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Engenheiro cria carroça elétrica para catador de recicláveis e funerária

Divulgação
O Cavalo de Lata possui baterias recarregáveis, tem capacidade para 500 kg e atinge até 25 km/h Imagem: Divulgação

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

03/10/2013 06h00

Incomodado com o sofrimento de cavalos que puxam carroças de catadores em sua cidade, Santa Cruz do Sul (RS), o engenheiro de produção Jason Duani Vargas, 33, desenvolveu um carrinho elétrico de alumínio para substituir os animais nesta tarefa.

O veículo, batizado de Cavalo de Lata, está em fase final de testes e deve custar R$ 20 mil. Ele é parecido com uma carroça tradicional, mas possui um motor elétrico com quatro baterias recarregáveis em tomadas comuns, que dão uma autonomia de até 60 quilômetros, além de volante e pedais de acelerador e freio.

O engenheiro já está negociando a venda para cooperativas de catadores de material reciclável, já que elas recebem subsídios para a compra de equipamentos. Prefeituras também são clientes potenciais, pois os municípios que incluem catadores na gestão de resíduos passam a ter prioridade na destinação de recursos do governo federal.

Vargas também já foi procurado por donos de carrinhos de cachorro quente e empresas funerárias. Segundo ele, o carro é adaptável, por isso, deve atender a vários setores. 

Para desenvolver o Cavalo de Lata, ele investiu R$ 60 mil. “A expectativa é que a produção comercial do carrinho comece nos próximos dois meses. Já tenho um acordo com a cooperativa de Santa Cruz do Sul para a aquisição das primeiras unidades”, afirma.

Veículo atinge 25 km/h e tem capacidade para 500 quilos

Segundo o engenheiro de produção, enquanto uma carroça tradicional tem capacidade para carregar 300 quilos, o Cavalo de Lata consegue transportar até 500 quilos.

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    Veículo possui luzes de segurança

“O objetivo é criar algo útil e que possa facilitar a vida do catador. O veículo é parecido com um carrinho de golfe, não tem marcha e a velocidade máxima que atinge é de 25 km/h, por questões de segurança.”

O projeto também inclui cintos de segurança nos bancos dos dois passageiros, retrovisores e iluminação.

Vargas afirma que o Brasil ainda não possui legislação para veículos elétricos, por isso, não é necessário carteira de motorista. No entanto, ele diz que já encaminhou o projeto ao Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e aguarda posicionamento do órgão, embora isso não paralise os testes e a produção.

Anúncios no carrinho podem aumentar renda do catador

O Cavalo de Lata começou a ser desenvolvido em 2011. Ele procurou a cooperativa da cidade para entender quais são as reais necessidades dos catadores e lançou o primeiro protótipo em dezembro de 2012. Com o aprimoramento da ideia, ele incluiu a venda de anúncios no carrinho, para aumentar a renda do catador.

A iniciativa do engenheiro, de buscar informações na cooperativa de catadores da cidade, é fundamental para quem quer inovar, segundo Adriano Augusto, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo).

“Para identificar oportunidades, é preciso estar atento ao que acontece à sua volta. Porém, não basta ter uma boa ideia e não colocá-la em prática ou não ter clientes que paguem por ela”, diz.

Ele diz que o Cavalo de Lata tem muito apelo comercial, pois atende a necessidade de um nicho específico, além de proporcionar uma contribuição social e ambiental.

“Apesar de o cliente final, o catador, não ter condições financeiras para comprar o produto, o empreendedor encontrou uma maneira de chegar até ele por meio das cooperativas organizadas, o que é muito bom para a sociedade, já que ajuda o catador, e para o ambiente, pois reduz a quantidade de lixo que vai para aterros”, declara Augusto.

Alto custo e informalidade são pontos negativos do segmento

Apesar de considerar a ideia boa, o consultor do Sebrae afirma que se o produto não for colocado no mercado cuidadosamente, pode fracassar, já que tem alto custo e irá enfrentar grande concorrência.

“Este é um segmento antigo, pois o lixo existe desde sempre. Também há muita informalidade, pois nem todos os catadores possuem capacitação suficiente para fazer parte de cooperativas, o que dificulta o acesso deles ao veículo.”

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