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Conheça opções além da poupança para garantir o futuro de seu filho

Sophia Camargo

Do UOL, em São Paulo

22/05/2014 06h00

Quando nossos pais nasceram, nossos avós não tinham dúvidas: abrir uma caderneta de poupança era uma ótima maneira de fazer um pé-de-meia para o filho.

Hoje, a resposta não é tão simples assim. Acumular dinheiro para pagar a faculdade ou comprar o primeiro carro para o filho são tarefas que exigem planejamento e estratégia.

Para ajudar os pais, o UOL consultou três especialistas: a planejadora financeira certificada pelo IBCPF (Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros) Letícia Camargo; o educador financeiro Mauro Calil, da Academia do Dinheiro, e Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper.

"As opções de investimento vão bem além da caderneta, que só é escolha para quem não conhece nada de finanças", afirma Viriato.

Cálculos do professor mostram que uma única aplicação de R$ 1.000, resultaria, depois de 10 anos, num valor de R$ 1.985,60 se o valor tivesse sido investido na poupança; R$ 2.257,00 se a opção fosse um fundo DI, e R$ 2.392,30 se o depósito fosse num VGBL, considerando-se uma taxa de administração de 1% para o DI e o VGBL.

Quanto rendem R$ 1.000 em 10 anos

  • Poupança - R$ 1.985,60

    Isenta de IR e taxa

  • Fundo DI - R$ 2.257,00

    Taxa de administração de 1% ao ano; IR: 15%

  • VGBL - R$ 2.392,30

    Taxa de administração de 1% ao ano; IR: 10%

"O primeiro passo é ter uma meta", diz o professor. "Se os pais não tiverem clara a finalidade para a qual estão poupando, a chance de usar esse dinheiro antes do tempo com outros objetivos é grande."

Uma dica do educador Mauro Calil é fazer o investimento no CPF do filho. "Isso cria uma barreira psicológica que impede o pai de usar a economia da criança para ele", diz.

Investir até 100% em ações

Como se trata de investir para uma criança, o tempo está a favor. "Com crianças, é possível adotar estratégias de maior risco para obter uma rentabilidade maior também", diz Mauro Calil. "Para uma criança de 0 a 7 anos, aconselho investir 100% em ações. Depois, ir mesclando com outros investimentos até os 15 anos."

Quando o adolescente chegar nessa idade, o consultor aconselha a diminuir a exposição ao risco, pois o prazo para atingir o objetivo está próximo (18 anos). A opção é buscar uma renda fixa mais atraente como LCI e Tesouro Direto.

Letícia Camargo, do IBCPF, declara que antes de os pais investirem em algo para os filhos é preciso que eles já tenham construído seu próprio patrimônio.

"Ter ao menos uma casa própria e uma poupança para a aposentadoria também é poupar para os filhos, pois se os pais não tiverem condições de se sustentar na velhice, os filhos terão de fazê-lo", diz.

Veja no quadro abaixo quais são os investimentos indicados pelos economistas para fazer o pé-de-meia do filho.

Escolha a aplicação para a poupança do seu filho

  • Stockbyte/Getty Images

    Ações

    Ações são investimentos indicados para o longo prazo. Por esse ponto de vista, quem tem mais tempo que as crianças? A dica é entrar em um fundo de ações para evitar o trabalho de escolher os papéis e escolher um que pague dividendos. É importante investir todo mês, pois só assim os resultados aparecem. Três anos antes do resgate, concentre os investimentos em renda fixa para não correr riscos

  • Thinkstock

    Caderneta de poupança

    Apesar da vantagem de não ter taxa de administração nem incidência de Imposto de Renda, não é considerada pelos especialistas uma boa opção para acumular dinheiro para os filhos pela baixa rentabilidade. Letícia Camargo sugere apenas para o início do período de acumulação

  • Shutterstock

    CDBs

    Até R$ 999 para aplicar, procure um CDB que remunere o investimento em 95% do CDI. Bancos menores pagam isso, afirma Mauro Calil. O Fundo Garantidor de Créditos garante até R$ 250 mil investidos por CPF.

  • Shutterstock

    LCA e LCI

    A partir de R$ 1.000, é possível fazer aplicações em LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) ou LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) que pagam cerca de 90% do CDI. Como sobre esses papéis não incide IR, a aplicação rende, na prática, 106% do CDI, afirma Mauro Calil. Tem prazo mínimo para sacar, conforme cada contrato, indo de 60 dias a 36 meses

  • Ryan McVay/Getty Images

    Previdência privada

    A taxa de administração deve ficar abaixo de 1% ao ano e os pais devem negociar para não pagar taxa de carregamento, que 'come' um pedaço da aplicação. O PGBL é bom para quem faz a declaração de IR completa. Já o VGBL só cobra IR sobre os rendimentos. Se escolher a tributação regressiva, o IR pode cair para 10% após 10 anos. Mas, se sacar antes de 2 anos, o IR é de 35%.

  • Shutterstock

    Tesouro Direto

    A partir de R$ 30, é possível investir em títulos do governo que acompanham a taxa de juros básica da economia, que pagam juros mais inflação (ver abaixo) e que pagam uma taxa de juros combinada anteriormente. É o chamado Tesouro Direto. Viriato considera uma alternativa mais atraente que a poupança

  • Shutterstock

    Títulos indexados à inflação

    O Tesouro Nacional emite NTN-Bs, que são títulos que pagam, no vencimento, um rendimento fixo mais a inflação. Para fazer a poupança do filho, a sugestão de Michael Viriato é comprar papéis que vão vencer quando ocorrer o resgate. Dessa forma, o investidor foge da chamada marcação a mercado, que faz o preço oscilar bastante e pode assustar os mais inexperientes