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Guia do Investidor UOL: O que você precisa saber para começar a investir

Exclusivo para assinantes UOL

Do UOL, em São Paulo

09/06/2021 04h00

Pensar em quanto você vai separar todo mês para investir e abrir uma conta em corretora de valores são passos importantes para quem vai começar a investir, mas não são os primeiros, segundo especialistas que participaram do primeiro encontro do Guia do Investidor UOL, série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL Economia+ para quem quer aprender a cuidar do próprio dinheiro.

No primeiro evento, realizado na terça-feira (8), a especialista em economia comportamental Flávia Ávila e o trader profissional João Homem falaram sobre comportamentos que fazem você perder dinheiro, e como eliminá-los. Para eles, analisar esses comportamentos e tentar mudá-los são os primeiros passos de qualquer pessoa que queira começar a investir.

Confira abaixo os principais pontos do encontro e assista ao evento na íntegra.

Você precisa antes entender sua relação com o dinheiro

Investir é muito mais uma ação emocional que racional, segundo Flávia Ávila, fundadora e CEO da InBehavior Lab, economista e mestre em economia Comportamental. É justamente o emocional que faz muitas pessoas sequer tentarem investir, afirmou João Homem, trader profissional e criador da comunidade de traders Special Squad Traders.

Os especialistas afirmam que a cultura de investimentos no Brasil é muito pautada no medo da perda, ao contrário de outros países, como os Estados Unidos, onde investir está alinhado a ideias positivas, de ganhos.

"Eu enxergo a vida como um investimento —que é abrir mão de algo momentâneo, imediato, para ter algo no futuro. Por causa dessa cultura do 'eu mereço', aliada a uma ideia no Brasil de que investir é sinal de que você vai perder dinheiro, que as pessoas não investem. Enquanto não mudarmos essas crenças, a gente não muda a cultura no nosso país", afirma João Homem.

Flávia Ávila explica que por isso, antes de começar a investir, as pessoas precisam quebrar alguns comportamentos que são naturais dentro dessa cultura.

"Tem alguns vieses que precisam ser quebrados na hora de investir. Um deles é o apego ao presente, em que o futuro é difícil de ver. Por isso queremos um retorno rápido, de curto prazo", explica.

Outro ponto gerado pelo medo é o apego à inércia. "Se você não toma uma decisão de investimento, a culpa é dos outros, mas a partir do momento que começamos a investir a culpa é nossa [caso ocorra uma perda]."

Outro comportamento nocivo, muito comum em tempos de redes sociais, é o apego à prova social.

"É quando você vê a grama verde do vizinho e associa isso a uma boa decisão. Essa é uma cilada que não só o pequeno investidor sofre, como o cara gigante também. Não importa a inteligência, a gente faz isso o tempo todo. Não caia na sobrecarga de informação", afirma Flávia.

A prova social é muito comum no mercado de ações, conta João. Ele afirma que as pessoas se deixam levar por promessas de ganhos rápidos e fáceis que alguém diz ter conseguido.

"A gente tem uma mania de avaliar uma decisão, se ela foi correta ou não, de acordo com o retorno dessa decisão, mas não é assim. É fácil colocar no Instagram e no YouTube um retorno. Olhar isso e fazer tudo igual é muito prejudicial", afirma.

Como driblar comportamentos nocivos?

O primeiro passo para eliminar esses comportamentos atrelados ao medo, à inércia e ao anseio por retornos rápidos é começar pequeno, segundo os especialistas. Isso significa, por exemplo, investir em algum ativo que o seu banco oferece, ainda que renda pouco, só para começar a quebrar esses comportamentos.

Nesse sentido, ainda, deixar tudo o mais automático possível é o melhor caminho, afirma Flávia.

"Se você quer fazer alguma coisa, faça com que seja fácil. O simples é melhor do que o complexo sem controle", diz a especialista.

Ela afirma que criar benefícios ao longo do caminho também ajuda a quebrar esses vieses. Ou seja, a cada meta de investimento concluída vale dar-se um presente. No sentido contrário, também é preciso criar barreiras para tornar os comportamentos ruins difíceis de acontecer. Se você tende a gastar tudo assim que recebe o seu salário, por exemplo investir primeiro e gastar depois, por exemplo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.