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Entenda as diferenças entre as eleições americana e brasileira

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

28/10/2020 04h00

A menos de uma semana da principal eleição do mundo, o que preocupa os investidores? Na próxima terça-feira, dia 3 de novembro, ocorrerá a disputa presidencial dos Estados Unidos, entre Trump e Biden.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. Agora, vou mostrar as principais características dessa eleição, as diferenças da eleição brasileira e o que preocupa os investidores.

No vídeo acima, é possível ver o debate ao vivo os #Econoweekers. Você também pode enviar uma pergunta e dar a sua opinião por lá!

Voto não obrigatório

Diferente do Brasil, o voto não é obrigatório nos Estados Unidos. De modo que os candidatos têm que fazer esforço extra não só para conquistar a preferência, mas também para engajar os eleitores a comparecerem às urnas no dia da eleição.

Voto indireto

Aqui no Brasil, é eleito o candidato com maior número de votos populares absolutos. Nos Estados Unidos não é assim que funciona.

Nas eleições de 2016, por exemplo, a candidata Hillary Clinton teve mais votos, com 48% contra 46% de Trump, que acabou sendo eleito.

Isso acontece porque, nos Estados Unidos, os votos são indiretos.

Funciona basicamente assim: cada estado é um colégio eleitoral, com números diferentes de delegados eleitorais de acordo com o tamanho da população de cada região e seus representantes na Câmara e no Senado. Tradicionalmente, o candidato mais votado pela população em cada colégio eleitoral leva os votos da totalidade dos delegados.

São 538 delegados. O candidato que tiver voto de 270 deles (metade mais um) é eleito.

Eleições não são aos finais de semana

Nos Estados Unidos, as eleições presidenciais ocorrem sempre às terças-feiras seguintes às primeiras segundas-feiras de novembro.

Aqui no Brasil, as eleições são aos domingos e a característica americana também costuma dificultar o comparecimento às urnas, já que exige uma falta no trabalho, que pode ser descontada do salário.

Não há segundo turno

Devido à característica anterior, praticamente não há possibilidade de empate nas eleições presidenciais americanas. Por isso, não há segundo turno, como quase sempre há aqui no Brasil.

Sistema bipartidário

Outra diferença em relação ao Brasil é que por lá sempre podemos observar apenas dois candidatos nos debates presidenciais. Isso porque há apenas dois partidos hegemônicos, os Democratas de Biden, e os Republicanos de Trump.

Aqui no Brasil, como sabemos, há um mar de partidos. E surgem novos a todo momento, o que dificulta o entendimento das verdadeiras pautas de cada partido e candidato.

Nos Estados Unidos, na prática, há mais partidos. Mas eles são todos de pequena expressão e desde 1852 são os Republicanos e Democratas que se revezam na presidência.

Quem vai vencer as eleições de 2020?

Dadas todas essas principais características, a previsão de um candidato vitorioso não é das mais simples.

Mesmo assim, em votos absolutos, na média das pesquisas mais recentes, Biden aparece entre oito e nove pontos a frente de Trump.

Essa diferença, porém, vem se reduzindo.

Especialistas afirmam que, mesmo assim, é improvável que Trump consiga reverter esse resultado.

Pesquisas mais detalhadas, que projetam os votos por colégio eleitoral e levam em conta estados chave, também relatam que vitória de Biden parece mais provável. Principalmente a poucos dias das eleições.

O que meus investimentos têm a ver com isso?

Ao analisar as reações do mercado financeiro e do mundo dos investimentos, ninguém parece temer a candidatura de um candidato ou outro.

Mesmo assim, todos estão de olho na diferença de votos entre Biden e Trump. Isso porque tudo parece caminhar para a vitória de Biden, e Trump já avisou que se perder recorrerá à justiça para contestar o resultado, que segundo ele, terá sido fraude.

Por mais incoerente que isso possa parecer, caso a diferença de votos seja pequena, o temos é que os recursos causem uma turbulência política nos Estados Unidos, a maior economia do mundo, chacoalhando o mundo dos investimentos.

Por isso, vale a pena estar preparado e com "sangue frio" pois alguns dias difíceis não poderiam ser considerados surpresa, principalmente se as pesquisas de intenção de voto se acirrarem.

Quem você acha que vai ganhar essas eleições?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.