PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Construção civil: como foram as prévias operacionais e o que esperar?

Confira a análise de 11 empresas de construção civil e quais são as perspectivas para o setor - ilkercelik/iStock
Confira a análise de 11 empresas de construção civil e quais são as perspectivas para o setor Imagem: ilkercelik/iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes

Research do PagBank

20/04/2022 18h54

O ciclo imobiliário tem uma forte ligação com a taxa de juros, dado que muitas das aquisições de novos imóveis são realizados através de financiamentos. Nos períodos em que as taxas estão mais baixas, costumamos ter um ciclo aquecido de novas aquisições e novos lançamentos; enquanto em períodos de taxa mais alta, como o que estamos vivendo agora, o mercado imobiliário tende a ser menos aquecido.

Grande parte das incorporadoras e construtoras que negociam na Bolsa de Valores brasileira (B3) soltaram suas prévias operacionais referentes ao primeiro trimestre de 2022 nas últimas semanas. Os resultados vieram, em sua maioria, positivos, apesar da pressão negativa da alta da taxa Selic citada acima e do aumento dos custos da construção.

Confira abaixo uma análise prévia do setor de construção civil, de acordo com especialistas de Research do PagBank.

É importante ressaltar que as prévias operacionais são apenas uma parte da fotografia e não é possível analisar todos os pontos importantes, como margens, custos e despesas.

Even (EVEN3)

A Even (EVEN3) reportou prévias operacionais fracas, com queda de 43,3% nos lançamentos e menor velocidade de vendas. A empresa veio de bons resultados de vendas e lucro referentes ao 4T21, apesar de ter sua margem bruta pressionada por aumento de custos. As ações da empresa estão caindo 8,39% no acumulado do ano, considerando o preço de fechamento da última segunda-feira (18).

A empresa irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 12 de maio.

Cury (CURY3)

A Cury (CURY3) apresentou resultados fortes nas suas prévias operacionais, reportando recorde histórico de vendas. O seu VGV (Volume Geral de Vendas) chegou a R$ 753,4 milhões, uma alta de 23,2% em relação ao trimestre passado e 27,6% se comparado com o 1T21.

O foco da companhia é manter a maior parte dos seus lançamentos nas faixas mais altas do programa Casa Verde e Amarela, que acabam não sendo tão afetadas pelas altas da taxa Selic em relação às faixas mais baixas do programa social.

As ações da empresa acumulam ganhos de 12,59% no ano, considerando preço de fechamento de 18/04. E o resultado do 1T22 será divulgado no dia 10 de maio.

Plano&Plano (PLPL3)

Plano&Plano (PLPL3) apresentou prévias operacionais que dividiram a opinião do mercado. Enquanto seu VGV cresceu 28% na base trimestral, suas vendas desaceleraram em 7%.

A empresa apresentou bons resultados no 4T21, mas por ser focada no segmento de baixa renda, poderá ter seus futuros resultados afetados pela taxa de juros e inflação altas, haja vista que a empresa deverá ter dificuldade de repassar o aumento de custos integral para os seus clientes.

As ações de Plano&Plano apresentam perda de 6,11% no acumulado do ano, considerando a cotação de fechamento da última segunda-feira (18). A empresa irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 12 de maio.

Lavvi (LAVV3)

A Lavvi (LAVV3) informou VGV de R$ 230 milhões nas suas prévias operacionais de 1T22. A empresa não tinha realizado nenhum lançamento no mesmo período do ano passado.

A companhia registrou também crescimento nas suas vendas, após apresentar resultados mistos no 4T21. Tem foco nos clientes de alta renda, o que tende a ser positivo diante das dificuldades macroeconômicas atuais.

Suas ações acumulam alta de 2,24%, considerando fechamento da última segunda-feira (18). A empresa irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 11 de maio.

Melnick (MELK3)

A Melnick (MELK3) apresentou resultados também mistos nas prévias operacionais, com aumento de 23% no seu VGV na comparação trimestral e queda 20% nas vendas líquidas. A empresa teve resultados muito fortes no 4T21, dificultando a comparação trimestre versus trimestre.

O foco da companhia é em imóveis de alta renda sendo uma das maiores construtoras e incorporadoras do Rio Grande do Sul.

As ações da Melnick acumulam alta de 3,87% no ano de 2022, considerando fechamento de 18/04. A empresa irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 12 de maio.

Mitre (MTRE3)

A Mitre (MTRE3) reportou prévias operacionais bem robustas, com alta nas vendas e na velocidade de vendas, mesmo sem lançar nenhum novo empreendimento no trimestre, o que já era esperado pelo mercado.

Os bons resultados são frutos dos fortes lançamentos ocorridos no 4T21, trimestre onde os números da empresa vieram bastante fracos.

As ações da empresa acumulam queda de 19,65% no ano, considerando preço de fechamento da última segunda-feira (18). Irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 09 de maio.

Direcional (DIRR3)

A Direcional (DIRR3) apresentou fortes resultados nas suas prévias operacionais, com lançamentos e vendas acima das expectativas do mercado. O destaque ficou com o segmento de média renda, onde houve crescimento de 40% nas vendas, na comparação ano contra ano.

A empresa veio de bons resultados no 4T21, onde conseguiu manter boa margem bruta, mesmo com os aumentos nos custos da construção.

As ações da empresa acumulam queda de 2,63% no ano, levando em consideração o fechamento da última segunda-feira (18). Irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 09 de maio.

Eztec (EZTC3)

A Eztec (EZTC3) apresentou resultados operacionais mistos, com algumas casas avaliando o resultado como aceitável e outras como aquém do esperado. A empresa teve crescimento nos lançamentos do trimestre, porém uma redução no número de vendas.

Mesmo com as visões mistas sobre as prévias, entende-se que essa postura mais conservadora nos seus lançamentos e o foco na alta renda e na região metropolitana de São Paulo são pontos positivos em sua estratégia nesse cenário mais desafiador.

Suas ações acumulam baixa de 13,97% no ano, considerando valores de fechamento do dia da última segunda-feira (18). A empresa irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 12 de maio.

MRV (MRVE3)

A MRV (MRVE3) reportou números recordes nas prévias operacionais. O VGV atingiu R$ 1,74 bilhões, aumento de 7,6% em relação ao 4T21. O desempenho foi positivamente puxado pela subsidiária norte-americana da empresa, a AHS.

Um ponto negativo em seus números foi o fluxo de caixa livre negativo em R$ 834 milhões, agravado pela queima de caixa de R$ 354 milhões, ocasionado principalmente pela pré-compra de materiais, antecipando o seu plano estratégico de construção do ano em meio aos preços instáveis das commodities.

No entanto, a maior diversificação geográfica da MRV é um ponto muito importante da sua estratégia e pode ser positiva para ajudar a empresa a enfrentar o momento desafiador. No Brasil, a empresa é a líder nacional do programa Casa Verde e Amarela.

Suas ações acumulam queda de 2,30% no ano, considerando valores de fechamento da última segunda-feira (18). Irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 11 de maio.

Tenda (TEND3)

A Tenda (TEND3) apresentou prévias operacionais fracas, com queda nas vendas e nos novos lançamentos. Seu VGV teve um recuo de 23,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2021 e 44% frente o quarto trimestre de 2021.

A empresa veio de resultado bastante fraco no 4T21, onde registrou prejuízo líquido de 268 milhões.

As ações da companhia acumulam perda de 59% no ano, considerando cotação de fechamento da última segunda-feira (18). Irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 05 de maio.

Gafisa (GFSA3)

A Gafisa (GFSA3) reportou nas suas prévias operacionais crescimentos de 81% nas suas vendas ante o primeiro trimestre de 2021. A empresa tem foco em empreendimentos de médio e alto padrão, com concentração em São Paulo e no Rio de Janeiro.

As ações acumulam queda de 5,64% no ano, levando em consideração o fechamento da última segunda-feira (18). Irá reportar seu resultado do 1T22 no dia 16 de maio.

Ponto de atenção

Importante ressaltar que no último trimestre de 2021, quando as empresas de construção civil soltaram suas prévias operacionais, o mercado reagiu positivamente à maior parte delas, vendo que os números haviam sido majoritariamente positivos.

Somente após as divulgações de resultados e as teleconferências foi possível ter uma visão mais profunda dos números, que vieram com margens pressionadas e resultados abaixo das expectativas.

Com isso, o mercado reagiu negativamente, devolvendo toda essa alta que havia antecipado. Por isso, enfatizamos que é muito importante olharmos para as prévias operacionais com certo ceticismo, pois o cenário macro está bastante desafiador para este segmento.

PUBLICIDADE

As opiniões emitidas neste texto são de responsabilidade exclusiva da equipe de Research do PagBank e elaboradas por analistas certificados. O PagBank PagSeguro e a Redação do UOL não têm nenhuma responsabilidade por tais opiniões. A única intenção é fornecer informações sobre o mercado e produtos financeiros, baseadas em dados de conhecimento público, conforme fontes devidamente indicadas, de modo que não representam nenhum compromisso e/ou recomendação de negócios por parte do UOL. As informações fornecidas por terceiros e/ou profissionais convidados não expressam a opinião do UOL, nem de quaisquer empresas de seu grupo, não se responsabilizando o UOL pela sua veracidade ou exatidão. Os produtos de investimentos mencionados neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão preencher o questionário de suitability para a identificação do seu perfil de investidor e da compatibilidade do produto de investimento escolhido. As informações aqui veiculadas não devem ser consideradas como a única fonte para o processo decisório do investidor, sendo recomendável que este busque orientação independente e leia atentamente os materiais técnicos relativos a cada produto. As projeções e preços apresentados estão sujeitos a variações e podem impactar os portfolios de investimento, causando perdas aos investidores. A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros. Este conteúdo não deve ser reproduzido no todo ou em parte, redistribuído ou transmitido para qualquer outra pessoa sem o consentimento prévio do UOL.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL