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Dólar cai a R$ 4,905 e chega ao menor valor em mais de um ano; Bolsa sobe

Junho é, de longe, o pior mês de 2021 para o dólar, que acumula perdas de 6,12% frente ao real no período - Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo
Junho é, de longe, o pior mês de 2021 para o dólar, que acumula perdas de 6,12% frente ao real no período Imagem: Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 17h21Atualizada em 24/06/2021 18h04

Emendando sua terceira queda consecutiva, o dólar voltou a se aproximar da casa dos R$ 4,90. A moeda americana fechou o dia em queda de 1,17%, cotada a R$ 4,905 na venda — o menor valor em mais de um ano, desde 9 de junho de 2020, quando encerrou a sessão aos R$ 4,888.

Junho é, de longe, o pior mês de 2021 para o dólar, que acumula perdas de 6,12% frente ao real no período. No ano, a queda é um pouco menor, de 5,47%.

Já o Ibovespa voltou a registrar alta, após dois pregões seguidos de queda. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) subiu 0,85%, aos 129.513,62 pontos — e, ao contrário do dólar, vai somando ganhos em junho, de 2,61%, e em 2021, de 8,82%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

EUA ajudaram

O desempenho do dólar hoje é uma reação dos investidores à divulgação de dados nos Estados Unidos. Mais cedo, o Departamento do Trabalho americano informou que os pedidos de auxílio-desemprego totalizaram 411 mil na semana encerrada em 19 de junho, número acima da expectativa de 380 mil apresentada em pesquisa da Reuters com economistas.

Além disso, dados separados mostraram que as novas encomendas de bens de capital nos EUA caíram inesperadamente em maio, enquanto os pedidos de bens duráveis ficaram abaixo da projeção dos mercados.

"Os dados dos EUA decepcionaram um pouco, o que ajuda a reduzir as preocupações com o superaquecimento da economia americana", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho. "Por isso, vemos as moedas emergentes [como o real] se valorizando frente ao dólar."

Recentemente, temores de que o Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) poderia promover um aperto monetário mais cedo do que o esperado têm rondado os mercados. Para ajudar a acalmar os anseios, o presidente do Fed, Jerome Powell, reafirmou nesta semana a intenção do banco de encorajar uma recuperação "ampla e inclusiva" do emprego e de não elevar os juros muito rapidamente.

No Brasil, BC agressivo

Enquanto isso, no ambiente doméstico, a perspectiva de um aperto monetário mais robusto por parte do Banco Central continuou ajudando o real. Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) promoveu a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto percentual nos juros básicos da economia (Selic), para 4,25% ao ano, e indicou a possibilidade de um aumento ainda maior em agosto.

O fato marcante é que o juro Selic está predominando na influência da formação do preço do dólar no nosso mercado. (...) Não se pode descartar que, com nova elevação do juro, haja perspectiva de incremento das operações de 'carry trade' direcionadas ao Brasil, que dão volume ao mercado financeiro, melhorando o fluxo cambial de forma pontual.
Sidnei Moura Nehme, da NGO Corretora

Citadas por Nehme, as estratégias de "carry trade" consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo e compra de contratos futuros de uma divisa de juro maior, como o real. O investidor, assim, ganha com a diferença de taxas.

(Com Reuters)

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