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Ações da Petrobras despencam 57% em 1 mês; o que fazer com elas?

Diego Herculano/NurPhoto/Getty Images
Imagem: Diego Herculano/NurPhoto/Getty Images

Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/03/2020 04h00

As preocupações com coronavírus afetaram Bolsas pelo mundo todo, e a Petrobras ainda teve outro problema para enfrentar: a disputa entre Arábia Saudita e Rússia, que derrubou os preços do petróleo a patamares de 30 anos atrás.

A conjunção desses dois fatores impactou o preço das ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) na Bolsa de São Paulo e fez seus papéis caírem 57% em pouco mais de 1 mês. Em 19 de fevereiro, as ações preferenciais (PETR4) valiam R$ 30,55. Na terça (24), fecharam em R$ 13,25, pegando muitos investidores de surpresa.

O investidor que possui as ações na carteira fica agora na dúvida se vale mais a pena encarar o prejuízo ou manter os papéis e esperar uma recuperação. Por isso, o UOL conversou com especialistas para tentar buscar uma luz no fim do túnel.

Manter as ações na carteira?

Os gestores com quem o UOL conversou foram unânimes em afirmar que quem já tem ações da Petrobras deve manter os papéis e esperar uma recuperação dos preços —mesmo que isso demore mais tempo do que o esperado.

"A empresa em si continua com os fundamentos muito sólidos. A nova gestão vem desalavancando a empresa, focando em exploração, e a empresa está muito boa. Ser negociada na casa dos R$ 13 é um valor bastante baixo", disse Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos.

Para ele, tanto a pandemia do coronavírus, quanto a crise do petróleo, por mais duras que sejam com a economia, devem passar.

"Acredito que, como a questão do coronavírus também é pontual, já que nenhuma epidemia é eterna, a questão do petróleo deva ser resolvida nos próximos dias, haja visto que o petróleo em preços baixos não é interessante para ninguém", afirmou Moliterno.

Cuidado com novas compras

Pablo Spyer, diretor operacional da corretora Mirae, afirmou que, apesar de a guerra do petróleo parecer acabar logo, qualquer movimentação de compra na Bolsa neste período deve ser feita com muito cuidado.

Segundo ele, apesar do receio com novas compras, vender os papéis e aceitar o prejuízo neste momento pode ser ainda pior.

"A volatilidade está muito forte. O petróleo amargou a maior perda e a maior alta diária [na semana passada]. É aguardar. Eu não dou recomendação, mas, de forma geral, o investidor precisa aguardar o período sem grandes movimentações e não zerar", afirmou ele.

Gestão bem avaliada pelo mercado continua

Os agentes do mercado financeiro também afirmaram que, apesar da recente queda, a Petrobras é a menos culpada pelos resultados, dado que a baixa é causada pela influência direta do coronavírus e do preço do petróleo.

Para Luiz Caetano, analista da corretora Planner, o problema foi do mercado em geral. E, por isso, a política de venda de negócios e pró-mercado deve continuar na empresa.

"Quem é acionista da Petrobras sofreu um revés. Não foi erro da empresa, má gestão. Pelo contrário. O que houve foi um risco de mercado, já que, de repente, a situação econômica muda", disse ele.

"Acho que [o investidor] deve manter as ações, pois ocorreu um problema de mercado. Mudou o contexto econômico do planeta. A Petrobras, em seus negócios, vai bem. Ela continua extraindo quantidades normais de petróleo. Por isso, não há por que renegar o investimento que fiz", afirmou.

Preço médio e prazos maiores

Além da possibilidade de aumentar o prazo do investimento, focando mais nos longos períodos, de cinco anos para cima, há também a estratégia de o investidor comprar os papéis na baixa para fazer um preço médio menor.

"Se tiver oportunidade, comprar mais Petrobras para fazer um preço médio, dado que ela caiu muito rapidamente nos últimos pregões e, com os dados mais claros, ela vai voltar [a subir] rapidamente", disse Rodrigo Moliterno, da Veedha.

Os especialistas alertam, contudo, que tentar adivinhar até quanto cai é missão impossível e, por isso, a carteira tem que ser construída aos poucos.

Analistas cortam previsões

Para quem está otimista com a empresa, o mercado vem cortando projeções de valorização —o que mostra que a ação da Petrobras pode demorar para retornar aos mesmos patamares projetados antes da crise.

Na semana retrasada, analistas do Bradesco BBI cortaram a recomendação para os papéis da Petrobras para "neutra", reduzindo o preço-alvo das preferenciais de R$ 38 para R$ 23,50, para incorporar "um cenário de preço do petróleo mais pessimista em nosso modelo após a enorme decepção com a última reunião da Opep e as repercussões anunciadas pela Arábia Saudita".

Os analistas do BTG Pactual ponderaram que é difícil projetar qualquer cenário neste momento, acrescentando que seu panorama base consiste em preço do Brent em US$ 57,50 e dólar a R$ 4,25.

A XP afirmou que está com a Petrobras em revisão no momento (está avaliando a situação).

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