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Conta corrente que rende mais que poupança? Veja 5 opções e entenda riscos

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/07/2021 04h00

Dinheiro parado na conta corrente rendendo mais do que a poupança. É com esse discurso que bancos digitais e empresas de pagamentos tentam atrair clientes e pegar uma fatia do mercado ainda dominado pelos grandes bancos e corretoras tradicionais. Mas será que vale a pena tirar dinheiro da sua conta convencional ou até mesmo da poupança para deixar em uma dessas "contas que rendem"?

Antes de fazer essa troca, primeiro é importante saber se o seu dinheiro vai estar seguro. A maioria dessas contas não é coberta pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Isso não significa que você vai perder dinheiro se a instituição falir, mas no mínimo vai dar mais trabalho recuperá-lo. Veja abaixo quais são os retornos oferecidos pelas "contas que rendem" disponíveis hoje no mercado e saiba os riscos de "investir" nelas.

É como investir em renda fixa

Depositar dinheiro em uma dessas contas digitais é o mesmo que investir indiretamente na renda fixa. Para oferecer de 100% a 220% do CDI, os recursos dos clientes são aplicados, principalmente, em títulos públicos, que dão mais retorno do que a poupança.

A caderneta hoje rende 70% do CDI --taxa que equivale à taxa básica de juros, que hoje está em 4,25% ao ano. Sendo assim, a poupança rende míseros 2,975% ao ano e o ganho real é apagado pela inflação.

Para compensar a falta de cobertura do FGC, as contas digitais acabam oferecendo retornos maiores aos correntistas. Mas o fato de boa parte do dinheiro ser aplicado em títulos públicos não garante que o cliente receba de imediato o valor depositado, em caso de falência da empresa.

"Teria que haver primeiro a liquidação do banco para depois o dinheiro ser distribuído aos correntistas. No caso do FGC, é o fundo que faz esse pagamento e a cobertura é de até R$ 250 mil", afirma Cristiano Corrêa, coordenador do curso de Administração de Empresas do Ibmec-SP.

Além disso, aquela rentabilidade gorda que chega até 220% do CDI pode não durar muito tempo. A empresa tem permissão para tirar o rendimento na conta quando bem entender.

O rendimento da conta não está isento

Como os rendimentos da conta vêm de um investimento em renda fixa, o correntista tem que ficar atento aos impostos que incidem sobre a rentabilidade. Caso o valor depositado seja resgatado nos seis primeiros meses da aplicação, o titular da conta paga Imposto de Renda de 22% sobre o rendimento.

Se o saque for feito no primeiro mês, também incide IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras), que pode ser de 96% sobre o rendimento, caso a retirada seja feita no dia seguinte ao depósito.

De qualquer forma, a rentabilidade dessas contas não depende só do tempo que o correntista deixa o dinheiro na conta, mas até quando o banco ou a carteira digital está disposto a oferecer alta rentabilidade.

"O cliente fica à mercê de existir sempre essa 'promoção'. Ele pode entrar hoje e daqui a um mês, uma semana, o banco pode não oferecer mais esse valor. E aí ele vai ter que fazer uma retirada ou aceitar receber menos", afirma Júnior Monteiro, consultor de investimentos e sócio-fundador da Six Capital.

Nos bancos maiores, o valor combinado ao aplicar em um CDB, por exemplo, não muda. "Enquanto você não resgata, o banco não pode alterar as porcentagens. Essas instituições digitais podem", diz Monteiro.

Veja quais são as principais contas e carteiras digitais que oferecem rentabilidade a partir de 100% do CDI e saiba como elas funcionam.

1. Conta do PagBank

Oferece retorno de 100% do CDI, mas o dinheiro precisa ficar na conta por pelo menos 30 dias. O rendimento incide sobre o valor que está depositado no final desse período. Ou seja, o que foi sacado antes não conta no cálculo do retorno.

O dinheiro não é coberto pelo FGC porque o PagBank é classificado como instituição de pagamento e não um banco. Mesmo assim, os recursos ficam aplicados em títulos da dívida pública, que são seguros.

2. Conta do Nubank

A conta digital paga 100% do CDI e o rendimento é diário. Assim como a maioria das fintechs, o dinheiro depositado é colocado em títulos públicos federais, que não têm cobertura do FGC.

Mas o correntista pode autorizar o banco a aplicar em RDBs (recibos de depósitos bancários) emitidos pelo próprio Nubank. Nesse caso, aplicações de até R$ 250 mil são cobertas pelo FGC e o rendimento é o mesmo.

3. PicPay

O dinheiro depositado na carteira digital rende 130% do CDI e a rentabilidade também é diária. O rendimento incide sobre valores de até R$ 250 mil.

Em seu regulamento, porém, o PicPay avisa que a rentabilidade da conta pode ser revista a qualquer momento. Por se tratar de uma carteira digital, a empresa também não é coberta pelo FGC, mas investe os recursos dos clientes em títulos públicos.

4. DigioConta

A conta do banco digital oferece 100% do CDI e não há limite de valor aplicado para a rentabilidade. O rendimento é compensado diariamente e eventualmente a empresa faz promoções com taxas ainda maiores de rendimento.

O valor depositado não é coberto pelo FGC, mas tem a garantia dos títulos públicos. O banco cobra uma taxa de R$ 6,90 para saque do valor em espécie, mas não cobra por transferência ou pagamento de boletos.

5. 99Pay

A carteira digital para usuários do aplicativo de transportes 99 paga 220% do CDI sobre valores depositados de até R$ 5.000, mas só está disponível em 27 cidades brasileiras até agora.

Em nota, a empresa diz que o rendimento é uma bonificação paga aos usuários da carteira e não há incidência de IR. O dinheiro pode ser usado no pagamento das corridas do aplicativo, boletos (sem taxas) ou transferido gratuitamente entre contas 99Pay. O envio para outras contas bancárias ocorre apenas em horário comercial e é cobrada uma taxa de R$ 3,00 por transferência.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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