Saiba como calcular a taxa de juros 'escondida' no valor do IPVA ou do IPTU

Do UOL, em São Paulo

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Na hora de decidir se vale a pena pagar à vista ou parcelar o IPVA e o IPTU é preciso fazer contas. E não basta fazer uma divisão simples.

Antes de tudo é preciso ter em mente que não existe nenhum tipo de financiamento ou parcelamento sem juros. Os juros sempre estarão embutidos, ou escondidos, no valor final. 

Portanto, é preciso descobrir de quanto são esses juros escondidos no IPVA e no IPTU para poder comparar com a taxa cobrada em empréstimos ou com a rentabilidade de aplicações.

IPVA

No Estado de São Paulo, quem paga o IPVA à vista tem desconto de 3%. Outra opção é parcelar em até três vezes, sem desconto.

Vamos usar como exemplo um veículo cujo IPVA oficialmente seja de R$ 900. Ele pode ser pago à vista com desconto (R$ 900 - 3% = 873) ou em três parcelas de R$ 300 cada.

Como não há parcelamento sem juros, podemos afirmar que esse total de R$ 900 tem juros embutidos. Logo, o valor real do IPVA, sem juros escondidos, é de R$ 873.

Se o contribuinte optou pelo parcelamento, ele deve fazer o primeiro pagamento em janeiro, de R$ 300.

Considerando o valor real do IPVA, sem juros escondidos, faltaria ele pagar R$ 573 (R$ 873 - R$ 300 = R$ 573). Esse, portanto, é o valor que ele vai financiar. Portanto, o cálculo dos juros é feito em cima desses R$ 573.

Para calcular os juros embutidos, não basta fazer uma conta simples de divisão ou multiplicação. É preciso usar uma calculadora financeira, um programa como Excel ou um simulador, como esse do Banco Central: http://zip.net/bml1xC (endereço encurtado e seguro).

Para o cálculo, considera-se: 

  • que o valor a ser financiado é de R$ 573;
  • que o valor de cada parcela é R$ 300;
  • e que o total de parcelas é 2 (a primeira já foi paga).

Efetuando o cálculo, obtém-se que a taxa de juros é de 3,13% ao mês (ao mês porque o cálculo feito considera o tempo medido em meses: 2 meses).

Nesse caso, vale tirar o dinheiro do investimento para pagar o IPVA à vista se a rentabilidade for inferior a 3,13% ao mês. Para quem não tem o dinheiro, vale a pena fazer um empréstimo se a taxa de juros for menor que 3,13% ao mês.

IPTU

Para o IPTU, a lógica é a mesma. A diferença é que os pagamentos à vista têm um desconto maior, de 5%, e o parcelamento pode ser em até dez vezes.

Considere, por exemplo, um IPTU de R$ 1.000. Se for pago à vista, sairá por R$ 950 (R$ 1.000 - 5% = R$ 950). Logo, podemos considerar que R$ 950 é o valor do IPTU sem juros embutidos.

Se for parcelado em dez vezes, cada parcela será de R$ 100. 

Se o contribuinte optou pelo parcelamento, ele deve fazer o primeiro pagamento em fevereiro, de R$ 100.

Considerando o valor real do IPTU, sem juros escondidos, faltaria ele pagar R$ 850 (R$ 950 - R$ 100 = R$ 850). Esse, portanto, é o total a ser financiado. Portanto, o cálculo dos juros é feito em cima desses R$ 850.

Para o cálculo, considera-se:

  • que o valor a ser financiado é de R$ 850;
  • que o valor de cada parcela é R$100;
  • e que o total de parcelas é 9 (a primeira já foi paga).

Efetuando o cálculo, obtém-se que a taxa de juros é de 1,16% ao mês (ao mês porque o cálculo feito considera o tempo medido em meses: 9 meses).

Nesse caso, vale tirar o dinheiro do investimento para pagar o IPTU à vista se a rentabilidade for inferior a 1,16% ao mês. Para quem não tem o dinheiro, vale a pena fazer um empréstimo se a taxa de juros for menor que 1,16% ao mês.

As orientações são de Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

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