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Debêntures têm mais opções para investir sem pagar IR; veja se vale a pena

Investidor:  - Getty Images/iStockphoto/Vergani_Fotografia
Investidor: Imagem: Getty Images/iStockphoto/Vergani_Fotografia

Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/07/2023 04h00

As opções para investir em debêntures incentivadas, que são isentas da cobrança do IR, aumentaram. Vale a pena investir?

Para aumentar o nível de investimento no país, o governo Lula acrescentou seis novos setores de empresas entre os que podem emitir debêntures incentivadas. São títulos de dívida que pagam juros aos investidores, e são isentos de IR.

O que são debêntures

As debêntures são títulos de renda fixa que as empresas emitem para financiar suas atividades e expandir os negócios. Basicamente, é uma dívida: você empresta dinheiro para a empresa, em troca de juros.

E assim como o Tesouro, os investimentos podem ser prefixados, atrelados à Selic ou à inflação. Saiba mais sobre debêntures aqui.

Nem todas elas são isentas de Imposto de Renda. A maior parte desses títulos vai seguir a tabela regressiva da cobrança de IR da renda fixa. Por isso, o grande benefício das debêntures incentivadas é a isenção do imposto: o rendimento real vai ser maior.

Há mais opções de setores que podem emitir debêntures incentivadas, sem cobrança de IR. São eles: educação, saúde, segurança pública e sistema prisional, parques urbanos e unidades de conservação, equipamentos culturais e esportivos e habitação social e requalificação urbana. Até então, apenas os segmentos de logística e transporte, mobilidade urbana, energia, telecomunicações, radiodifusão, saneamento básico e irrigação poderiam emitir este tipo de título.

Os três tipos de debêntures mais comuns:

Debênture prefixada: É quando o investidor faz a aplicação com a taxa de retorno já definida no momento da contratação.

Debênture pós-fixada: É quando a rentabilidade do investimento varia conforme a taxa básica de juros, a Selic, ou o CDI.

Debêntures híbridas: Há uma combinação entre prefixado e pós-fixado. Dessa maneira, o investidor tem o retorno calculado por uma taxa fixa mais o índice oficial da inflação no país, o IPCA.

Mas vale a pena investir em debêntures?

Retorno pode ser interessante. As debêntures renderam 10,64% em 2022 e 18,26% nos últimos dois anos, segundo a Anbima. Ou seja, algumas renderam mais que a Selic, enquanto outras ficaram abaixo.

Uma boa debênture entrega uma rentabilidade bastante acima do título do Tesouro no mesmo prazo, com um risco controlado e uma estrutura de garantias bem amarrada. Em outras palavras, a principal vantagem é atingir um retorno alto com um risco aceitável.
Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research

Fique de olho no risco das empresas. Investir em debêntures pode ser uma boa. Mas, quanto maior o rendimento, maior também é o risco de a empresa não conseguir pagar seus credores. A rentabilidade do investimento em crédito privado é determinada pelo risco da empresa e pelas garantias oferecidas, segundo Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research.

Não têm garantia do FGC. Ao contrário de outras aplicações na renda fixa, as debêntures não são garantidas pelo FGC. Mas as empresas apresentam garantias pelo empréstimo.

Atenção ao prazo, para não ficar com o dinheiro travado. Os títulos são de longo prazo e devem ser mantidos até o vencimento, sob o risco de perder dinheiro. Ou seja, ter o retorno desse investimento na conta pode demorar um pouco mais do que o usual. Por isso, João Baptista Peixoto Neto, CEO da Ouro Preto Investimentos, diz que a debênture não é um bom investimento para o público amplo, especialmente para pequenos investidores.

O custo também pode ser mais alto que de outros investimentos. Muitas debêntures têm um investimeto mínimo de R$ 1.000.

O principal problema desse tipo de investimento é a falta de liquidez, de capacidade de sacar o dinheiro na hora. Além disso, são papéis de longo prazo. O retorno oferecido nem sempre compensa os riscos. Mas, é claro que, com o incentivo fiscal, o papel fica bem mais atraente.
João Baptista Peixoto Neto, CEO da Ouro Preto Investimentos

Como escolher uma boa debênture?

Público "ideal" é o investidor profissional com perfil moderado ou agressivo. É que, segundo o CEO da Ouro Preto, esse tipo de aplicação exige que o investidor não tenha grande necessidade de uso daquele dinheiro de forma imediata e seja capaz de entender quais são os riscos dos papéis.

Atenção aos detalhes. Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos, diz que é necessário observar o rating (classificação de crédito) de quem está emitindo aquele título. Isso é algo que geralmente as agências de classificação de risco fazem. É necessário também olhar o cenário da empresa, se ela está bem ou mal financeiramente, e quais são os riscos e oportunidades que ela terá à frente.

É importante olhar também o histórico da empresa. Verifique se ela já enfrentou problemas para pagar seus investidores, o que ela oferece como garantia na operação, o que precisa para se manter sustentável e se corre algum tipo de risco do ponto de vista financeiro.

A medida do governo traz mais opções de financiamento para empresas de diferentes setores. Claro que todo mundo precisa ficar atento, principalmente porque as empresas listadas de educação tiveram muitos problemas nos últimos anos. Já o setor de saúde tem sido uma força de uma parte bem sólida do mercado financeiro que vem ganhando espaço nos últimos anos.
Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos

Quais são os exemplos?

Os especialistas fizeram, a pedido do UOL, uma lista de debêntures incentivadas que existem no mercado. Essa não é uma recomendação de investimentos, apenas um recorte de onde é possível investir. Veja qual é o retorno prometido e quanto custa investir.

  • Autopista Fernão Dias (Concessão rodoviária), rating AAA (S&P) - Retorno: IPCA+ 6.20% - Preço: R$ 1.078,68.
  • Celpe (Distribuição de energia elétrica), Distribuição de Energia Elétrica, rating AAA (S&P) - Retorno: IPCA+ 5.58% - Preço: R$ 1.118,65
  • Engie (Geração de energia elétrica), rating AAA (Fitch) - Retorno: IPCA+ 5.90% - Preço: R$ R$ 1.159,76
  • Eneva (Geração de energia térmica), rating AAA (Fitch) - Retorno: IPCA+ 5.98% - Preço: R$ R$ 1.131,44
  • Raízen (Açúcar e etanol), rating AAA (Fitch) - Retorno: IPCA+ 5.38% - Preço: R$ 1.214,62
  • Itapoá Terminais Portuários (Logística), rating AA (Fitch) - Retorno: IPCA+ 6.26% - Preço: R$ 1.214,62
  • Petro Rio (Óleo e Gás), rating AA (S&P) - Retorno: IPCA+ 6.40% - Preço: R$ 1.126,43

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