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Ex-diretor do FMI Rodrigo Rato será julgado na Espanha por 'apropriação indébita'

Madri, 1 Fev 2016 (AFP) - O ex-diretor-gerente do FMI Rodrigo Rato será julgado pelo suposto mau uso de fundos quando era presidente do Bankia (2010-2012), banco resgatado com dinheiro público, decidiu nesta segunda-feira a justiça espanhola.

Rato, que dirigiu o Fundo Monetário Internacional de 2004 a 2017, será julgado junto a outras 65 pessoas acusadas "de um crime continuado de apropriação indébita" por ter gasto mais de 12 milhões de euros do banco por meio de cartões de crédito sem controle, segundo decidiu um juiz da Audiência Nacional, principal instância penal espanhola.

Um antigo peso-pesado do conservador Partido Popular de Mariano Rajoy, ex-vice-presidente do governo e ex-ministro de Economia durante os mandatos de José María Aznar (1996-2004), Rato, de 66 anos, conhecido como o artífice do milagre econômico espanhol, precisou abandonar o partido por este escândalo.

"Alguém terá que dizer a Rodrigo que ele terá de sair", havia dito o próprio Rajoy, de acordo com a imprensa espanhola, exigindo sua renúncia em um esforço para limitar os danos à imagem do partido.

Os acusados são ex-diretores e ex-membros do conselho de administração da Caja Madrid, que se transformou no Bankia após sua fusão com outras seis entidades em 2010. Entre eles figura Miguel Blesa, presidente da Caja Madrid de 1996 a 2009.

A procuradoria anticorrupção pede 6 anos de prisão para Blesa e 4,5 anos para Rato, em um julgamento cuja data ainda será determinada.

Também exige que sejam devolvidos os mais de 12 milhões de euros gastos com cartões de crédito não declarados durante seus mandatos por personalidades do mundo econômico, sindical e políticos que formavam parte da direção e dos conselhos administrativos da entidade.

O juiz considera que Rato e Blesa podem ser responsáveis de "administração desleal" por terem permitido este sistema e de "apropriação indébita" por eles mesmos terem utilizado este dinheiro.

Segundo os documentos da investigação, Rato gastou mais de 99.000 euros entre 2010 e 2012 com dois cartões, e Blesa utilizou sete, de 2003 a 2010, por um valor total de mais de 436.000 euros

Segundo a imprensa espanhola, Blesa teria pago deste modo safáris na África por 9.000 euros ou grandes vinhos por 10.000 euros. Outros retiraram centenas de milhares de euros em dinheiro, compraram joias, roupas de luxo ou pagaram restaurantes.

Em um caso separado, Rato está acusado de fraude, apropriação indébita, crimes contábeis, falsidade documental e administração desleal em relação à saída à bolsa do Bankia em 2011. Também é alvo de investigações por suposta fraude fiscal e lavagem de capitais em um terceiro caso.

Depois de chegar perto da quebra, o Bankia se converteu em símbolo dos abusos do setor bancário espanhol, alvo de um histórico resgate financeiro europeu de 41,4 bilhões de euros em 2012, dos quais 20 bilhões foram direcionados ao Bankia.

"Rato, batedor de carteira, o pior dos cães!", gritam centenas de manifestantes em frente à sede do partido no poder em Madri, pedindo a renúncia do executivo.

A corrupção "nos causou mais danos do que as decisões que tomamos na política econômica", reconheceu Rajoy antes das eleições de 20 de dezembro, quando perdeu a confortável maioria absoluta com que governava desde 2011.

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