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Quero viajar em julho para o exterior; compro dólar ou desisto da viagem?

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

Quem vai viajar ao exterior em julho deve adiar a viagem por causa do dólar? E quem tem viagem marcada e ainda não comprou a moeda, qual a saída?

O UOL ouviu quatro especialistas para saber o que fazer: Alexandre Cabral, professor de Finanças do LabFin da FIA (Fundação Instituto de Administração); Clemens Nunes, professor da Escola de Economia da FGV-SP; Fabio Gallo, professor de Finanças da PUC e FGV-SP; e Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper.

Todos acreditam que a instabilidade que atingiu a economia brasileira por conta das denúncias envolvendo o presidente Michel Temer não deve se dissipar tão cedo e não está descartada uma nova alta como a de quinta-feira (18), quando a cotação da moeda norte-americana foi a R$ 3,389, uma alta de 8,15%

Para o pequeno consumidor, porém, a alta da moeda tem consequências mais custosas. Quem vai viajar precisa comprar dólar turismo, que tem o preço mais alto do que dólar comercial, utilizado para movimentações financeiras do governo no exterior e por grandes empresas para realização de importações e exportações.

Na quinta-feira (18), no auge do nervosismo do mercado, por exemplo, a corretora Confidence vendia dólar turismo a R$ 3,93 apenas para os clientes que iam viajar, um valor muito superior ao valor que o dólar comercial atingiu naquele dia. Na quarta-feira (24), por volta do meio-dia, a mesma corretora vendia o dólar turismo a R$ 3,50, já com IOF.

Desistir da viagem ou comprar dólares?

Para quem ainda não comprou o pacote de viagens internacional, o conselho dos especialistas é que desista do destino. "É mais prudente optar por um pacote nacional nesse momento", diz Nunes.

Mas se já a viagem já está programada para julho e os dólares serão necessários, não deixe a compra para a última hora. "Eu dividiria a compra em duas vezes, uma para agora e outra para daqui 40 dias, para diluir o risco. Espere uma queda e compre", aconselha o professor Cabral.

Veja mais dicas para quem tem de comprar dólar com a moeda em alta:

Faça o orçamento da viagem
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O professor Fabio Gallo aconselha a fazer um orçamento minucioso para saber quanto vai gastar com a viagem. Programe todos os passeios, custo de hospedagem e de locomoção e até compras que pretende fazer. Se possível, já compre os ingressos e os bilhetes de transporte e faça a programação diária. "Com esse planejamento, fica fácil saber com mais precisão quanto vai gastar e quanto precisa levar", diz.

Divida o custo
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Os especialistas aconselham a planejar a viagem com antecedência de pelo menos seis meses para poder comprar a moeda aos poucos. "Dividir a compra é a melhor técnica para evitar a pressão do câmbio", afirma o professor Ricardo Rocha.

Se viagem for daqui a um ano e você precisar comprar US$ 3.000, divida o valor por 12 e todo mês compre US$ 250. "Se percebe que o câmbio está mais barato, antecipe a compra. Se em um mês subiu muito, deixe para comprar duas parcelas no outro mês", diz.

Dinheiro ou cartão de débito?
Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Comprar em dinheiro é mais barato, mas o cartão pré-pago é mais seguro. O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado no cartão pré-pago é de 6,38% e no dólar em dinheiro é de 1,10%. No entanto, o cartão é mais seguro e pode ser reposto no caso de roubo, perda ou furto, sem perda dos valores carregados. Se o dinheiro vivo for roubado, não há como recuperar.

Mas a decisão não é puramente econômica, pois andar com dinheiro pode tirar o prazer da viagem por medo de ser roubado. Nesse caso, é melhor levar pouco dinheiro e concentrar o gasto maior no cartão, ainda que pague um pouco a mais por isso.

Cuidado com o cartão de crédito
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Deve ser usado apenas para compras de emergência, diz Fabio Gallo. O motivo é que o consumidor pode ter uma surpresa desagradável na hora de pagar a conta. Apesar de o gasto ser feito na viagem, o valor da compra só é convertido para real no dia do fechamento da fatura. Além disso, o IOF cobrado sobre a operação é de 6,38%. "Usar só o crédito é viajar no escuro", diz.

Pesquise
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As corretoras não têm os mesmos preços para venda de dólar. É possível encontrar muitas diferenças. Apenas como exemplo, na quarta-feira (24), pesquisando em três corretoras em São Paulo (SP), por volta do meio-dia, foram constatados três preços diferentes para o dólar. Na corretora Treviso, o dólar em papel moeda era vendido a R$ 3,43. Na corretora Confidence, a cotação era de R$ 3,50 e na corretora Cotação, a moeda era vendida a R$ 3,53. Todas as cotações já incluem IOF.

Pechinche
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Quem compra maior quantidade da moeda geralmente consegue descontos maiores na cotação. Um exemplo: na quarta-feira (24) enquanto a corretora Confidence cobrava R$ 3,50 pelo dólar em papel-moeda, quem precisasse de US$ 1.000 obteria uma cotação mais baixa: R$ 3,47. Ambas as cotações já incluem IOF.

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