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Por que o dólar está subindo e a libra caindo tanto?

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/09/2022 12h30

A libra britânica caiu nesta semana para o valor mais baixo nas últimas quatro décadas. A moeda britânica teve uma queda de quase 5% para pouco mais de US$ 1,03 durante as negociações na Ásia e na Austrália, nas primeiras horas do dia.

Na sexta-feira passada já havia perdido 3,6%. Por volta das 16h20, havia recuperado um pouco, chegando a US$ 1,07. No fim do dia, chegou a R$ 5,753. Hoje, valia R$ 5,761 às 12h.

O real não ficou atrás e também perde valor esta semana frente ao dólar, que chegou a subir mais de 3% na tarde desta segunda-feira (26). No início da tarde de ontem, a moeda americana passou dos R$ 5,40. Hoje, está em queda.

O que está acontecendo com a libra? E por que o dólar subiu tanto?

O que está fazendo a libra cair?

O estopim dessa queda foi o pacote econômico divulgado antes do fim de semana pelo chanceler britânico do Tesouro, Kwasi Kwarteng, com o maior corte de impostos em 50 anos, ao mesmo tempo em que aumentaria os juros, os empréstimos e gastos do governo.

A inflação no Reino Unido recuou, de 10,1% ao ano em julho para 9,9% ao ano em agosto, segundo dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS). Mas as perspectivas são bem ruins. A alta de preços deve chegar a um pico de 18% - nove vezes a meta do Banco da Inglaterra - no início de 2023, segundo um relatório do banco americano Citi.

"A tentativa do pacote é conter a inflação no Reino Unido. Mas o mercado entendeu que essas medidas não vão surtir esse efeito e ainda podem piorar a situação", analisa Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, de Goiânia.

Como a inflação da Inglaterra afeta o dólar?

Com a desconfiança do mercado de que o governo inglês consiga controlar a inflação, os investidores acabam procurando moedas mais fortes para se proteger. Isso faz com que o dólar fique mais valorizado.

A moeda americana está no seu maior valor nos últimos 20 anos, segundo um levantamento do Bank of America (BofA), não só frente ao real, mas na comparação com a maioria das dívidas mais importantes do mundo. No início de 2002, ela custava R$ 2,40. Ontem 26, chegou a bater R$ 5,40. Hoje, vale R$ 5,347 às 12h.

Juros nos EUA também estão altos

O banco central dos EUA elevou na semana passada a taxa de juros para 3,25% - uma alta de 0,75 ponto percentual. Assim, investidores internacionais tiram seu dinheiro do Brasil (fazendo o real cair) e vão para os EUA e economias mais fortes.

Juros mais altos nos EUA beneficiam o dólar ao tornar os retornos da renda fixa norte-americana mais interessantes para o capital estrangeiro, e também têm desencadeado temores de recessão, já que tendem a restringir os gastos de empresas e famílias.

Com a divulgação de dados de inflação das principais economias e falas de dirigentes de bancos centrais agendadas para os próximos dias, "a semana promete ser desafiadora, um prato cheio para amplitude e volatilidade" nas oscilações do câmbio, afirmou Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora.

E por que isso mexe com a Bolsa aqui?

Os investidores estrangeiros respondem por quase um terço dos negócios na Bolsa de Valores brasileira. É por isso que em dias em que o temor ao risco de perdas aumenta no mercado internacional, as ações caem e o dólar sobe.

Depois da forte alta de ontem, já hoje o dólar comercial operava em queda no início das operações. Por volta das 9h50 (horário de Brasília), a moeda norte-americana caía 1,39%, cotada a R$ 5,307.

O movimento acompanha uma pausa na subida generalizada do dólar no exterior e a divulgação de um IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo 15), considerado a prévia de inflação, mais baixo do que os investidores esperavam.

Para piorar as coisas, o preço de produtos básicos, como petróleo e minérios, caiu no mercado internacional. O preço do barril Brent, por exemplo, foi de US$ 123 em 7 de junho para para US$ 82,86 ontem.

Isso atinge em cheio a B3 porque as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) respondem por 12,3% de tudo que é negociado na Bolsa. Se somarmos os papéis da Vale (VALE3), também fabricante de produtos básicos (minerais), a proporção alcança 22,1%. Os dados são de Einar Rivero, diretor comercial do aplicativo TradeMap.

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