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Quais as principais criptomoedas além do bitcoin? Como investir?

Entenda tudo sobre as criptomoedas, como o bitcoin - Reprodução
Entenda tudo sobre as criptomoedas, como o bitcoin Imagem: Reprodução

Iara Schiavi

Colaboração para UOL

31/03/2021 04h00

As criptomoedas já são uma realidade: só o bitcoin alcançou valor de mercado de mais de US$ 1 trilhão em 2021. No entanto, elas ainda despertam desconfiança e dúvidas sobre como funcionam.

Para explicar o que são as criptomoedas, como a tecnologia funciona, potenciais e limitações desse ativo o UOL Economia conversou com Edemilson Paraná, professor de sociologia da Universidade Federal do Ceará e da Universidade de Brasília e autor do livro "Bitcoin: a Utopia Tecnocrática do Dinheiro Apolítico", e também com Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A seguir saiba tudo sobre criptomoedas.

Criptomoeda: o que é e muito mais

O que são e como funcionam as criptomoedas?

As criptomoedas consistem em ativos digitais descentralizados produzidos e comercializados usando criptografia. Isso garante quase o total anonimato dos usuários. As operações são baseadas na tecnologia blockchain, que consiste em um registro distribuído, público, aberto e auditável, de forma que uma alteração indevida pode ser revertida, evitando fraudes.

Para entrar em circulação, o bitcoin precisa ser encontrado dentro da Internet. A criptomoeda fica escondida em forma de códigos. Para descobrir, pessoas e empresas em vários lugares do mundo atravessam dias e noites seguidos em computadores ligados, minerando esses códigos (como se fosse ouro).

Os membros da rede que mineraram a moeda digital podem, posteriormente, comercializá-las no mercado financeiro e fazer compras em locais que aceitam as criptomoedas, entre outras transações econômicas.

As criptomoedas ficam armazenadas em carteiras virtuais criadas quando o usuário ingressa na rede, mas elas também podem ser mantidas em pen-drives, por exemplo.

Como surgiram as criptomoedas?

A primeira e mais conhecida das criptomoedas é o bitcoin, que surgiu em 2009. Apesar de a criação do bitcoin ser atribuída a Satoshi Nakamoto, trata-se de um codinome, sendo a identidade real do criador desconhecida.

O bitcoin é um software de código aberto que pode ser aprimorado pela comunidade, desde que não sejam feitas alterações que violem a lógica inicial do sistema. Membros de todo o mundo podem auditar as transações. As demais criptomoedas seguem a mesma lógica.

Quais são as principais criptomoedas?

O bitcoin permanece como a principal criptomoeda. Em seguida, está a plataforma Ethereum.

Na sequência estão às moedas alternativas ao Bitcoin como USDT, Litecoin, XRP, Cardano, Stellar, Dogecoin, Bitcoin Cash, Monero, NEM, Tezos e outras

Há mais de 2.000 criptomoedas em operação no mercado atualmente, incluindo iniciativas brasileiras como B2U Coin, Bitblocks, Niobiocash, WibX e CriptoBRL.

Qual a diferença entre as criptomoedas e o dinheiro comum?

Com as criptomoedas é possível fazer operações financeiras, investimentos, compras e vendas. No entanto, elas não podem ser classificadas como dinheiro no sentido tradicional. Para o professor Edemilson Paraná, as criptomoedas podem ser entendidas como inovações financeiras.

As diferenças em relação ao dinheiro clássico são fatores político-regulatórios, aspectos econômico-monetários e funcionamento tecno-operacional.

Alguns elementos que se destacam nas criptomoedas são o anonimato das transações, a descentralização operacional, a falta de regulação ou supervisão por parte de países também a baixa adesão social, até o momento.

Outra diferença importante é que o dinheiro comum sofre influência social: a cotação é influenciada por fatores políticos, velocidade de emissão, inflação, entre outros. As criptomoedas funcionam exclusivamente na lógica de oferta e demanda econômica. Seu valor sobe conforme a procura aumenta e cai se ela diminuir, sem outras interferências.

Como funciona o blockchain que dá base à estrutura das criptomoedas?

Uma das principais dúvidas em relação às criptomoedas é se elas são seguras. A confiança nos ativos digitais baseia-se no uso do blockchain. Trata-se de um registro público com o histórico de todas as transações realizadas desde o início do sistema.

Para que uma nova informação seja adicionada e, portanto, uma transação autorizada, ela precisa ser imediatamente verificada e confirmada pelo bloco anterior de informação e, consequentemente, todos os anteriores simultaneamente.

Por isso é necessário sempre mais poder computacional para o processamento, pois a complexidade da corrente está sempre aumentando.

O que acontecerá com o bitcoin quando ele chegar ao limite de emissões?

Um dos elementos que mais geram dúvidas em relação ao bitcoin é o fato de que, no documento de criação da criptomoeda, há uma regra no sistema com o limite de 21 milhões de emissões. Até março de 2021, foram 18,9 milhões de emissões.

O que ocorre é que a mineração de bitcoin demandará cada vez mais poder de processamento computacional, tornando-se mais difícil. O objetivo da regra é produzir uma escassez artificial, para valorização.

Ainda há muita incerteza sobre o que pode ocorrer com a criptomoeda quando esse limite for alcançado, mas de acordo com Paraná a previsão é que esse limite só seja alcançado no ano de 2.140.

O que explica a valorização do bitcoin em 2020?

Em 10 de março de 2020, a cotação estava em US$ 7.875,54. Saltou para US$ 55.916,30 em 10 de março de 2021 (alta de 610%).

Diferentes causas podem explicar a valorização. Edemilson Paraná fala de dinheiro sobrando no sistema financeiro e incertezas quanto ao futuro da economia mundial por causa da covid-19.

Para Ricardo Teixeira, a pandemia também foi um fator determinante. Uma criptomoeda é independente do que acontece com as moedas nacionais e o PIB (Produto Interno Bruto) de cada país.

Além desses fatores, as grandes compras de Bitcoin, como a feita pelo bilionário Elon Musk, também explica esse movimento.

O que explica o crescimento de outras criptomoedas também?

Assim como o bitcoin, outras criptomoedas também apresentaram valorização no último ano. A insegurança econômica motivada pela pandemia influenciou essa expansão.

O incentivo de bilionários também está por trás desse aumento. A Dogecoin, criptomoeda que nasceu inspirada em meme, valorizou mais de 1.500% entre 27 e 29 de janeiro, justamente quando Elon Musk fez um tuíte que foi interpretado na internet como apoio à criptomoeda.

Também está havendo ampliação das empresas de tecnologia na área, corretoras, mineradores, especuladores e outros.

Quais os benefícios e riscos relacionados às criptomoedas?

Para Ricardo Teixeira, o benefício mais importante é não ter lastros sociais e políticos, de forma que apenas o interesse de mercado influencia a valorização ou desvalorização do ativo.

No entanto, essa mesma característica é responsável pela não-regulação por parte dos países. As criptomoedas são mais instáveis e não há garantia de devolução do dinheiro.

Entre os riscos, Teixeira destaca que a tecnologia é segura, mas já existem casos de hackers que roubaram valores em criptomoedas.

Segundo ele, por ser um ativo novo e que não se sabe como vai se comportar no futuro trata-se de um investimento de risco de médio para alto.

Como começar a investir em bitcoin e outras criptomoedas?

Como é investimento de renda variável e diferente do tradicional, Ricardo Teixeira diz que é preciso se informar muito bem.

Algumas informações que precisam ser compreendidas antes de investir, entre outras:

  • O que é uma criptomoeda?
  • Quais as opções de criptomoedas?
  • Quais têm potencial para valorização?

Recomenda-se que o investimento seja feito por intermédio de uma corretora que trabalhe com criptomoedas, pois ela poderá apresentar uma série de opções com avaliações especializadas sobre o potencial de cada uma.

Como está o processo de regulamentação das criptomoedas no Brasil?

As operações realizadas com criptomoedas não são controladas pelos Bancos Centrais dos países, incluindo no Brasil.

Existe um processo de regulamentação no Brasil, mas ainda em estágio bastante inicial, com discussão no Congresso Nacional e também como objeto de notas técnicas, análises e normativas incipientes para efeitos de classificação, tributação e acompanhamento por parte de Banco Central, Receita Federal e Comissão de Valores Mobiliários.

Qual o futuro das criptomoedas?

É difícil prever o que vai acontecer. Edemilson Paraná diz que o futuro é incerto, mas vê como tendência que as criptomoedas sejam mais usadas para funções que já desempenham atualmente, como ocultação de riqueza, realização de transações econômicas sem acompanhamento de autoridades e como um ativo especulativo de alto risco para ganhos de curto prazo.

Além disso, ambos especialistas veem uma tendência à experimentação estatal e social. Para Ricardo Teixeira, os Estados nacionais devem lançar suas próprias moedas digitais futuramente, competindo com as atuais versões e talvez substituindo algumas transações com o dinheiro nacional, mas ainda não há clareza se o caráter descentralizado e a ausência de lastros seriam mantidos nesse modelo.