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Já fiz a reserva de segurança, e agora? Como investir e superar a Selic

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

04/11/2020 04h00

Com a taxa Selic em 2% ao ano (nova taxa definida na reunião do Copom de 28 de outubro), o investidor que aplica em renda fixa se vê diante de um grande desafio: após formar a reserva de segurança, como conseguir melhorar a rentabilidade da carteira?

A reserva de segurança é o primeiro passo do investidor no mercado financeiro. Geralmente, corresponde a pelo menos seis meses de gastos e é formada por aplicações que tenham liquidez imediata (o que significa que podem ser vendida a qualquer momento) e com baixo risco de perdas ou calotes.

Por isso mesmo, títulos públicos do Tesouro Direto (o conhecido Tesouro Selic) acaba sendo o principal investimento escolhido para essa primeira etapa. O problema é que com a queda da Selic, a rentabilidade anda bem baixa.

Eu sou Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, a tradução da economia, e na coluna de hoje aponto para dois caminhos para conseguir superar este retorno médio do mercado (a Selic). No vídeo acima, você vê a minha conversa com o co-fundador e CIO da Hurst Capital, Leonardo Vianna, sobre essas possibilidades para o pequeno investidor.

1. Aumente o prazo

A primeira opção para quem busca maior rentabilidade é alongar o prazo. Títulos com prazos maiores costumam oferecer um retorno maior por dois motivos:

  1. Na renda fixa, os juros são compostos, sendo que quanto mais tempo ficar aplicando seu dinheiro maior será o efeito destes juros;
  2. Aplicar no longo prazo envolve mais risco, afinal a inflação pode subir, o cenário pode mudar, entre outros fatores. O maior risco faz com que o emissor da renda fixa, seja o governo ou uma empresa, acabe oferecendo um retorno maior.

Para mostrar exemplos, a coluna foi pesquisar no site do Tesouro Direto e nesta terça-feira, 3 de novembro, o título prefixado com vencimento em 2023 tinha retorno de 5,33% ao ano, enquanto o papel para 2026, 7,53%.

Obviamente, para estender o prazo desta carteira fique atento para não precisar contar com este dinheiro antes. O ideal é que o vencimento case bem com o período em que você usaria o dinheiro para executar seu objetivo.

2. Diversifique

A segunda maneira de conseguir superar a Selic é diversificando a carteira dentro da renda fixa. Não são poucas as opções, mas uma sigla tem cada vez aparecido mais entre os investimentos: CCB ou Cédula de Crédito Bancário. O rendimento é bem superior à Selic: em uma oferta recente, esta em cinco vezes a taxa média do mercado.

Mas vamos entender como isso funciona.

Estas cédulas são investimentos de renda fixa emitidas por uma empresa ou pessoa física em favor de uma instituição financeira. Uma característica é que já há um destino certo desse investimento e pode haver uma garantia real em contrapartida, como um imóvel.

O CCB é atrelado a uma operação de crédito. Ao investir em uma cédula, você normalmente está emprestando seu dinheiro a uma empresa para que ela use, por exemplo, na expansão de seus negócios, em novos projetos e na geração de novos empregos. Apesar de ser um investimento de renda fixa não há garantia do FGC.

Após formar a reserva de emergência, opções como CCBs podem ser consideradas justamente porque a liquidez imediata não precisa mais ser um pré requisito para aplicar.

Onde encontrar

Para diversificar e buscar retornos que superem a Selic, o melhor caminho é a pesquisa.

  • Para começar, sugiro que olhe as ofertas recentes de CCBs. Algumas delas são encontradas na Hurst Capital.
  • Para comparar títulos tradicionais de renda fixa, como CDBs e LCIs, há o App Renda Fixa.
  • Se ainda vai dar os primeiros passos construindo a reserva de segurança, entre no site do Tesouro Direto. Além de pesquisar as rentabilidades, é possível ter acesso a uma lista com a taxa que cada corretora ou banco cobra na operação. A dica é procurar as mais baratas, já que hoje em dia há muitas opções com taxa zero.

Você já formou a sua reserva de segurança? Deixe um comentário ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.