José Paulo Kupfer

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Opinião

Sinal de freio na atividade, alta nos preços dos serviços cede no IPCA-15

A marcha da inflação em outubro, medida pela variação do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15), dá indicações de que a demanda começou a perder força, depois do impulso no primeiro semestre. O recuo geral nos preços dos serviços é sinal dessa tendência, apesar de altas fortes, mas pontuais, em alguns deles.

Trava-se, na economia, neste momento, uma disputa entre os estímulos do governo à atividade — com programas de transferência de renda, aumento real do salário mínimo e retomada de obras públicas —, e a política de juros restritiva, praticada pelo Banco Central. O resultado do embate tem reflexos no ritmo de expansão da economia e nas variações de preços.

Tendência da inflação é declinante

Enquanto os estímulos à atividade perdem força, com a acomodação dos gastos sociais, e também com a dissipação dos choques de oferta positivos trazidos, no primeiro semestre, pela produção agropecuária e da indústria extrativa, a contenção da atividade, promovida pelos juros bastante elevados, embora já em fase de corte nas taxas básicas, atinge agora seu ponto máximo. A tendência resultante, mesmo com o governo mantendo políticas que injetam recursos na economia, é de recuo da inflação.

Depois da divulgação do IPCA-15 de outubro, nesta quinta-feira (26), as projeções para o restante do ano estão sendo ligeiramente revistas para baixo. Nas estimativas de Fabio Romão, economista da LCA Consultores com ampla experiência em acompanhamento de preços, o IPCA cheio de outubro mostrará avanço de 0,27%, levando a inflação, no acumulado em 12 meses, a recuar para 4,85%, depois de bater em 5,2%, no mês de setembro.

Nas previsões de Romão, os recuos em 12 meses se repetiriam em novembro e dezembro, fazendo com que a inflação em 2023 feche com alta no entorno de 4,6%, em linha com a mediana das estimativas captadas no Boletim Focus mais recente, e dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas.

Concentração de altas

Uma radiografia do IPCA-15 de outubro mostra elevada concentração nos itens que pressionaram a inflação para cima, como observou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, em relatório a clientes. A alta de mais de 23% nas passagens aéreas, item dos mais voláteis na cesta de bens e serviços do IPCA, por exemplo, foi responsável por três quartos da inflação de outubro.

Depois de contribuir, ao longo de 2023, para aliviar o bolso da população, principalmente a de renda mais baixa, os preços dos alimentos começam a sair de cena como vetores de queda da inflação. Eles continuaram em deflação, no mês de outubro, mas o ritmo de recuo tem sido gradualmente menor. Se ainda houve queda de 0,3%, no IPCA-15 de outubro, as projeções para o índice cheio do mês já são de estabilidade, em relação a setembro.

Ainda que ligeiramente mais alto do que em setembro, o índice de difusão — que mede, em termos percentuais, a quantidade de itens da cesta de produtos e serviços do IPCA que registraram alta de preço no mês — em outubro, de 47,44% (41,69% em setembro), continua bem abaixo da média histórica, de 62%. Também a média dos núcleos — medidas que excluem do índice itens com variações excepcionais ou típicas do período — retrocedeu. A alta em outubro foi de 0,22% (0,26% em setembro), sinalizando pressões menores de preços nos preços livres praticados no mercado. Em 12 meses, a média dos núcleos caiu para 4,84%, menor nível desde junho de 2021.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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