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Selic em 10%? Você sabe o que aconteceria se a Selic aumentasse?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

16/10/2020 04h00

Hoje, a Selic está no menor nível da história e muita gente desinformada fica espalhando confusão dizendo que a renda fixa morreu, e outros desejam a volta da Selic mais alta para aumentar a rentabilidade dos seus investimentos no Tesouro.

E se a Selic voltasse a subir de repente? Você sabe o que aconteceria?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. Agora, vou traduzir esse dilema da economia e te explicar o que aconteceria com a economia e com seus investimentos. No vídeo acima, também dá para assistir a essa discussão entre todos os #Econoweekers.

A renda fixa morreu?

Primeiramente, é preciso dizer que a renda fixa não morreu! Para a reserva de segurança, títulos seguros e de liquidez imediata, como o Tesouro Selic, continuam sendo muito adequados.

Eles rendem menos do que rendiam antes? Sim, mas a inflação também está muito menor do que antes para compensar.

E ainda há títulos de renda fixa pagando mais de 10% ao ano, embora não sirvam para a reserva de segurança já que permitem o saque apenas daqui a alguns anos.

Não vou prolongar esse assunto, mas já fiz um vídeo explicando tudo sobre o como fazer a reserva de emergência com a Selic baixa.

O que aconteceria se a Selic voltasse para 10%?

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para manter a inflação em níveis desejados.

Há um nível ideal para a alta de preços das coisas que a gente compra, que não pode ser nem muito alto e nem muito baixo.

Se simplesmente decidissem que a Selic subiria de repente, no momento seguinte, o preço das coisas começaria a cair.

Parece uma boa ideia? Nem tanto.

Apesar de a gente ver o preço de algumas coisas subindo, para a imensa maioria dos produtos e serviços, a inflação está menor do que o Banco Central gostaria.

E isso não é à toa! A gente estava saindo de uma crise quando caímos em outra.

E o que acontece em crises? Isso mesmo: muita gente perde o emprego e tem menos dinheiro para comprar tudo o que costumava consumir.

Com essa menor demanda por bens e serviços, os produtores e lojistas começam a ver seus estoques crescerem, vendendo menos do que antes e ficam com medo de reajustarem seus preços.

Percebeu como uma inflação abaixo da desejada normalmente é consequência de algo ruim? Nesse caso, de uma crise.

E foi justamente para combater essa crise que a Selic foi reduzida.

Como isso dá certo?

Quando a Selic está baixa, o pessoal do Banco Central fala que ela está em "nível estimulativo". Você também pode ouvir que estamos em fase de "política monetária expansionista".

Traduzindo, isso significa que a Selic está baixa o suficiente para aquecer a economia, gerar emprego e consumo.

E como ela consegue fazer isso? Há duas vias principais: a do consumo e a do investimento.

Menos gente gastando

Do lado dos consumidores, com a Selic mais baixa, que é considerada a taxa de juros de referência de todo o resto da economia, todos os bancos e instituições financeiras também tendem a baixar seus juros.

Dessa maneira, começam a liberar crédito também com juros menores. O financiamento imobiliário, por exemplo, já foi de mais de 20%. Hoje, se encontra taxas de 5% para o financiamento imobiliário reajustado pela poupança.

É por isso que a inflação cai: há menos gente gastando, sem acesso a crédito com taxas menores.

Só que não para por aí! Com menos consumo, há menos negócios sendo realizados. Com isso, as empresas também deixam de ser tão lucrativas como antes.

O resultado? Demitem funcionários que estão ociosos com mais tempo livre nas lojas, fábricas e serviços em geral.

E isso realimenta todo esse ciclo de alta do desemprego, menos gente gastando, crédito mais caro e inflação caindo.

Menos empresas contratando

Acabei de explicar a via do consumo. Mas também há os impactos da Selic do lado dos investimentos.

Mas não estou falando dos investimentos financeiros que a gente faz no Tesouro, na renda fixa ou em ações. Estou falando dos investimentos reais das empresas, como em expansão de fábricas e novos negócios.

Imagine que as empresas também podem fazer todos os mesmos investimentos financeiros que a gente faz (e mais alguns outros que não temos acesso).

De modo que quando um empresário começa a planejar a expansão dos seus negócios para reformar sua loja ou restaurante, por exemplo, ele faz a seguinte conta:

"Vou gastar R$ 10 mil nesse projeto e espero ter um retorno de 12% desse investimento em um ano".

Se a Selic está em 2% ao ano, esse investimento vale a pena já que vai render mais do que se teria no Tesouro Selic. Mas conforme a Selic sobe, o empresário começa a questionar se vale a pena tanto esforço já que poderia investir no Tesouro Selic, sem trabalho nenhum e segurança total.

É por isso que quando a Selic sobe, menos investimentos são feitos, menos empregos são criados e, daí, voltamos ao outro lado da moeda: com menos negócios, há menos emprego gerado, menos salários pago para os funcionários consumirem e a economia continuam patinando e indo mal.

Mas isso não significa que é o fim dos investimentos em renda fixa.

Como disse, o Tesouro Selic está rendendo menos, mas continua sendo adequado à reserva de segurança e, na pesquisa que acabei de fazer, encontrei opções de investimentos em renda fixa com taxas prefixadas superiores a 10% ao ano, embora com menor liquidez.

Onde investir com os juros baixos?

Agora que você já pode romper várias dessas crenças limitantes, é importante usar esse dinheiro com inteligência financeira. Por isso, separamos algumas dicas básicas de como criar colchões de segurança e ficar cada vez mais protegido financeiramente:

  • A corretora Toro disponibiliza títulos de renda fixa e dispõe de uma maneira de investir em ações sem precisar do home broker, que muitas vezes é um "complicômetro", além de não cobrar taxa de corretagem na compra e venda de ações;
  • Quer encontrar os títulos de renda fixa com os melhores retornos? O App Renda Fixa é um aplicativo que mostra todas as opções de investimentos, disponíveis em todas as corretoras, depois que você informar quanto quer investir e por quanto tempo;
  • Há ainda investimentos de renda fixa alternativos, tais como os CCBs da MatchMoney, com selo de segurança da ABFintechs e rendimentos que chegar a ser seis vezes mais que o Tesouro Selic.

O que você acha? Conte aqui nos comentários.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.