa não seria uma sinalização positiva para o plano de voo inicial da economia do governo Bolsonaro.

Para os investidores de perfil "trader", que buscam lucros rápidos, esse seria um período de muita indefinição e aumento de riscos.

Para investidores de perfil de longo prazo, que não buscam retornos rápidos, praticamente nada muda. O Brasil sempre foi um país de condução econômica difícil e, com muitos altos e baixos, temos evoluído gradualmente.

Mas poderíamos estar em situação muito melhor? Sem dúvida, acredito.

Para o brasileiro, seja ou não investidor, o ritmo de reformas necessárias e seus reveses não está tão diferente do que foi no passado. Seria mais uma oportunidade perdida. Infelizmente, já estamos acostumados com isso.

Apesar da minha opinião de que Guedes deve permanecer no governo, acredito que a chance de ele sair aumentou bastante nas últimas semanas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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