Bolsa sobe pelo 2º dia e volta a bater recorde; dólar cai a R$ 4,865

O Ibovespa emendou hoje sua segunda alta seguida, esta de 0,59%, e chegou aos 131.850,90 pontos — o maior patamar da história, batendo o recorde nominal alcançado ontem (18). Em dezembro, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) já saltou 3,55%.

Já o dólar caiu 0,81% e terminou o dia vendido a R$ 4,865. É o menor valor de fechamento em quase um mês, desde 20 de novembro, quando a moeda americana chegou a R$ 4,852. No mês, o dólar recuou 1,03%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

Investidores reagiram bem à ata da última reunião do Copom. O documento divulgado hoje reforçou que há necessidade de manter o ritmo atual de cortes nos juros para controlar a inflação e levá-la de volta à meta. "A postura geral permanece claramente cautelosa e o ritmo contínuo de redução tem sido entendido como prudente", disse à Reuters Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez.

Tom mais cauteloso do Banco Central favorece o real. O mercado entende que o atual ritmo de queda dos juros deixa a moeda brasileira em nível competitivo por um bom tempo. Por isso, o tom adotado pelo Copom joga a favor do real — embora o mesmo não valha para as ações, que tendem a operar melhor em meio a expectativas de uma política monetária mais flexível.

Brasil é a 9ª maior economia do mundo, segundo FMI. Dados do World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial, em tradução livre) divulgados hoje colocam o Brasil no top 10 de maiores economias do mundo, logo à frente de Canadá, Rússia e México. Na projeção, o país tem PIB (Produto Interno Bruto) estimado em US$ 2,13 trilhões em 2023.

Mercado agora espera por dados de inflação nos EUA. Caso os números de sexta-feira (22) indiquem uma nova desaceleração dos preços nos Estados Unidos, isso pode reforçar a visão do mercado de que o Fed (Federal Reserve, o BC americano) começará a reduzir os juros já no primeiro trimestre de 2024 — perspectiva que também beneficia moedas emergentes, como o real.

A ata [do Copom] reforça o recado de cautela e mostra um conforto em seguir com o ritmo de queda de 0,5 ponto percentual da taxa Selic nas próximas reuniões. A dinâmica mais benigna da inflação de serviços deve perdurar, os indicadores de atividade e de mercado de trabalho tendem a mostrar um maior arrefecimento e o ano de 2025 (...) ganhará maior peso [daqui para frente].
Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe Warren Investimentos

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O recuo evidente da inflação no mundo tem sido um dos principais fatores para uma mudança de postura dos bancos centrais, e um importante pilar de sustentação dos ativos de risco [como o real].
Dan Kawa, sócio da We Capital

(*Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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