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PIX e open banking: 5 situações do dia a dia que mudam a partir de novembro

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

03/11/2020 04h00

Você sabia que depois do PIX vem aí o open banking? O mês de novembro chega com muitas novidades de tecnologia bancária. No dia 16 de novembro, os pagamentos instantâneos via PIX começam a funcionar. No fim do mês, em 30 de novembro, é a vez de começarmos a primeira fase do open banking.

A convite da Future of Money, evento sobre o futuro do dinheiro que acontece até o fim de novembro, online e gratuito, conversei há algumas semanas com Gavin Littlejohn, presidente da Associação Britânica de Dados Financeiros (FDATA), um dos responsáveis por ajudar a implementar o open banking no Reino Unido. O Brasil se espelha neste país para desenvolver o seu modelo.

O open banking é um conjunto de tecnologias e regulamentações que permitem que o cliente compartilhe seus dados financeiros entre instituições. Na prática, a pessoa pode ser cliente antiga de um banco e consultar um crédito de um segundo já demonstrando seu histórico financeiro de bom pagador. Pode enviar dados como os gastos no cartão de crédito, as movimentações de conta corrente e os investimentos que possui em carteira, por exemplo.

"Se o cliente tem direito aos dados porque não expressar esses dados livremente. Na Europa, muitos bancos defendiam que os dados pertenciam aos bancos. Hoje sabemos que pertencem aos clientes", diz Littlejohn.

No Brasil, a conversa parece já ter começado mais avançada reunindo numa mesma mesa associações que representam bancos, outras relacionadas a fintechs e o próprio Banco Central, que orquestra a implementação dessa tecnologia em quatro fases.

Na coluna de hoje, eu, Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, a tradução da economia, separei abaixo cinco situações do dia a dia que devemos passar a presenciar com essas mudanças de tecnologia. No vídeo acima, explico as situações dando exemplos de pessoas famosas de finanças que devem usar cada um desses benefícios.

1. Uso de chaves do PIX

O cadastro da chave do PIX, que pode ser o e-mail, telefone, CPF ou número aleatório gerado pelo sistema, é fundamental para usar o pagamento instantâneo. A chave permite que a pessoa faça a transferência de dinheiro, em até dez segundos, preenchendo apenas um desses dados do destinatário (o dado que ele escolheu e te passou).

Apesar de o cadastro ter começado em outubro, ainda há pessoas que não se cadastraram, às vezes por receio de segurança ou por querer ver a coisa funcionar antes de entrar. O fato é que esse cadastro vai estar presente cada vez mais no nosso dia a dia, mesmo após 16 de novembro, pois ele pode ser feito a qualquer momento. E com ele, vamos preencher cada vez menos dados para mandar nosso dinheiro a outras contas ou fazer pagamentos.

O César, meu sócio no Econoweek, inclusive mostrou em um vídeo o cadastro desta chave.

2. Pagamento via PIX em compras cotidianas

A facilidade de transferir o dinheiro em poucos segundos abre margem para que haja uma mudança de comportamento: as pessoas podem passar a pagar compras do dia a dia e mesmo ida a restaurantes usando o PIX (afinal, o dinheiro cai na hora). Há uma expectativa de diminuição do uso do dinheiro físico ou mesmo de cartões.

3. Concentrar dados em um só app ou site

O open banking permite que clientes compartilhem os dados financeiros e com isso podem surgir nossas funcionalidades nos bancos ou mesmo em novas empresas que surjam após 2020. O próprio Gavin Litlejohn já teve uma fintech que fazia isso no Reino Unido, a Money Cashboard. "Ela permitia que os clientes pudessem ver as suas transações financeiras de todos fornecedores em um único painel", diz.

Dados como movimentações da conta corrente e as carteiras de investimentos em diversas corretoras podem ser concentradas em uma única tela.

4. Crédito mais barato

O compartilhamento de dados do open banking vai fazer com que as instituições conheçam muito bem o consumidor, com dados que vão muito além da renda. Há pessoas que ganham muito e gastam tudo, como também pessoas que ganham pouco, mas tem hábitos saudáveis de economizar. A tecnologia vai permitir separar o joio do trigo e com isso fornecer crédito com juros mais baratos a quem tenha esse bom histórico.

5. Iniciar um pagamento usando outra plataforma

Na terceira fase do open banking, entrará em vigor a figura do iniciador de pagamento. Além de compartilhar os dados, a pessoa poderá iniciar um pagamento de algo fora do ambiente bancário. O dinheiro usado continua sendo o que está na conta bancária, mas a tecnologia permite, por exemplo, que o pagamento seja feito diretamente do aplicativo de mensagens ou do site da corretora. Tudo isso, claro, se a regra brasileira assim permitir e se a empresa iniciadora de pagamento estiver utilizando o open banking.

Fases do open banking

A implementação no Brasil ocorrerá em quatro fases. A primeira começa em 30 de novembro. As instituições participantes vão compartilhar entre si os produtos e serviços que oferecem. Ou seja, diversas instituições, como bancos concorrentes e fintechs, vão ter acesso aos custos e produtos que hoje são oferecidos pelo mercado.

Na segunda fase, que vai ser finalizada até maio de 2021, os clientes vão começar a permitir o compartilhamento das informações cadastrais e das operações financeiras deles.

Na terceira fase, que vai ser finalizada até agosto de 2021, começa o iniciador de pagamentos. Na quarta fase, até outubro de 2021, ocorre a expansão dos serviços. Outros dados como investimentos e seguros, que vão precisar ainda ser padronizados, poderão ser compartilhados.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.