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Bolsa sobe 2,16% e dólar vai a R$ 5,762 em ansiedade por eleições dos EUA

O dólar operou em forte queda contra uma cesta das principais moedas, mas avança frente ao real - reprodução
O dólar operou em forte queda contra uma cesta das principais moedas, mas avança frente ao real Imagem: reprodução

Do UOL, em São Paulo*

03/11/2020 17h19

Em dia marcado pela ansiedade do mercado com o resultado da eleição presidencial nos EUA, a Bolsa e o dólar terminaram o dia em alta. O Ibovespa, que fechou a semana anterior com saldo negativo de 7,22%, recuperou parte das perdas e encerrou o dia a 95.979,71 pontos, uma alta de 2,16%.

Já o dólar fechou em alta de 0,42%, vendido a R$ 5,762, após leve recuo na manhã de hoje. A moeda norte-americana foi influenciada pelo apetite global por ativos de risco em meio à precificação de uma vitória democrata nas acirradas eleições dos Estados Unidos.

Para o time econômico da Guide Investimentos, os resultados são resultado de "um mercado aparentemente mais otimista [que] segue avaliando como boas as chances de uma 'onda azul', onde os democratas levam, além da presidência, a maioria nas Casas do Legislativo — fato que auxiliaria na transição mais rápida do poder e, como consequência, a aprovação mais rápida de novos estímulos econômicos na maior economia do mundo."

Ao longo do dia, o dólar operou em forte queda contra uma cesta das principais moedas, refletindo a vantagem do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, nas últimas pesquisas eleitorais. Ainda assim, a moeda norte-americana continua avançando frente à brasileira.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Cenário interno

No cenário doméstico, há cautela entre os investidores. Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, "o real está com performance aquém de seus pares emergentes em razão de preocupações com o cenário fiscal brasileiro."

A notícia de que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na véspera estar preocupado e pessimista com o calendário desorganizado do governo para as pautas que deveriam ser votadas ajudava a elevar a cautela entre os investidores locais, afirmou Rostagno.

"Nosso tempo já passou", disse Maia em live promovida pelo jornal Valor Econômico, afirmando que o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 pode ser votado até dezembro, mas o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) do próximo ano não.

Dúvidas sobre como o governo financiaria um projeto de auxílio econômico diante de um orçamento apertado têm dominado o radar dos operadores domésticos, que temem um possível furo no teto de gastos.

Também sob os holofotes está a ata da última reunião do Copom, na qual o Banco Central endureceu mensagem sobre o eventual espaço para cortar a taxa básica de juros e frisou estar atento à piora do quadro fiscal.

Estrategistas de ações entram em novembro com o prognóstico de que será mais um mês volátil na bolsa paulista, em meio ao crescimento de casos de coronavírus na Europa e EUA e a eleição norte-americana, além de desafios fiscais no Brasil.

"São uma combinação única que pode abalar os mercados no mês", observa a equipe do BTG Pactual, citando ainda eleições municipais no Brasil. Mesmo que os preços estejam atrativos, acrescentou, as incertezas também são elevadas.

* Com informações da Reuters

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