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João Branco

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A cor da calcinha muda o ano novo?

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João Branco

João Branco tem mais 20 anos de experiência em grandes marcas e trabalha desde 2014 no McDonald's, onde é o Diretor de Marketing e lidera o talentoso time que está batendo todos os recordes de vendas da história do Big Mac. João estudou em algumas das melhores universidades do mundo mas aprendeu no "Méqui" o que nenhuma aula teórica foi capaz de ensinar: que o resultado sempre vem quando o consumidor ama muito tudo isso.

Colunista do UOL

22/12/2021 09h34

Era uma vez uma loja de lingerie que só vendia calcinhas bege. Um dia, preocupada com um grande estoque de peças coloridas encalhadas, espalhou uma promessa: quem usar "roupa de baixo" vermelha no réveillon vai atrair um novo amor. A amarela chama riquezas. A azul, saúde. E a verde provoca esperança.

Será que foi assim que essa simpatia de ano novo começou? Como marketeiro, só consigo pensar nessa hipótese. Porque quem quer muito vender algo, é capaz de fazer qualquer coisa. Se houver uma safra grande demais de espinafre, pode colocar um marinheiro que fica fortão comendo essa verdura em um filme no cinema. Se a fabricação de um alimento der errado, pode inventar que a sua versão mofada é mais nobre. Vale tudo para resolver os problemas. Uma dessas lendas urbanas que eu mais gosto é a história do chef italiano Massimo Bottura, que deixou quebrar uma sobremesa de um cliente exigente e, sem alternativas, serviu o doce assim mesmo, mas fingiu que foi de propósito e o apresentou com o nome: "Ops, deixei cair a torta de limão". A iguaria ficou famosa mundialmente por causa disso e permaneceu por muitos anos no cardápio do premiado restaurante chamado Osteria Francescana.

As manias do 31 de dezembro revelam várias coisas. A primeira é que desejamos coisas boas. Ninguém escolhe a "cueca da virada" pensando em ter novidades ruins. Mas ela também mostra que gostamos de atalhos. Queremos o caminho mais fácil. Sonhamos em acordar ricos porque acertamos na loteria. Torcemos para um emprego novo cair do céu. Esperamos que o próximo ano seja melhor, automaticamente. Tudo causado pelo simples pensamento positivo, pelos pulos nas ondas, pelo primeiro pé a pisar no chão ou pela cor da roupa.

Somo um povo otimista. Quem trabalha com pesquisa de mercado sabe que os resultados de testes de novas ideias são sempre mais animadores no Brasil do que no resto do mundo. A gente sempre diz que compraria uma novidade se ela fosse lançada. A gente diz que tudo vai dar certo. A gente afirma que tudo vai melhorar. Eu gosto disso. Acreditar é um bom começo para fazer acontecer. O otimismo, em geral, é companheiro do esforço. Mas uma coisa é fazer bons planos e ter pensamentos esperançosos a respeito deles. E outra coisa é depender do acaso. Se você quer ter "sorte", dê chances a ela. Esteja preparado quando a oportunidade aparecer. Tenha um bom produto quando o cliente quiser comprar. Atenda bem para que ele volte. Cobre um preço justo para que ele te indique. É isso que muda o jogo.

Eu sei que não conseguimos controlar tudo. Mas isso não é desculpa para não fazermos com excelência o que está ao nosso alcance. Resultados diferentes só vêm quando fazemos coisas diferentes. Você precisa faturar mais em 2022? Ao invés de mudar a roupa, pense em como fazer os seus clientes comprarem as "calcinhas coloridas" que você vende. Planeje. Prepare-se. Invista. Peça ajuda. Trabalhe. É assim que o próximo ano virá com novidades.

Os resultados não estão como você gostaria? Não deixo apenas os meus votos de um feliz ano novo, desejo para você um feliz PLANO novo.

calcinha - Felipe Tomazelli - Felipe Tomazelli
Imagem: Felipe Tomazelli

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL