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Posso perder dinheiro no Tesouro Direto, mesmo com rentabilidade em alta?

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, de São Paulo

22/07/2022 04h00

O número de investidores no Tesouro Direto cresce a cada dia. E, com o aumento da inflação e da taxa de juros, a rentabilidade futura dos títulos também está em alta.

Mas é possível perder dinheiro ao comprar títulos públicos? O que o investidor deve ter em mente antes de aplicar seu dinheiro?

O investidor pode resgatar o título a qualquer momento, mas somente no vencimento embolsará a rentabilidade contratada no momento da compra. Já quem decide negociar o título antes do vencimento está sujeito à marcação a mercado, ou seja, o valor do título vai depender da variação de preços diária.

No primeiro semestre deste ano, o valor de compra e venda de muitos títulos do Tesouro caiu. Foi o caso do Tesouro IPCA+2045, que encolheu 2,94%, o Tesouro IPCA+2035 (-1,57%) e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055 (-5,04%).

Quando devo vender? É muito importante ter visão de longo prazo e esperar o melhor momento de vender o investimento. O Tesouro Direto oferece o menor risco do mercado, mas, se não tiver calma e visão de longo prazo, o investidor pode vender com prejuízo, declara Maria Cândida Naegele, sócia da HCI Invest.

A melhor maneira para gerenciar esse risco é alocar em Tesouro Prefixado e Tesouro atrelado à inflação somente aquele dinheiro que não será usado antes do vencimento de cada título, diz Rodrigo Santin, CIO da Legend

Posso ganhar mais vendendo antes do vencimento? Os investidores mais experientes negociam seus títulos do Tesouro antes do vencimento com o objetivo de tentar ganhar uma remuneração maior do que se espera até o seu vencimento. "Ou seja, eles utilizam a marcação a mercado a seu favor, mas essa estratégia não é recomendada a quem está começando nesse ativo", afirma Caio Tonet, sócio fundador e head de Renda Variável da W1 Capital.

Quanto está rendendo? O Tesouro IPCA+ 2055, com pagamento de juros semestrais, está rendendo o IPCA mais 6,3% ao ano, por exemplo, no mercado secundário. Ou seja, quem pode esperar 33 anos para vender o título vai ter um rendimento 6,3% superior à inflação do período. Já o Tesouro Selic 2027 paga a Selic mais 0,167% ao ano, por exemplo. Neste ano, porém o rendimento dos títulos não é o mesmo e pode até ser negativo. O Tesouro IPCA+ 2055 caiu 5,78%, e o Tesouro Selic 2027 rendeu 6,66% (abaixo da Selic, que está em 13,25%). É possível ver a taxa que cada título está pagando no site do Tesouro Direto, bem como a rentabilidade acumulada.

O que muda o valor do título? Além do aumento da taxa básica de juros e da inflação, dúvidas em torno dos rumos da política fiscal do governo e o cenário externo podem influenciar na valorização ou queda do preço, como se viu no primeiro semestre do ano.

Além da exposição a possíveis prejuízos no caso de ter de negociar os títulos antes do vencimento, os riscos de perda para quem adere ao Tesouro Direto são muito baixos, afirma Damont Carvalho, gestor dos Fundos Macro da Claritas.

Pode acontecer, por exemplo, se a inflação ficar negativa em algum momento, trazendo prejuízo para o investidor que comprou os títulos atrelados ao IPCA, mas essa não é uma realidade para o Brasil.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.