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Carros "made in China" nos mercados ocidentais: um tabu a ser quebrado

Xangai, 26 Abr 2016 (AFP) - Os smartphones, as peças de aviões e outros bens tecnológicos fabricados na China já conquistaram o Ocidente e os veículos vão, pouco a pouco, pelo mesmo caminho.

Considerando-se as estatísticas para 2015, não parece, porém, que isso acontecerá rápido: exportou-se apenas 3% da produção chinesa, o equivalente a 755.500 veículos, em especial para países emergentes.

O que antes era um tabu está caindo por terra. O gigante americano General Motors (GM) deu o passo: vários carros Cadillac e Buick fabricados na China acabarão, em curto prazo, em concessionárias dos Estados Unidos.

Este ano, a GM e seu sócio chinês SAIC inauguraram uma fábrica Cadillac na região de Xangai, um investimento de US$ 1,2 bilhão. Nela, será fabricada o sedã CT6 híbrido recarregável, destinado à China e aos Estados Unidos.

A General Motors também anunciou que importará este ano da China o SUV Buick Envision, o que gerou mal-estar entre os sindicatos dos trabalhadores do setor do automóvel americano UAW.

O envolvimento da GM, que aposta na venda anual de entre 30.000 e 40.000 Envision nos Estados Unidos, pode convencer os clientes mais reticentes em relação à qualidade dos produtos fabricados na China, destaca a especialista Namrita Chow, da IHS Automotive.

"O 'made in China' não é um obstáculo em si. A questão é saber quem produz", disse Chow.

O presidente da GM para a China, Matt Tsien, garante que a fábrica de Xangai não deixa nada a desejar às instaladas nos Estados Unidos e dispõe de "algumas das tecnologias mais avançadas no setor automobilístico atual".

Fabricar na China permite aproveitar o custo mais baixo de mão de obra do que no Ocidente, mas a taxa de câmbio e as barreiras tarifárias podem reduzir os benefícios.

"Isso pode ser feito, enquanto os custos intermediários vinculados ao transporte dos veículos continuarem sob controle", afirma o diretor do observatório Cetelem do Automóvel, Flavien Neuvy.

Táxis elétricosO cálculo parece vantajoso, no caso de veículos híbridos, ou elétricos, em pleno desenvolvimento na China, destaca Tsien.

"Os fabricantes chineses querem vender, fervorosamente, para o exterior", afirma o especialista Paul Gao, da empresa McKinsey, em Hong Kong.

Esbarram, porém, nas normas de homologação. Além disso, adverte Laurent Petizon, da AlixPartners, "os mercados europeus e americanos são os mais disputados do mundo" e, por enquanto, os resultados foram "simbólicos".

A BYD conseguiu colocar algumas dezenas de sedãs elétricos para equipar táxis em Londres, Bruxelas e Chicago.

Os fabricantes chineses também se interessam por outros mercados de mais fácil acesso, como Turquia e Rússia.

A companhia pública Guangzhou vende seus carros no Oriente Médio e quer fabricar na Rússia e no Irã, segundo a imprensa especializada, enquanto a Chery lançou uma linha de montagem no Egito.

A ideia consiste em vender carros na África, "um mercado com um potencial enorme", segundo He Xiaoqing, dirigente de esta empresa.

O grupo PSA não vende "made in China" na França, mas já exportou carros fabricados por suas co-empresas chinesas para mercados emergentes, como Egito, ou Irã, mais recentemente. Fornece para países vizinhos da China de sua fábrica de Wuhan (centro) e exporta peças para serem montadas na Tailândia, ou na Malásia, explica para a AFP o diretor-geral de Peugeot, Maxime Picat, no Salão do Automóvel realizado em Pequim esta semana.

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