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Eleições 2016 nos EUA

Trump ganhou: o que acontece com dólar, Bolsa, investimentos e seu emprego?

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Toru Hanai/Reuters

A perplexidade do mercado diante da vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas levou as Bolsas a caírem pelo mundo e o dólar a subir. O que vai acontecer agora com as cotações da moeda americana, a Bolsa, os seus investimentos e o seu emprego?

O pessimismo não deve durar muito, afirmam quatro analistas ouvidos pelo UOL: Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest; André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos; Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper; e Roberto Indech, analista da Rico Corretora.

"Havia uma expectativa nos mercados, e ela foi revertida. No curtíssimo prazo, o mercado reajusta os preços e se estressa, mas isso deve passar logo", diz Calil. "Devemos ter outro estresse quando ele assumir de fato, mas ele já foi mais conciliador hoje em seu discurso."

Para André Perfeito, há a possibilidade de que Trump presidente seja péssimo para o Brasil, caso ele decida fechar o mercado americano, mas é impossível dizer isso agora. "Não sabemos se o Trump eleito é um personagem ou é assim mesmo", afirma. "De uma maneira geral, o mundo ficou pior. Ainda não sabemos se ele é esse misógino [no sentido de que desrespeita mulheres] ou só um playboy da década de 80 que ganhou a eleição."

Efeitos no Brasil

Para Ricardo Rocha, a eleição do republicano pode até ser benéfica para o Brasil. "Historicamente, nossas relações comerciais com republicanos são melhores porque eles são menos intervencionistas", diz.

Roberto Indech acha que a eleição de Trump não altera significativamente nada no mercado brasileiro. "O cenário interno está preocupando mais: seremos muito mais afetados caso a PEC dos gastos não passe no Senado. Aí sim veremos dólar subir e Bolsa cair pra valer", diz.

Veja a opinião dos analistas em relação aos seguintes temas:

INVESTIMENTOS

Thinkstock

A renda fixa continua a ser o porto seguro dos investimentos, pois a taxa de juros está elevada e o ganho real (descontado a inflação) está na casa de 6% ao ano, segundo Roberto Indech.

Tesouro Direto

Os papéis do Tesouro Direto são os mais indicados para quem quer segurança. O Tesouro Selic deve continuar como a melhor opção para quem tem necessidade do dinheiro no curto prazo, diz Rocha. Ele rende 100% da taxa Selic.

Para quem quer garantir o poder de compra no futuro, Indech recomenda investir nos papéis do Tesouro IPCA, que rendem a inflação mais uma taxa de juros. Porém, nesse caso, a aplicação deve ser mantida até o final do prazo para garantir a rentabilidade. Se retirar antes, pode perder dinheiro. 

Poupança

A rentabilidade da poupança deve empatar com a inflação no ano, mas não é indicada como um investimento interessante. Segundo Indech, de janeiro a outubro desse ano, a poupança rendeu 6,9% enquanto o Tesouro Selic pagou 9,3%, se considerar o desconto de IR neste período (20%), uma diferença de 35% na rentabilidade. No mesmo período, a inflação pelo IPCA foi de 5,82%. 

Para Ricardo Rocha, a poupança só é melhor do que deixar o dinheiro parado em conta-corrente. "É melhor ter poupança do que gastar. Mas depois que aprende a poupar, há outros destinos melhores para o dinheiro".

CDBs

Os grandes bancos não estão pagando uma boa taxa para quem aplica em CDBs, pois estão com muito dinheiro em caixa e emprestando pouco. Rocha diz que, nesse caso, vale investir em papéis de bancos menores, que têm mais dificuldade de conseguir dinheiro e remuneram melhor a aplicação. A sugestão é investir abaixo do limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até R$ 250 mil (para não perder dinheiro, caso o banco quebre).

Segundo Indech, é possível encontrar remuneração de até 100% do CDI em CDBs com liquidez diária e até 120% do CDI, no caso de CDBs com prazo de 3 anos para sacar, todos em bancos menores. Rocha diz que acima de 101% do CDI o investimento já é melhor do que o Tesouro Selic.

LCIs

As LCIs também são opção para quem quer ficar na renda fixa. O investimento não tem Imposto de Renda, mas a desvantagem é manter o dinheiro aplicado por um período (no mínimo três meses). Quanto maior a carência (período no qual o investidor não pode retirar o dinheiro), maior a rentabilidade. É possível encontrar LCIs que remuneram 87% do CDI em três meses, 89% do CDI em seis meses e 115% do CDI, caso deixe o dinheiro parado dois anos.

Dólar, Bolsa e ouro

Para quem gosta de arriscar, dólar e Bolsa são opções, mas isso só é indicado para o investidor que tem assessoria de investimentos e é bem informado. Não é aconselhável especular. Há possibilidade de alta do ouro, metal que tende a valorizar quando há medo de crise no mundo. 

DÓLAR

Karen Bleier/AFP

Deve subir no curto prazo, mas depois deve voltar a ficar estável e fechar o ano em R$ 3,30, acreditam Roberto Indech e Mauro Calil. André Perfeito mantém a previsão de R$ 3,30 para o final do ano, mas acredita que a moeda pode subir até R$ 3,60, dependendo dos discursos de Trump. Para quem precisa da moeda para viajar, Mauro Calil aconselha comprar logo e garantir o preço. Ricardo Rocha acha melhor comprar aos poucos para fazer um preço médio.

BOLSA

Tony Gentile/Reuters

Deve cair no curto prazo, acreditam Calil, Rocha e Perfeito, mas depois volta a subir. "As pessoas já ganharam muito dinheiro neste ano na Bolsa, então a eleição de Trump é a desculpa perfeita para vender e embolsar os lucros", diz Calil. Para Indech, nada deve mudar significativamente. Sua recomendação é manter os investimentos.

JUROS

Getty Images

Os especialistas afirmam que a eleição de Trump não deve alterar significativamente a tendência de queda da taxa de juros (Selic) no Brasil, mas pode fazer com que essa queda se torne menos rápida. "É possível que, em vez de cortar meio ponto na próxima reunião, o Copom corte apenas 0,25 ponto", diz Perfeito. Calil concorda.

Rocha diz que a reforma da Previdência e a aprovação da PEC dos gastos terá mais influência nos cortes, mas também acredita que a Selic termine o ano em 13,75%. Para Indech, o Copom irá cortar 0,5 ponto na próxima reunião, deixando que a taxa Selic atinja 13,5% já em 2016.

DESEMPREGO

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Os analistas não acreditam que a eleição de Trump irá alterar a trajetória do desemprego, que deve se manter em alta, mas com menor intensidade, até metade de 2017. Depois, a economia deve passar a ter uma reação mais positiva, fazendo com que o desemprego caia já a partir da metade do próximo ano.

INFLAÇÃO

Julos/Getty Images

Ricardo Rocha, Roberto Indech e Mauro Calil acreditam que a inflação deve continuar sua trajetória de queda. André Perfeito diz que é cedo para avaliar as consequências. "A alta do dólar pode ter algum impacto, mas o que realmente pressiona a nossa inflação é a dívida pública, o fato de o Tesouro emitir moeda e aumentar a liquidez no mercado", diz Calil.

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