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Quanto rendem R$ 50 mil nas 5 ações que mais pagam ao investidor?

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

26/07/2022 04h00

Você sabe quanto é possível ganhar investindo R$ 50 mil nas cinco ações que mais pagam dividendos atualmente?

Na coluna de hoje eu respondo essa pergunta, aponto as "pegadinhas" que podem estar por trás de alguns dados e explico quais são os riscos desses investimentos.

1. Petrobras: R$ 1.594 por mês

As ações da Petrobras (PETR4) estão hoje com um retorno em dividendos (ou DY, na sigla em inglês) de 38,26%. Isso significa que, para cada R$ 100 investidos hoje nesse ativo, você receberá R$ 38,26 ao longo dos próximos 12 meses, se a empresa mantiver o atual ritmo de distribuição de dividendos.

Portanto, para um investimento de R$ 50 mil, o retorno seria de R$ 19.130, aproximadamente, entre hoje e julho de 2023. Em média, seriam R$ 1.594 por mês.

Mas, como sempre, reforço que esse retorno só existirá se a companhia não reduzir o ritmo de pagamento de dividendos.

E é aí que mora a "pegadinha" se você olhar somente para o DY: nos últimos meses, o nível de distribuição de dividendos foi excepcionalmente alto, em comparação com qualquer momento da história da companhia.

De 2009 a 2019, a Petrobras pagou menos de R$ 1 por ano em dividendos por ação. Em 2020, simplesmente não pagou nada. Já em 2021, distribuiu R$ 5,65 por ação. E agora, em 2022, R$ 6,69. Assim, o investidor precisa ter ciência de que o histórico da companhia não é de retorno tão alto.

2. Bradespar: R$ 1.405 por mês

Investindo R$ 50 mil nas ações da Bradespar (BRAP4), o retorno em dividendos pode ser de R$ 16.860 nos próximos 12 meses, o que dá uma média de R$ 1.405 por mês, se a empresa mantiver o ritmo de remuneração aos acionistas.

Esse é mais um caso de uma distribuição excepcional de dividendos, com baixa probabilidade de se manter a longo prazo. A Bradespar pertence ao Bradesco e seu papel é investir em outras empresas. No entanto, hoje a Bradespar só tem ações da Vale - e mais nada.

A pergunta que vem à mente, então, é: se a Bradespar nada mais é do que um conjunto de ações da Vale, por que, então, os papéis da mineradora não tiveram um retorno tão alto em dividendos?

A resposta é simples: a Bradespar reduziu sua participação na Vale de 5,73% para 3,4%, gerando muito dinheiro em caixa.

3. Braskem: R$ 1.144 por mês

Os papéis da petroquímica Braskem (BRKM5) estão com um retorno em dividendos de 27,45%. Para um investimento de R$ 50 mil, o retorno seria de R$ 13.725 nos próximos 12 meses, ou R$ 1.144 em média mensal, caso a companhia mantenha o ritmo de distribuição de proventos.

O retorno da Braskem foi fortemente influenciado pelos resultados do ano passado, em que a distribuição de proventos aos acionistas foi recorde. Sendo um resultado excepcional, a tendência é que não se mantenha a longo prazo.

4. CSN Mineração: R$ 1.071 por mês

A CSN Mineração (CMIN3), mineradora pertencente à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), está com um DY atualmente de 25,7%.

Para um investimento de R$ 50 mil, o retorno em 12 meses seria de aproximadamente R$ 12.850, ou seja, uma média de R$ 1.071 por mês.

Aqui, temos mais um ponto de alerta, que não tínhamos nas outras empresas desta lista: a CSN Mineração é uma companhia nova (fundada em 2015) e distribuiu dividendos pela primeira vez em 2021.

Portanto, não temos um histórico significativo para analisar. Outro fato importante é que as ações da companhia despencaram 57% nos últimos 12 meses. O investidor que buscar esses papéis deve estar preparado para grandes volatilidades.

5. Metalúrgica Gerdau: R$ 1.053 por mês

Os papéis da Metalúrgica Gerdau estão hoje com um DY de 25,26%, o que daria um retorno de R$ 12.630 nos próximos 12 meses, ou R$ 1.053 em média, caso a companhia mantenha o nível de remuneração aos clientes.

A quinta e última ação desta lista é, também, um exemplo de companhia que teve resultados excepcionais na distribuição de dividendos recente, de modo que não se pode esperar a manutenção do retorno nesse nível a longo prazo.

Se você ficou bravo porque eu só coloquei aqui ações que tiveram um resultado excepcional e que tendem a não se repetir, por favor, leia o próximo item, pois é possível que você tenha aprendido algo com tudo isso.

O que aprendemos com isso?

Salvo em situações muito especiais, uma empresa não consegue entregar um retorno acima de 25% ao ano aos acionistas por muito tempo.

Portanto, sempre que você vir uma companhia com um DY muito alto, desconfie. Se alguém citar algumas dessas ações e disser que vai ajudar você a ficar rico investindo nelas, desconfie também.

Não quer dizer que essas companhias, necessariamente, sejam ruins. Elas podem ser boas. Pode ser que continuem distribuindo bons dividendos, mas não nesse nível. Se quiser um dado mais realista de quanto se pode ganhar em dividendos, verifique sempre o histórico dos proventos pagos.

Alguma dúvida?

Tendo alguma dúvida sobre este texto ou sobre investimentos em geral, envie sua pergunta para o meu perfil no Instagram. Sua questão poderá ser respondida nesta coluna em breve.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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Errata: o texto foi atualizado
Um investimento de R$ 50 mil em ações da Petrobras não rende R$ 38 mil, mas sim R$ 19.130. A matéria foi corrigida.