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Empreendedorismo

Loja de brinquedo educativo usa fantoche e casinha para encarar eletrônicos

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo (SP)

26/09/2013 06h00

Em meio a smartphones e tablets, que atraem cada vez mais a atenção das crianças, ainda há espaço no mercado para brinquedos educativos de antigamente, como fantoches, carrinhos de madeira, casa de boneca, dominó, quebra-cabeça e toca de índio.

Segundo dados da Abrinq (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos), dos R$ 3,87 bilhões arrecadados pelo setor, em 2012, cerca de 10% (R$ 387 milhões) vieram da venda de artigos educativos.

Na loja Verde Limão Brinquedos, em São Paulo (SP), os principais compradores de artigos educativos para as crianças são os avós, segundo a proprietária Dora Farano Casimiro Costa, 47.

“Os avós ficam encantados porque os brinquedos lembram os que eles tinham na infância”, declara.

De acordo com a empresária, depois dos avós, os que mais compram artigos educativos são os tios e madrinhas e, por último, os pais. “Ainda há uma preferência por brinquedos eletrônicos ou movidos a pilha na escolha dos pais”, diz.

A loja foi aberta em 2007. Na época, Costa afirma ter investido, aproximadamente, R$ 50 mil. Os itens mais vendidos são fantoches, livros, pião de lata, casas de boneca e toca de índio, feita com bambu. Os preços variam de R$ 14 a R$ 600.

Por mês, a empresa vende, em média, 500 brinquedos. O faturamento não foi informado.

Já na loja Tró-ló-ló, na capital paulista, os brinquedos mais procurados são os feitos de madeira, como carrinhos, caminhões e trenzinhos. Os preços variam de R$ 35 a R$ 150, dependendo do produto.

A empresa começou suas atividades em 1979. Na época, a Tró-ló-ló apenas vendia brinquedos educativos. Pouco tempo depois, o dono da loja, Horácio Massoni, 65, resolveu abrir uma fábrica e começar a produzir suas próprias peças.

Mas, em 2008, ele decidiu que suspender a produção e ficar apenas com a loja seria mais rentável para o negócio.

"No Brasil, há muitos encargos para se manter uma indústria. Além disso, a concorrência no mercado é alta e decidimos que seria melhor manter apenas a loja", diz Massoni. Os valores de faturamento e investimento inicial não foram revelados.

Empresa investe em brinquedos ecológicos

A Bate Bumbo, fabricante de brinquedos educativos em Guarulhos (a 16 km ao norte de São Paulo), desenvolveu uma linha de brinquedos feitos em papelão reciclável, como jogo da memória, dominó e quebra-cabeça, para chamar a atenção dos pais.

“O apelo ecológico do produto já introduz a importância da preservação ambiental para as crianças desde cedo. É um diferencial já que, hoje, o tema sustentabilidade está em alta no mercado”, diz o proprietário Homero Augusto Dela de Souza, 43.

Segundo o empresário, a linha ecológica, junto com os brinquedos magnéticos, são o carro-chefe do fábrica, criada em 1998. O investimento inicial não foi informado.

O negócio, no entanto, enfrenta sazonalidade. De acordo com Souza, a produção mensal varia de 15 mil a 25 mil brinquedos, dependendo da época do ano. Consequentemente, o faturamento também sofre variações entre R$ 300 mil e R$ 600 mil por mês.

“O segundo semestre é a melhor época porque temos o Dia das Crianças, em outubro, e o Natal, em dezembro. No restante do ano, as vendas caem bastante”, declara.

Preço baixo favorece a compra de artigos educativos

Para o presidente da Abrinq, Synésio Batista da Costa, os brinquedos educativos são bastante significativos para o setor. Uma vantagem em relação a outros brinquedos mais sofisticados, segundo ele, é que alguns itens são mais baratos e dificilmente os pais resistem à compra.

Por outro lado, o presidente da Abrinq diz que a maioria dos artigos educativos é para crianças de até 7 anos, o que pode limitar o público-alvo. “A partir dessa idade, a criança prefere consumir produtos mais sofisticados.”

Todo produto infantil, obrigatoriamente, precisa ser certificado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), de acordo com Costa. O passo a passo para obter a certificação pode ser consultado no site da entidade.

Importados acirram concorrência no setor

A concorrência na indústria de brinquedos é alta. O setor, além de competir com as empresas nacionais, sofre diretamente com o peso de artigos importados, principalmente da China. Segundo a Abrinq, 55% dos artigos vendidos no país no ano passado vieram do exterior.

Para o consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), Ricardo Curado, uma alternativa para ganhar espaço no mercado é tentar encantar os pais.

“Por mais que a criança peça um brinquedo, a decisão final é dos pais. Para chamar a atenção deles é preciso mostrar que tipo de aprendizado e benefícios o produto proporciona para os filhos”, diz.

Produtos tecnológicos despertam maior interesse

Segundo o consultor em finanças e professor da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Marcos Crivelaro, os brinquedos eletrônicos e os aparelhos tecnológicos chamam mais a atenção da crianças.

"Se os pais levarem os filhos a uma loja e pedirem para eles escolherem entre um brinquedo educativo e um que tenha luzes, movimentos e sons, eles provavelmente optarão pelo segundo", diz.

De acordo com o professor, para despertar o interesse dos pequenos para os brinquedos educativos, o empresário deve repensar a divulgação do produto.

No site da empresa, por exemplo, podem ser colocados vídeos de crianças brincando com aquele objeto e uma explicação sobre a origem do brinquedo.

"As lojas e as fábricas devem se posicionar como vendedoras de cultura inspirando-se no nosso folclore ou adotarem um posicionamento ecológico, utilizando madeira de reflorestamento e materiais recicláveis", afirma Crivelaro.

Brinquedos educativos estimulam a imaginação

Para a professora do curso de pedagogia da Universidade São Judas Tadeu Zenaide Caciare Pereira, quanto menos sofisticado um brinquedo é, mais ele estimula a criatividade e a imaginação das crianças.

“Quem dá ‘vida’ a uma boneca de pano é a criança. Ela terá de imaginar a boneca chorando, sorrindo, com fome e todo o resto. Quando o brinquedo faz tudo sozinho, sobra pouco espaço para usar a imaginação”, afirma.

Segundo a professora, falta aos pais o hábito de dar brinquedos educativos aos filhos.

“A criança quer o que aparece na mídia, ou seja, os brinquedos mais sofisticados e tecnológicos. Os pais é quem devem estimular os filhos a brincarem também com objetos mais simples e a usarem a criatividade”, declara.

Onde encontrar:

Bate Bumbo: rua Ângela Kube, 188, Picanço, Guarulhos (SP). Fone: (11) 2453-5677. Site: www.batebumbobrinquedos.com.br
Verde Limão Brinquedos: rua Pio XI, 2.312, Alto de Pinheiros, São Paulo (SP). Fone: (11) 3831 2641. Site: www.verdelimaobrinquedos.com.br
Tró-ló-ló Brinquedos: rua Coriolano, 1.922, Lapa, São Paulo (SP). Fone: (11) 3871-3952. Site: www.trololo.com.br

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