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Casal junta R$ 10,5 mil em moedas em 2 anos para pagar bufê do casamento

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/01/2018 19h13

Em dezembro de 2015, o casal Marcelle Riesco do Nascimento, 28, e Rodrigo Melo Matos, 26, começou a depositar moedas num cofre de aço, com o objetivo de poupar para ajudar a bancar a viagem de lua-de-mel ou a festa do casamento. No dia 7 deste mês, eles abriram o cofre, e descobriram que haviam poupado mais de 10 mil moedas de R$ 1.

Em dois anos, o casal juntou R$ 10.523, e o bufê da festa de casamento já foi pago. O casamento está marcado para dezembro deste ano, em Santos (72 km a sudeste de São Paulo), onde Marcelle mora.

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“Para não ter a facilidade de, com falsas emergências, retirar o dinheiro para outra coisa, pedi a um amigo que construísse um cofre com chapas de aço inox. Para ter acesso às moedas, eu teria de arrombar o cofre, o que dificultaria muito”, relata Matos, que mora em Cubatão (56 km a sudeste de São Paulo).

No início, eles colocavam no cofre moedas que sobravam de troco de pedágio e de passagem de ônibus, por exemplo. Trocavam também moedas de outros valores por moedas de R$ 1 e até cédulas por moedas. Matos diz que chegou a trocar R$ 800 por moedas coletadas na missa da igreja, fruto de dízimos pagos por fiéis.

“Depois de um ano, o cofre já estava tão pesado que eu não conseguia mais levantá-lo do chão”, relata Matos. O cofre, de 25 cm de altura por 25 cm de largura, ficava no quarto de Matos.

Em novembro do ano passado, o cofre encheu, e as moedas que chegavam foram colocadas em uma sacola.

“A gente só teve tempo de abrir o cofre no dia 7 de janeiro. Reservamos o dia para isso. Tive que arrombar o cofre, e as moedas foram escorregando pelo chão”, diz Matos.

Família demorou sete horas para contar as moedas

Para contar toda aquela dinheirama, o casal e a mãe de Matos levaram sete horas, das 11h às 18h.

“Nem imaginávamos quanto que teria de dinheiro ali. Chegamos a dar palpites: a Marcelle falou em R$ 3.000, minha mãe em R$ 4.000, e eu achava que teria entre R$ 4.000 e R$ 6.000. Para nossa surpresa, contamos os R$ 10.523”, relata. As moedas foram separadas em saquinhos de R$ 100.

O casal trocou os saquinhos de moedas no comércio das duas cidades e pagou o bufê da festa, orçada, no total, em R$ 40 mil.

Eles têm também uma poupança, aberta em dezembro de 2016, na qual já acumulam R$ 19 mil. “Quando a gente recebeu o 13° salário, optamos por abrir a poupança, pois seria inviável transformar o valor em moedas de R$ 1”, diz Matos.

Casal já abriu outro cofre

Depois do casamento, Marcelle e Matos pensam em morar de aluguel por um tempo e depois dar entrada na casa própria.

A meta já foi colocada por eles, e o primeiro passo foi abrir, em outubro do ano passado, um cofre para colocar moedas de R$ 0,25 e R$ 0,50.

“Esse vai demorar muito para encher, mas não temos pressa”, diz. O cofre também é feito de chapa de aço inox, mas um pouco maior: 30 cm de altura por 30 cm de largura.

Além disso, o casal também cortou gastos e até tirou férias em períodos diferentes para não cair na tentação de fazer viagens longas e caras.

Matos diz nunca ter se importado com educação financeira. “A gente espera sobrar para guardar, mas o correto é o contrário”, afirma. Segundo ele, depositar as moedas no cofre serviu “para abrir a cabeça” com relação ao futuro e ganhar maturidade financeira. “A ideia é não parar e aumentar os objetivos”, afirma.

Poupar antes e comprar depois é o certo, diz consultor

Mauro Calil, professor, consultor e especialista em investimentos do Banco Ourinvest, diz que o casal fez tudo certo ao guardar pequenas quantias em um curto espaço de tempo para atingir um objetivo.

“É o sonho de todo educador financeiro: fazer com que a pessoa poupe antes, para depois gastar. Colocar um objetivo e ir atrás. Eles foram guardando pequenas migalhas, que, em princípio pareciam poucas, mas que, juntas, é muito dinheiro”, diz ele, que considerou criativa a forma de guardar as moedas de R$ 1 dentro de um cofre que não pudesse ser aberto, só arrombado.

Para ele, guardar dinheiro em cofrinho é lúdico. “Eles não conseguiam ver o que havia dentro, mas podiam sentir que o cofre estava pesado. Isso vai animando”, relata.

Calil diz que se o dinheiro fosse colocado em poupança, fundos de renda fixa ou Tesouro Direto, o rendimento não seria muito maior do que foi.

“A diferença não seria muito significativa, visto os juros baixos e aportes pequenos ao longo do tempo. O maior benefício foi o exercício de ir juntando aos poucos, em busca de um objetivo comum. Pegaram o gosto, e provavelmente eles não serão um casal endividado”, diz.

Sobre retirar moeda de circulação, Calil diz que não vê problema para pequenas quantias em prazos curtos. “Eles canalizaram as moedas para dar um destino a elas. Hoje, as moedas não circulam porque as pessoas as desprezam, o que não aconteceu com esse casal”.

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