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Por que investidor brasileiro deve apostar no exterior? Analistas explicam

Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/12/2021 04h00

Por que é interessante para o pequeno investidor brasileiro aplicar parte de seu dinheiro no exterior? Segundo Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, a conjuntura de inflação em alta, aumento dos juros e crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) a taxas menores do que o esperado torna essa opção mais interessante.

"Reduzir a exposição ao Brasil ou ter a exposição a outros mercados ajuda a balancear o nível de risco frente a nossa volatilidade", disse. Ao lado de Felipe Vella, analista técnico da Ativa Investimentos, Pietra participou do Guia do Investidor UOL, série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL Investimentos. Confira o que dizem os especialistas.

Qual o diferencial dos mercados no exterior?

Segundo Pietra, ao olhar para fora, o investidor pode se deparar com situações de menos sobe e desce em comparação ao Brasil.

Ao analisar o histórico do desempenho das Bolsas de Valores nos últimos 20 anos, ela diz que o retorno em moeda local na Bolsa da Argentina foi de 13.400%, enquanto o Ibovespa teve valorização de 624,8%.

No entanto, ao converter esse desempenho em dólar, o retorno da Bolsa argentina foi de 38%, e o do Ibovespa, de 150%. Nesse período, o S&P500, que tem os papéis das 500 principais empresas listadas nos EUA, registrou alta de 224%.

"Ou seja, não adianta apenas a gente olhar esse cenário de volatilidade e a possibilidade de ganhos expressivos, o que faz muito sentido. Mas quando a gente tem uma visão de investidor global, uma vez que está acessível para a pessoa física, a gente vê como esse universo é pequeno e como estamos reféns da variação cambial", afirmou ela.

Felipe Vella, da Ativa Investimentos, diz que a eleição em 2022 é mais um componente que traz imprevisibilidade. "E, dependendo do resultado da eleição, pode ser que o mercado não reaja bem a isso. É outro motivo para proteger a sua carteira", declarou.

É correto diversificar os ativos apenas em um mesmo país?

Muitos investidores veem o mercado americano como a "menina dos olhos de ouro", pela facilidade em investir e por ser uma economia mais madura.

No entanto, Vella diz que apostar em um único país seria fazer uma falsa diversificação do patrimônio.

"A gente pode ir além e dizer que é necessário diversificar com classes de ativos diferentes. Não adianta só diversificar em setores e manter tudo em renda variável e ações de empresas. Um equívoco maior ainda seria estar exposto a uma mesma economia", afirmou.

Para exemplificar, ele lembra dos investidores que há alguns anos estavam expostos ao segmento de renda variável na Venezuela ou na Argentina.

"É preciso fazer uma diversificação entre setores, classes de ativos e, principalmente, moedas diferentes", afirmou ele, lembrando que ao investir em um único mercado o aplicador pode estar mais exposto à variação cambial.

Quais outros benefícios de investir fora?

Além de internacionalizar os investimentos e ter acesso a outros mercados, o investidor pode também ter a oportunidade de entrar em setores que não são tão fortes na economia brasileira, a exemplo das empresas da chamada "nova economia".

"A questão dos streamings, seja Netflix, Disney e Amazon, está ganhando muita força no hábito de consumo das pessoas pelo mundo. A gente teve a pandemia, isso foi uma das frentes, mas tem toda a questão da tecnologia", disse Pietra.

Outros segmentos interessantes são games, biotecnologia e energias renováveis —esta última muito importante por causa da pauta ESG (ambiente, social e governança).

"São temáticas que no Brasil ainda estão engatinhando. Como a Bolsa é um reflexo da economia, há pouca ou nenhuma alternativa", disse Pietra.

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