Bolsa cai 0,36%, pressionada por tombo do Bradesco; dólar sobe a R$ 4,968

O Ibovespa caiu 0,36% e chegou aos 129.949,90 pontos, interrompendo uma sequência de duas altas seguidas. O desempenho foi puxado principalmente pelas ações do Bradesco, que tombaram 15,66% (preferenciais) e 13,5% (ordinárias). Em fevereiro, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) ainda acumula ganhos de 1,72%.

O dólar subiu 0,11% e fechou o dia vendido a R$ 4,968, depois de cair 0,38% na véspera. No mês, a moeda americana saltou 0,62% frente ao real.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

Resultados do Bradesco decepcionaram, pressionando a Bolsa. De outubro a dezembro, o banco teve lucro líquido recorrente de R$ 2,88 bilhões, abaixo do esperado por analistas. Em 2023, o lucro somou R$ 16,3 bilhões — queda de 21,2% ante 2022. O balanço fez as ações do Bradesco despencarem, e a empresa chegou a perder R$ 25 bilhões em valor de mercado.

Sem movimentações no exterior, dólar operou quase estável. Investidores repercutiram falas de dirigentes do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) e possíveis sinalizações sobre a trajetória dos juros. A diretora Adriana Kugler, de Washington, disse que está "otimista" quanto à queda da inflação, mas ponderou que o Fed precisa de mais dados antes de reduzir a taxa básica de juros.

Juros menores nos EUA costumam beneficiar o real e o Ibovespa. Isso acontece porque, com juros elevados, os investidores redirecionam recursos para o mercado de renda fixa americano, considerado muito seguro. Por outro lado, sinais de que o Fed vai começar a reduzir os juros em breve tendem a impulsionar moedas mais arriscadas, porém mais rentáveis, como o real.

O principal destaque é o Bradesco. Os resultados vieram abaixo do esperado, as projeções para 2024 não agradaram os analistas e o plano estratégico para os próximos cinco anos também deixou a desejar. Ontem [6], as ações tinham subido em torno de 5% com o possível fechamento do capital da Cielo, e hoje o Bradesco cai muito por conta dos resultados ruins.
Dierson Richetti, sócio da GT Capital

(*Com Reuters)

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