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Seu seguro-desemprego dura no máximo 5 meses; procure trabalho antes disso

Thâmara Kaoru

Do UOL, em São Paulo

Quem foi demitido sem justa causa e está recebendo o seguro-desemprego deve lembrar que o benefício dura entre três e cinco meses. Já o tempo para conseguir uma nova vaga no mercado de trabalho pode demorar muito mais do que isso.

Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) entre novembro e dezembro do ano passado mostrou que o tempo médio de desemprego chegava a um ano e dois meses em 2017. A recomendação de especialistas, portanto, é de não esperar o seguro-desemprego acabar para começar a busca por um novo trabalho.

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É difícil se recolocar logo

"A orientação é que a pessoa não espere. Se começar a se organizar apenas depois que o seguro acabar, mesmo que dê muita sorte de conseguir um emprego logo, só o tempo de preparar e enviar o currículo já pode fazer a pessoa ficar um mês descoberta, sem salário. É difícil imaginar que todo mundo vai conseguir se recolocar logo de cara", disse Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Para Carolina Silva, coordenadora de recrutamento e seleção da Luandre, o seguro-desemprego é um recurso de suporte, para atender necessidades básicas. "Algumas pessoas podem pensar: 'vou ganhar um salário de R$ 1.000, mas estou recebendo R$ 1.000 de seguro-desemprego. É melhor ganhar R$ 1.000 sem fazer nada do que trabalhando'. Isso é uma armadilha. É preciso pensar em um prazo maior." 

O seguro-desemprego é pago em parcelas, de três a cinco. O número de parcelas varia de acordo com a quantidade de meses trabalhados antes da demissão e se o trabalhador já havia recebido o benefício anteriormente. O valor também pode ser diferente do que o profissional ganhava quando estava empregado. Em 2018, o valor das parcelas vai de R$ 954 a R$ 1.677,74.

Veja o que fazer se foi demitido e está recebendo seguro-desemprego:

Atualize o currículo já

Salvo os casos de pessoas que já estavam planejando ficar um tempo fora do mercado de trabalho, as especialistas recomendam atualizar o currículo logo após a dispensa da empresa e começar a procurar um novo emprego.

"Coloque nas redes sociais, atualize seu perfil no LinkedIn, acione sua rede de contatos, mande seu currículo atualizado para empresas e busque sites de recrutamento. Se está desempregado, é possível aproveitar fontes gratuitas. Se tiver dinheiro para investir, você pode usar sites pagos", disse Carolina.

Não tenha vergonha de dizer que está desempregado

Profissionais que acabaram de perder o emprego podem ter vergonha de compartilhar essa informação com amigos. "Não tenha vergonha por estar disponível no mercado de trabalho. Muitos ficam constrangidos em dizer que estão procurando emprego e acabam não utilizando uma rede riquíssima que são seus próprios contatos", afirmou Carolina.

Marcela concorda. "Não precisa ter vergonha. Avisar que está procurando emprego pode ser a forma de alguém lembrar de você para uma vaga."

Pense em aceitar uma vaga diferente

Pode valer a pena pensar em atuar em outras áreas para garantir um dinheiro no final do mês. "O mercado de trabalho ainda não se recuperou. Pode ser uma boa ideia aceitar um trabalho que não é o que você considera ideal, mas que vai ajudá-lo a se reinserir no mercado. Além disso, você começa a fazer novos contatos e desenvolver novas habilidades", disse Marcela.

Carolina afirmou que os recrutadores já estão com uma sensibilidade maior para aceitar candidatos com um tempo fora do mercado por causa do cenário econômico, mas que vale a pena destacar o que o profissional fez nesse período sem emprego.

"Não é um problema dizer que o mercado está difícil. O número de profissionais sem emprego está superior ao número de vagas disponíveis. Mas vale contar o que esse candidato fez ao longo desse período. Tentou mandar currículo, chegou à fase final de um processo seletivo, optou por descansar porque se organizou e tinha condições de ficar um tempo fora do mercado. Isso deve ser compartilhado com o recrutador."

Não descarte trabalhos temporários ou bicos

Pode acontecer de, enquanto estiver esperando a vaga ideal, aparecer algum bico. "Há pessoas que pensam que só porque é temporário não devem aceitar. Mas é melhor fazer isso e pagar as contas do que ficar esperando algo permanente. Há muitas chances de o temporário virar permanente e, além disso, você pode aproveitar para se relacionar com as pessoas. Mesmo que não consiga ficar naquela posição, podem indicar você para outra coisa depois", disse Marcela.

Para ela, essas experiências extras também contam em processos seletivos. "Na hora de passar por uma entrevista, você pode dizer que não ficou parado por não encontrar um emprego na sua área e que aceitou fazer outra coisa, está correndo atrás."

Cursos podem ser opção

Marcela orienta os profissionais a fazer cursos. "Durante esse período parado, é possível fazer um curso para não ficar sem nenhuma atividade. Às vezes, exige dinheiro, mas hoje em dia há muitos cursos pela internet que são de graça. Na hora de passar por uma seleção, dá para dizer ao recrutador que tentou fazer um curso e desenvolver novas competências."

Ajuste seu estilo de vida

Ao ser demitido sem justa causa, o trabalhador recebe verbas trabalhistas e pode acabar usando o dinheiro sem pensar. "O profissional recebe o dinheiro do FGTS, aviso prévio, consegue um valor razoável, mas não procura emprego antes de esse dinheiro acabar. Mesmo que pareça um dinheiro razoável, é preciso tentar adequar seu padrão de vida para esse momento, caso não consiga emprego no tempo que imagina. É preciso racionar e não sair gastando tudo", disse Marcela.

Para ela, é preciso pensar em uma reserva de emergência. "O ideal seria que todos tivessem uma reserva de emergência. Deveriam guardar pelo menos o equivalente a seis meses de gastos. Essa reserva mais o valor que recebe quando é mandado embora sem justa causa devem ser suficientes para que o profissional consiga se manter até se recolocar no mercado."

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