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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Países reduzem produção de petróleo para tentar manter preços altos

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Rafael Bevilacqua

04/08/2022 09h36

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O mercado global de petróleo tem uma série de características bastante peculiares. A mais relevante talvez seja o fato de a maior parte dos grandes produtores de petróleo serem países no mínimo problemáticos.

Estamos falando de nações ditatoriais, algumas delas até mesmo teocráticas, que têm algumas das maiores reservas de óleo e gás natural do planeta.

Olhemos para os países membros da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo): Angola, Argélia, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Qatar, Equador e Venezuela.

Essas nações, majoritariamente notórias por seus regimes autocráticos e por posicionamentos anti-Ocidente, têm em mãos o poder de manipular o mercado global de óleo e gás, deixando o restante do mundo à mercê de suas decisões.

Na quarta-feira (3), os membros da Opep+ decidiram reduzir o ritmo de aumento da produção de petróleo em setembro, de 432 mil barris adicionais por dia para 100 mil.

A decisão desagradou as nações que tem sofrido com a alta dos preços dos combustíveis, dentre as quais os Estados Unidos, mas é vista pelo mercado como um movimento estratégico para manter os preços da commodity elevados.

Boa parte dos membros da Opep+ são nações cujas economias dependem quase integralmente do petróleo e do gás, o que significa que manter os preços desses produtos em patamares elevados tende a beneficiar esses países.

Diante do risco de recessão econômica nos EUA e na Europa, além da forte desaceleração da economia chinesa, existe um risco de queda da demanda pelos derivados do petróleo, o que pode levar a uma baixa natural dos preços. Com isso em mente, a Opep+ se mobiliza para garantir que os preços da commodity se manterão em patamares que atendam aos interesses dos países que integram a organização.

Apesar de a decisão simbolizar uma forte desaceleração no aumento da produção, os contratos futuros de petróleo operam próximos à estabilidade nesta quinta-feira (4), ainda abaixo de US$ 100 o barril. Nos próximos meses, contudo, é importante ficar de olho no impacto dessa desaceleração do aumento da produção no equilíbrio entre a oferta e a demanda por petróleo.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes UOL, que têm acesso integral ao conteúdo de UOL Investimentos): informações sobre o resultado da companhia elétrica Engie no segundo trimestre de 2022.

Um abraço,

Rafael Bevilacqua
Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

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