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Você investiria em um influenciador digital? É possível a partir de R$ 10

Bibi Tatto é uma das influenciadoras que quer ter fãs como sócios de projetos  - Reprodução/Instagram
Bibi Tatto é uma das influenciadoras que quer ter fãs como sócios de projetos Imagem: Reprodução/Instagram
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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/07/2021 04h00

Os influenciadores digitais querem transformar fãs em sócios. Ao menos essa é a proposta do Divi-Hub, plataforma que permite que qualquer pessoa invista em projetos de influenciadores como a Bibi Tatto, que tem quase 9 milhões de inscritos no YouTube, e 4,5 milhões seguidores no Instagram, ou os Castro Brothers, que contam com quase 5 milhões de inscritos no canal.

Na plataforma, qualquer pessoa pode comprar uma espécie de "ação digital", chamada DIVI, a partir de R$ 10. Mas a quantidade de movimentações feitas na plataforma está atrelada a uma assinatura. A ideia é que o investidor receba parte das receitas e dos lucros obtidos pelo projeto do influenciador, assim como acontece com ações da Bolsa de Valores.

Mas será que compensa sair do lugar de espectador para investir o próprio dinheiro em youtubers, gamers e blogueiros? Veja abaixo como a plataforma funciona e quais são os riscos desse tipo de investimento.

Investidor pode negociar ativos na plataforma

O funcionamento do Divi-Hub é parecido com o da Bolsa. Os projetos são lançados em uma oferta inicial, com "ações" em número limitado, assim como ocorre nos IPOs das empresas.

Depois da oferta, essas ações ficam em um mercado secundário, onde os próprios investidores podem comprar e vender seus papéis. Aqui eles podem ganhar ou perder, como acontece na Bolsa, porque o preço dos DIVIs nesse mercado secundário varia conforme a oferta desses ativos na plataforma.

É no mercado secundário que está a diferenciação dos investidores, e parte da receita da empresa: quem assina a plataforma no plano mais básico (R$ 8,99 por mês) pode comprar e vender seus DIVIs quantas vezes quiser. No plano mais caro, de R$ 14,99 por mês, o investidor tem prioridade na compra das "ações" —quando alguém vai vender um DIVI, a plataforma fica uma hora fechada só para esses assinantes.

Quem não quiser assinar o serviço pode comprar e vender ações no mercado secundário, mas está limitado a duas negociações por mês.

Para que o projeto do influenciador saia do papel, é preciso levantar ao menos 66% (dois terços) do valor total da oferta inicial. Se isso não acontecer, quem comprou as ações do projeto tem o dinheiro de volta, segundo Ricardo Wendel, CEO da Divi-Hub e criador do aplicativo. Segundo ele, a ideia é incluir pessoas com todo tipo de renda no negócio.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regulamenta o mercado, autorizou a negociação dos DIVIs.

Projetos distribuem receitas e dividendos

Cada projeto da plataforma tem uma forma de remunerar o investidor caso saia do papel. Alguns vão distribuir parte da receita líquida obtida com anúncios, patrocínios e até venda de ingressos. Mas de todo modo, uma fatia do lucro com a visualização dos conteúdos vai ser distribuída aos detentores da DIVI.

Nessa etapa inicial, a Divi-Hub está com seis projetos para financiamento. Além dos projetos da Bibi Tatto e Castro Brothers, há o projeto do influenciador Vitor Santos, do canal "Metaforando", que tem mais de 5 milhões de inscritos no Youtube.

Investimento pode trazer retorno rápido, mas é arriscado

Apesar da comparação com o mercado acionário, o retorno do investimento em um influenciador pode ser mais rápido que o de uma ação, porém tem mais riscos. Junior Borneli, CEO da StarSe, usa como exemplo Juliette Freire, vencedora da 21ª edição do BBB.

"Se fosse possível investir na Juliette quando ela entrou no Big Brother, daria para ganhar muito dinheiro em um período de três meses", diz Borneli.

Mas ele lembra que os conteúdos na internet têm começo, meio e fim, e da mesma forma que crescem de um jeito muito rápido, caem no esquecimento. Por isso, é importante saber também a hora certa de embarcar em um projeto. "Tem que estar ciente de que é um investimento de alto risco, para que o amor não se transforme em decepção", afirma o CEO da StartSe.

Como saber se o projeto vale a pena?

É importante separar as coisas. A paixão pelo trabalho do influenciador não deve impedir o investidor de analisar o projeto no qual vai investir. Da mesma forma que o investidor compra uma ação na Bolsa conhecendo detalhes sobre a estratégia de crescimento da empresa, a mesma regra vale para o financiamento de um projeto do produtor de conteúdo.

"É fundamental fazer a avaliação do projeto para entender o custo que ele tem, o potencial de ganhos e o quanto de prejuízo ele pode gerar", afirma Junior Borneli.

Atenção redobrada também para a transparência. Borneli diz que é raro saber quando o influenciador está passando por alguma dificuldade financeira. "O influenciador vive de sua imagem e dificilmente vai dizer que está mal de grana. Isso pode ser um problema", diz o CEO da StartSe.

"Hate" e cancelamento podem impactar o negócio

Fidelizar fãs e fazer com que eles também ganhem dinheiro é uma tendência acompanhada não só por influenciadores, mas também pelas grandes marcas. No caso do produtor de conteúdo, porém, tudo gira ao redor da imagem dele. É como se o investidor estivesse colocando dinheiro em uma pessoa só. Isso traz alguns riscos - inclusive o de "cancelamento" do influenciador.

"A partir do momento que o influenciador divide o risco de um projeto com seus seguidores, ele também se arrisca em perdê-los. As opiniões e posicionamentos dele influenciam diretamente no resultado do negócio", afirma Borneli.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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