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João Branco

Você acredita em Black Friday?

João Branco

João Branco tem mais 20 anos de experiência em grandes marcas e trabalha desde 2014 no McDonald's, onde é o Diretor de Marketing e lidera o talentoso time que está batendo todos os recordes de vendas da história do Big Mac. João estudou em algumas das melhores universidades do mundo mas aprendeu no "Méqui" o que nenhuma aula teórica foi capaz de ensinar: que o resultado sempre vem quando o consumidor ama muito tudo isso.

Colunista do UOL

25/11/2020 04h00

Não se engane: é muito difícil fazer uma promoção bem-feita. Nenhum comerciante gosta de rasgar preço. E todo consumidor adora uma promoção. Chegamos a um dilema. E o auge desse conflito acontece essa semana, na chamada Black Friday.

Gosto da versão que diz que essa data nasceu como um momento de gratidão do varejo, que coloca preços baixos imediatamente após o Thanksgiving (ou Dia de Ação de Graças). Se essa história for verdade, precisamos fazer uma intervenção urgente.

O sentimento geral do brasileiro é de que esse "fim de feira" tem nome e sobrenome: Black Fraude. Um momento onde as coisas são vendidas pela metade do dobro do preço e que os descontos são "relativos" (vou poupar nos adjetivos). Mas já foi pior. Até que algumas marcas entenderam que essa é uma data importante para o varejo e começaram a praticar promoções efetivamente boas para reverter essa imagem, o que vem sendo recompensado com vendas polpudas e antecipação das compras de Natal.

Mas no meio dessa corrida pelos descontos, ainda encontramos muitos espertinhos. Daqueles que usam a estratégia do Pinóquio para fazer estratégias de preços. Parece que se esquecem que fazer promoção também é construir (ou destruir) reputação. Vou deixá-los de lado por alguns parágrafos e assumir que todos estão tentando fazer o melhor que podem.

O problema é que o trauma com essa data e com a criatividade marketeira do passado é tão grande que eu só tenho uma certeza: é impossível agradar a todos. Quem dá 20% de desconto parece mesquinho. Quem dá 70% off ou está mentindo ou me rouba o ano todo. Quem vende "até" 50% mais barato está enganando. E quem faz "leve, pague" quis dificultar. Quem parcela em 10 vezes quer me aprisionar e quem não aceita parcelamento não entende as minhas dificuldades. Quem me oferece o cartão da loja é muito burocrático. E quem me pede para preencher um cadastro para dar desconto é aproveitador.

E assim vamos nós, comprando e reclamando. Porque as duas coisas parecem dar algum tipo de prazer. A gente compra porque gosta. E reclama porque, na verdade, queria poder comprar ainda mais.

Se você for cliente, pesquise bem e aproveite. Com distanciamento social e cuidados, é claro. Porque desconto nenhum vai compensar um problema de saúde.

E se você for comerciante, te desejo bons resultados! É hora de ser criativo e satisfazer um consumidor que está com saudades de poder comprar. Mas também é hora de ser responsável evitando aglomerações e falsas impressões.

Eu acredito em Black Friday. Pelo menos em algumas. E se esse evento for mesmo sobre gratidão, venho aqui demonstrar a minha a quem está escolhendo não fazer promoções do tipo "Leve 2, Pague 3".

promoção - Felipe Tomazelli - Felipe Tomazelli
Imagem: Felipe Tomazelli

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.