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Alta da ação das Americanas chama a atenção do mercado. Vai subir mais?

Lojas Americanas se beneficia da recuperação do varejo, com a queda da inflação - Divulgação
Lojas Americanas se beneficia da recuperação do varejo, com a queda da inflação Imagem: Divulgação

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/08/2022 14h13

Até a Comissão de Valores Imobiliários, a CVM, chamou a atenção ontem da Americanas (AMER3) para perguntar o que estava acontecendo. Entre 10 e 23 de agosto, segundo o órgão regulador do mercado, a ação da rede de lojas teve altas atípicas.

Confira as principais altas:

  • 10 de agosto - 7,63%
  • 18 de agosto - 18,28%
  • 22 de agosto - 22,48%
  • 23 de agosto - 16,10%

Na quarta-feira 24, ontem, a ação fechou em uma pequena queda de 0,38%. Hoje (25), até às 11h40, a ação estava sendo negociada em alta de 1,52%, a R$ 18,71. No mês (até hoje), a ação acumula alta de 33,64.

Por que a CVM questionou a empresa? O fato de a CVM chamar a atenção da empresa pelas altas é considerado normal pelo mercado, segundo Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Para a CVM, a empresa explicou que "não tem conhecimento de nenhum fato que tenha motivado as últimas oscilações registradas em suas ações". O documento, publicado na terça-feira (24), foi assinado pelo atual presidente, Miguel Gutierrez.

Mudança de presidente afetou o papel: No dia em que a ação mais subiu, na segunda-feira passada, o mercado reagiu à troca do comando da companhia, anunciada na sexta (19), após o fechamento do mercado. A Americanas escolheu Sergio Rial como sucessor do atual presidente, Miguel Gutierrez. Rial assume em 1° de janeiro de 2023 e Miguel Gutierrez deixará a Americanas após quase 30 anos de serviço.

Dois motivos fizeram as ações disparar. O primeiro foi realmente a nomeação de Rial. O mercado gostou da indicação. Ele é presidente do conselho de administração do banco Santander (BCSA34). De 2016 a 2021, foi presidente do banco. Sob sua gestão, a operação brasileira do banco espanhol se tornou a mais rentável do mundo.

Sua experiência no setor de consumo tem a ver com suas passagens pela dona da Sadia, a BRF (BRFS3), Seara e Marfrig (MRFG3) e com as lojas de conveniência dos postos BR. Ele também é presidente do conselho de administração da Vibra Energia (VBBR3).

Qual é o impacto da inflação? Mas não é só isso que faz AMER3 subir. A indicação coincide com uma recuperação das ações de varejo, provocada principalmente pela diminuição da inflação. Tanto é que as concorrentes também estão subindo. No mês, até o fechamento de ontem, Magazine Luíza (MGLU3) tem uma recuperação de 82% e VIIA3, a Via, dos das Casas Bahia, sobe 45%.

As ações de varejo estavam muito baratas, com quedas drásticas até o fim do primeiro semestre. Nos primeiros seis meses do ano, MGLU3 perdeu 67,59% do valor e VIIA3, 63,43%. Americanas tinha encolhido 56,40%.

"Nós achamos que essa recuperação do varejo pode durar, tem bastante espaço para subir e para o consumo andar", diz Phil Soares, analista da Órama.

"Além disso, pode ter mais coisas acontecendo além da entrada do Rial. Mas a empresa não é obrigada a falar se ela está estudando uma aquisição ou fusão. Isso só é anunciado depois de efetivado. Acho que o mercado está especulando", diz Guilherme Rebouças, sócio da OBB Capital.

E vale a pena comprar a ação agora? Os bancos e corretoras se dividem sobre a recomendação de AMER3.

O Credit Suisse tem recomendação de compra com preço alvo de R$ 36, potencial de alta de 129%. O Itaú BBA ainda não sabe e está revisando a classificação.

A XP cortou seu preço-alvo para as ações da Americanas de R$ 21 para R$ 20 e aposta em uma classificação neutra: melhor não comprar, nem vender. É a mesma posição do Santander e do Goldman Sachs.

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